Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador viagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagem. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de julho de 2015

São Paulo: voltar é preciso


Há sempre bons motivos para voltar a São Paulo. Eles podem ser simples ou complexos, pequenos ou grandes, importantes ou banais. A única coisa certa é que há sempre um, dois, três ou milhares de motivos para fazer a experiência-São Paulo.
Cheguei no fim da tarde de uma sexta-feira. O frio ameaçava, mas não passou de uma agradável e moderada temperatura. Quando saí da estação de metrô, dei de cara com um bairro agitado, vívido. Estava na Liberdade. Habitado por japoneses e outras etnias, a Liberdade é um celeiro de encontros culturais e étnico-raciais.
Exausto da viagem, sentei no primeiro restaurante que vi ao sair da estação. Comi sushi. Foi possível saciar a fome, mas não tive prazer algum naquele sushi que nem de longe parecia ter sido feito pelas mãos dos seus criadores.
Na primeira noite, pensei apenas em descansar e planejar o roteiro do dia seguinte. Além de consultar o mapa, preparei a câmera que registraria um outro olhar sobre a cidade. Já havia passado cinco anos desde a última visita.
Na manhã do dia seguinte, saí de casa como se fosse familiar à cidade, embora tivesse a certeza de que novos caminhos e experiências já se anunciavam. Andei pelo bairro da Liberdade tomado por uma tranquilidade genuína, de maneira que me permiti entrar e sair de ruas reiteradas vezes, perder o rumo, ficar desnorteado. Nesse passo embriagado de atenção e curiosidade, acompanhei o cotidiano dos moradores, seus costumes, comércio, burburinho, pagodes, silêncios.
Tudo isso me preparou para uma nova visita ao MASP na parte da tarde. Revisitar o acervo do museu é a única vivência do tipo "mais do mesmo" que não me deixa entediado. Ali nos encontramos com Gauguin, Cézanne, Rembrandt, Van Gogh, Rodin e muitos, muitos outros. Percorri as salas sem pressa, desfilei o olhar docemente sobre as pinturas, pensei nos processos criativos daqueles homens e mulheres de arte, descansei nas cores de Renoir.
Após experiências abstratas que representam objetos visíveis, chegou a hora de experienciar o tocável, amável e que nunca cai no esquecimento: os amigos. A bem da verdade, duas amigas que conheci quando estive pela primeira vez em Buenos Aires. Elas me sugeriram dança de salão e eu devolvi com jazz e blues no bairro da Madalena. Cederam e acabamos nos fundos de um estacionamento onde circulavam pessoas interessantes e aos ouvidos chegavam os sons tirados de um saxofone cheio de vida. A apresentação durou o tempo suficiente para que fôssemos felizes; felizes por sermos amigos, amigos sinceros.
No domingo, minha opção foi a Pinacoteca. Esse é outro espaço que nos faz pairar  no ar. Dessa vez, foi possível conhecer o anexo que trata-se de outro prédio próximo à Pinacoteca e menor que essa. Na entrada, uma exposição fotográfica sobre a Ditadura Militar brasileira e, em uma das salas, exposição de arte brasileira. Portinari, Di Cavalcante, Tarsila do Amaral foram meus recepcionistas e me fizeram entender melhor o que é fazer uma releitura do Brasil por meio da representação pictórica.
Por fim, peguei um cineminha no prédio da Gazeta no espaço Reserva. Adivinhe quem encontrei lá? Liv Ullman exibindo seu longa metragem que, embora tenha recebido heranças do memorável Ingmar Bergman, apresenta o traço cinematográfico peculiar da menina dos olhos que se celebrizou nos filmes do diretor sueco.
É hora de voltar. Na mala: roupas, agenda, e tudo aquilo que foi possível comprar a preço de banana, como livros, DVDs, cartazes, lembrancinhas e aquilo que o dinheiro não compra, a saudade de voltar.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Experiência do Deserto (Deserto do Atacama - Chile)

Era no tempo da Copa. O país encontrava-se ainda sob os ventos que, meses antes, sacudiram cidades e deixaram a sociedade envolta num misto de revolta e pânico. O recesso escolar foi antecipado para que a Copa no Brasil tivesse uma adesão massiva de todos os seguimentos sociais. Resolvi viajar. No roteiro de Caminhos da América do Sul - feito de cabeça, diga-se de passagem - não havia lugar para o Deserto do Atacama, então, criei um pretexto para ir ao Deserto: fugir da Copa e dos possíveis tumultos que presumidamente poderiam acompanhá-la.
Ainda trago resquícios do frio que fazia em Santiago quando cheguei à rodoviária. Saindo do aeroporto vi as luzes de Natal - que nada! Isso só acontece em Faroeste Caboclo -, não, vi Cíntia: amiga de são Paulo que estava indo a Chiloé e tomou o mesmo ônibus que "yo". Reconheci a mescla de espanhol com sotaque paulistano e atirei na mosca, digo, na Cintia, que atravessou minha pergunta: "Você é Luciano?" Ela perguntou primeiro e a diferença foi de milésimos de segundos. Enfim, quase não cabia em mim de tanta felicidade. Mas essa foi apenas uma das tantas que me aguardavam no Deserto.
Quando o mochileiro, ou qualquer outro ser estranho a espécie, chega à pequena rodoviário do "pueblo" do Atacama é abordado por funcionários de hotéis, pousadas etc. Embarquei de cara na primeira proposta (esqueci de dizer: sou fácil...abafando o caso...) e me hospedei num "hostel" que tinha uma área de "camping". Primeira noite: frio de lascar (melhor, de lascar é o que faz em Garanhuns: cidade de "mes pères"... no deserto, àquela hora da noite, o frio mal permitia um passo após o outro). Após montar a barraca, a segunda providência foi comprar vinho e bater perna pelo povoado. Agora eu precisava abrir o vinho e, sob esse pretexto, acabei conhecendo essa galeraaaaaa que me jogou na noite "power" do povoado. Distraídos, tropeçamos numa pedra vulcânica, e caímos  nessa festinha tradicional regada à música folclórica e meu vinho que não durou muito. Combinei com o francesinho um pedal no dia seguinte, mas houve um desencontro e repeti incansavelmente para mim mesmo: " a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." Isso me confortou.
"Eu era tão feliz e não sabia, amor..." Perseguição Marisa Monte...deixa ketu e vamos para o segundo dia.
No dia seguinte, após uma experiência de 5º na madruga, saí para comprar os pacotes dos passeios e fotografar o "pueblo". As casas e estabelecimentos comerciais mantém basicamente as mesmas características de quando o Deserto nem era tão visitado como hoje. Essa é uma decisão política dos índios atacamenhos que insistem em não perder aspectos fundamentais da sua cultura. Há um visível equilíbrio entre tradição e modernidade. Comprei os pacotes e tinha um passeio às lagoas à tarde. Você foi? Nem eu. Devido a um pequeno problema de fuso horário, perdi o passeio. Mas minha vingança sará malígrina!! Me aguardem!
Aquela velha saída à noite...Não pode faltar. "Pela estrada afora..." eu vou de mansinho, olhos atentos a qualquer movimento humano capaz de abrir minha "petite" garrafa de vinho. Esbarrei com a funcionária da agência de viagens onde comprei os pacotes que me deu uma bronca porque não compareci. Expliquei e, como uma mãe, entendeu minha justificativa e me convidou a sentar com o grupo com o qual faria o passeio. Eram todos chilenos. Bonitos, animados e famintos. Em poucos minutos devoramos pizzas e outras itens do cardápio. Enfim, o primeiro passeio: Laguna Cejar e Tembinquinche e Salar de Atacama. Saímos quando o sol ainda se espreguiçava. De água azul-vibrante e a calmaria de uma noite sem nuvem, as lagoas oferecerem ao mochileiro o descanso mental necessário a tudo que estar por vir. À tarde, outro passeio: Vale da Lua e Vale da Morte. Por que se chama Vale da Lua? Não faz ideia? Porque o solo dessa região é semelhante ao solo lunar. Simples como a Oi. Mas a beleza da formação geográfica do lugar é complexa e não apreensível por um olhar com hora marcada para chegar e sair. O Vale da Morte não é diferente. As formações "rochosas" oriundas de erupções vulcânicas e outros fenômenos metem medo com seu crepitar e a sensação de que alguma daquelas "pedras" - que se equilibram com dificuldade umas sobre as outras - vão cair na sua cabeça a qualquer momento. Durante o passeio, conhecemos um "pueblo" onde acontecia uma festa religiosa que nada tinha de lamentações e imagens sangrando e olhar triste, antes, dança, alegria e música, muita música. Quando pensávamos que já tínhamos visto tudo que a vida tinha para nos oferecer de belo naquele dia, o motorista para no alto de uma "falésia" e, de lá, tínhamos uma visão panorâmica dos vales que ao cair da tarde recebiam a visita de um pôr do sol cuja beleza é indizível.

abre parêntese essa foto deveria estar no lugar da anterior fecha parêntese.







domingo, 16 de fevereiro de 2014

Crônicas de um Mochileiro em Montevideo (Uruguay)

Ansiedade. Essa é a melhor palavra que descreve meu estado antes de deixar o Recife às 7h30 no dia 03.01.2014. Passageiro de um voo hiper econômico, tive que suportar as dores de parto que um voo desse impõe. Acordar cedo para chegar ao Aeroporto Gilberto Freyre foram as primeiras contrações. A bolsa estourada e as dores horrendas acometeram-me no Aeroporto de Guarulhos (São Paulo) onde passei 9h aguardando a conexão que, enfim, deixou-me com menino nos braços no Aeroporporto moderníssimo de Montevideo e, tal como uma criança, desejoso de conhecer um mundo.
Uma vez que o parto não é a única dor, pois outras dores podem despontar após o parto, comigo não foi diferente. Quando cheguei ao hostel, o recepcionista avisou que como havia feito reserva para o dia 04.01, então deveria esperar até às 14h para fazer check-in, pois todos os quartos estavam lotados. Estava tão cansado que nem consegui ter raiva, desapontamento, sentir-me contrariado ou coisas do tipo. De pronto, o recepcionista ligou a outro hostel onde havia vagas e passei a noite num lugar que nem lembro com precisão da estrutura, cores, corredores e corrimão, mas recordo bem as palavras em tom de brincadeira do recepcionista: "Isso é hora de chegar num hostel?" Eu estava tão atordoado que nem entendi se tratar de uma brincadeira e fui logo me explicando. Pechinchei na hora do pagamento da diária e consegui que essa ficasse por 350,00 pesos uruguaios. Iupi!!Agora vou tomar  banho e dormir.
No dia seguinte, volto ao Che Lagarto que, diga-se de passagem, tem uma ótima estrutura e fui acomodado. Resolvido o problema da acomodação, dei início à caminhada portando um mapa que não usei. Tenho sérios problemas com mapas, pois sempre olho na posição errada e acabo no lugar oposto àquele que quero conhecer.
Em 2013, o Uruguay foi eleito pela revista britânica The Economist o país do ano. Com essa informação borbulhando em minha mente, não hesitei em querer constatar as razões que levaram o país a ser escolhido e não me decepcionei. Ruas largas, trânsito organizado, povo acolhedor, ciclovias, centro histórico conservado e rico em seus aspectos culturais: tudo isso faz do Uruguay um dos melhores países para viver. Além disso, carro não é muito apreciado pelos uruguaios de maneira que o turista pode desfrutar de um ar menos poluído.
Essa praça da foto é a Praça Independência que se encontra nos arredores da Cidade Velha e além de desfilar uma beleza ímpar, conta com um misto de moderno e antigo em seu entorno.
O Palácio Salvo com seus 95 metros e 27 pisos desenhados pelo arquiteto italiano que vivia em Paris, Mario Palanti, produz um impacto singular no turista que se vê pequeno, diminuto, insignificante diante da grandiosidade da construção que foi durante anos a maior da América do Sul.
I
Nas cercanias da Praça Independência, descortina-se o Teatro Solis que foi inaugurado em 1856. Circulei o Solis a fim de fotografá-lo em perspectivas e ângulos diferentes. A arquitetura apresenta características dos teatros líricos e sua forma é ligeiramente elíptica.
No fim de semana, a cidade se recolhe e o mochileiro retém nas lentes da câmera com calma e sem atropelo as cenas da Cidade Velha que conserva em suas ruas, ora planas, ora com pequenas ladeiras, um conjunto arquitetônico de rara beleza.
Comida em Montevideo não é cara, mas para o mochileiro com pouco dinheiro é importante saber escolher bem e isso significa encontrar um lugar onde possa comer bem sem gastar muito. Outra curiosidade de Montevideo é a cerveja. Não é raro ver jovens e adultos trazendo nas mãos uma garrafa de cerveja de dimensões consideráveis. Para nós, que estamos mais acostumados à latinha ou long neck quando andamos pela rua, aquilo parece uma bizarrice.
Como em Paris, Montevideo possui um lugar especial onde os casais renovam suas juras de amor que ficam representadas no cadeado colocado na grade de uma fonte e cuja chave é jogada nas águas da fonte.
Não é difícil sentir-se envolvido pela atmosfera da cidade e dos seus habitantes que criam um clima propício para que o mochileiro desfrute das belezas, cultura e vida da capital uruguaia. Viva Uruguay!!




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A extensão do Caminho

Caminhos da América do Sul calculou o percurso realizado até agora. Esse percurso implica Argentina-Chile-Peru e Bolívia. Foram 5.133km de experiência geográfica e humana.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Crônicas de um mochileiro em Copacabana (Bolívia)

Deixei  Puno no Peru e segui em busca de novas experiências do outro lado da fronteira, onde se encontra a Bolívia. Enquanto caminhava sob o peso das bagagens e o sol que resolveu aparecer nesse dia, as vozes indígenas que me saudaram em aymara e quéchua na Isla de los Uros perseguiam meus ouvidos e convidavam a desbravar o próximo país. Na alfândega, descansei as costas e aguardei que a polícia autorizasse minha entrada. Tudo transcorreu na tranquilidade que esperava e segui ansioso por chegar em Copacabana, meu primeiro destino.
Copacabana é uma cidade pequena que se encontra no entorno do majestoso lago Titicaca. A cidade serve de apoio a turistas que ingressam na Bolívia pelo Peru e desejam ver o Titicaca do lado boliviano. Próximo dali, cercado pelas águas do Titicaca, temos as Ilhas do Sol e da Lua que agregam beleza à região e acenam exigindo do turista uma visita.
Exaurido pela longa e desgastante viagem que levou seis horas e rendeu uma aventura da qual ri bastante depois, apressei o passo a fim de encontrar um hostel que oferecesse o mínimo de conforto e um preço acessível. Hospedei-me  num prédio histórico, cujos corredores e apartamentos denunciavam o status do hostel no passado, provavelmente o melhor hotel da cidade. Do quarto, era possível entreter o olhar com as águas tranquilas do Titicaca e as embarcações que não paravam de singrar aquelas águas.
Após um banho que parecia uma fonte no deserto, acumulei peças de roupa para aplacar o frio que chegava a 5º. Agora protegido contra as rajadas de vento e frio cortante, caminhei mantendo um olhar curioso sobre a rua que dá acesso ao lago. Ao longo da rua, restaurantes, lanchonetes, pubs e mercadinhos disputam a atenção e os pesos dos turistas. A orla do Titicaca não enche os olhos, mas a imensidade do lago deixa-nos submersos nos encantos daquelas águas. Retomei a consciência quando lembrei que precisava garantir a compra do passeio à Ilha do Sol e foi o que fiz em seguida.
Acordei. O corpo se enroscava nas mantas grossas e lençóis sobrepostos e insistia em não deixar aquele lugar que o fizera descansar e aquecer. Mas o horário, a passagem paga e o desejo derrotaram esse corpo renitente e pus-me a correr entre chuva, vento e frio quando cheguei às embarcações. Estava atrasado e meu barco já havia saído. Fui imediatamente acomodado em outro e segui em direção à ilha. Aos poucos, a cidade foi deixada para trás e a cortina de neblina abria-se e colocava em cena uma outra paisagem: a Ilha do Sol.

Terra à vista. Dessa vez, não fui recepcionado com cantos, mas as belezas naturais de uma ilha - que parece conservar uma virgindade perdida - deram as boas-vindas. No lugar do desembarque, portão de acesso à ilha, um comércio inexpressivo aguarda a leva de consumidores que pechicham mesmo sem disporem de muitas opções. Vale lembrar que o turismo é intenso nesses roteiros e o turista é sempre visto como possibilidade de um lucro que é garantido de maneira arbitrária.
Câmera em  mãos, dei início ao registro fotográfico que se estendeu durante todo o dia. Nos lugares altos, sentava numa pedra, descansava um pouco e seguia registrando instantes de uma modelo que posa com graciosidade e elegância: a natureza.
Enquanto abria os tornozelos nas ladeiras por onde desfilavam indígenas, a fauna vigorosa, a flora exuberante e os turista vorazes, deixei que meu olhar recaísse sobre aquele paraíso cheio de anjos decaídos em busca de sintonia com o Todo e paz interior.
Antes de voltar à embarcação, conheci um viajante de Garanhuns, cidade dos meus pais, que estava há dias percorrendo a América do Sul sobre duas rodas. Ouvi atento suas histórias e pensei que minha loucura era sã diante dos relatos do meu conterrâneo.
De volta ao hostel, voltei a mirar o Titicaca através da larga janela e mergulhei nos pensamentos que eram turbilhão na cabeça de um viajante disposto a reencontrar na diversidade humana o elo que nos faz pertencer à mesma família chamada Humanidade. Absorto em pensamentos dessa natureza, esqueci que precisava comprar a passagem que me permitiria chegar ao próximo destino: La Paz. No dia seguinte, procurei uma agência e rumei estrada afora.


domingo, 3 de março de 2013

Crônicas de um mochileiro em Cusco/Machu Pichu

As reminiscências são sempre mais vivas e intensas que a realidade e o vivido. Rememorar é buscar detalhes, selecionar experiências, refazer caminhos materiais e afetivos. Em suma, é recorrer às lembranças que descansam em nosso olhar. Assim, retomo essas lembranças e quebro a sequência dos fatos e do roteiro, uma vez que Cusco não foi a última cidade a ser visitada, mas Puno, sobre a qual já escrevi.
Cheguei em Cusco aproximadamente no dia 13 de janeiro e, de pronto, não me encantei com a Cidade Imperial dos Incas. Mas essa má impressão durou pouco. Após desambarcar na rodoviária, dirigi-me à praça principal onde um misto de deslumbre e curiosidade se apoderou de mim. Aos poucos, enquanto passava o olhar pelas belezas arquitetônicas daquele centro histórico, comecei a entender porque Cusco atrai tantos turistas e também compreendi o fato de ser uma parada obrigatória para o visitante que pretende esticar seu passeio até à cidade sagrada dos Incas: Machu Pichu. Nela (em Cusco), percorre a brisa da história que envolve suas ruas, esquinas e construções que datam do séc. XVI quando lá chegaram os dominadores espanhóis. Mas o nascimento dessa cidade que já serviu de base administrativa, religiosa e cultural ao Império Inca data do século XII. Até a chegada dos espanhóis, Cusco funcionava como a sede de um dos maiores impérios que a América Latina abrigou e, onde hoje vislumbram-se templos católicos, era possível ver os lugares sagrados do povo inca. No afã da expansão europeia, templos e índios foram pilhados e assassinados sem que pudessem provar sua importância no cenário cultural da humanidade.
Como já foi dito, Cusco é parada obrigatória para quem deseja chegar a Machu Pichu. Na cidade Imperial, fiquei hospedado no Flying Dog Hostal que já era conhecido uma vez que me hospedei em hostal da mesma rede na cidade de Arequipa. No mesmo dia, conversei com o representante de uma agência que mantém um convênio com o hostal e fechei o passeio a Machu Pichu com essa agência que cobrou 585,00 soles (tudo incluso). Isso equivale aproximadamente a R$ 585,00, uma vez que o câmbio entre as moedas é praticamente 1 para 1. Em Cusco, há muitas agências que oferecem passeios, mas nem todas são confiáveis. É muito importante obter o máximo de informação sobre a agência e junto à agência para que tenha certeza que não está fazendo um mau negócio. Os peruanos são agradáveis, receptivos e pacíficos, mas em matéria de negócios é bom ficar atento porque pode se deparar com um oportunista.
O percurso até Machu Pichu é razoavelmente longo, pois o trem não sai de Cusco, mas de uma cidade que fica a aproximadamente 1h30 da cidade imperial. O caminho é repleto de curvas e, ao logo do trajeto, é possível ver de relance a entrada de sítios arqueológicos que estão localizados nas proximidades da cidade histórica dos incas. Até à estação fomos de van e depois seguimos de trem. A viagem dura aproximadamente 2h e a paisagem é de tirar o fôlego. Na classe que viajei, não há muitos serviços e o conforto não chega aos excessos da primeira classe que é muito mais cara. Entretanto, a falta de serviços excelentes foram substituídos pelo bom papo que se desenvolveu ao longo da viagem com dois passageiros que se dispuseram a me dar uma aula sobre Machu Pichu.

Enfim, Águas Calientes ou Machu Pichu Pueblo. A bem da verdade, trata-se de um pequeno povoado onde se concentra um número considerável de hoteis, pousadas, hostals e casas de comércio bem como um centro voltado para a venda de artesanato produzido por artesãos locais e provenientes de Cusco. É o lugar ideal para quem deseja descansar antes de rumar à Cidade Perdida dos Incas. Os dois rios que passam pelo povoado e as montanhas que os cercam se encarregam de criar o clima perfeito de sossego e paz. Dormi em Águas Calientes e, no dia seguinte, por volta das 5h, tomei a van que me levaria ao desejado templo sagrado dos Incas.
Após 20 minutos de belezas naturais, chegamos a um dos lugares mais fascinantes da nossa Casa Comum, a Terra. O movimento é intenso na entrada do sítio arqueológico, uma vez que os turistas chegam em horários próximos. Identificado o guia turístico, iniciamos a jornada pela religiosidade, cultura e cosmovisão inca. Inquieta e encanta a organização de uma sociedade indígena que construiu uma cidade num lugar tão inacessível e pouco propício à vida humana porque queria se proteger dos invasores que pilhavam sua gente e terra. Protegida pela Montanha Jovem e Montanha Velha, Machu Pichu foi o centro urbano de uma civilização que cultivou a terra, cultuou os deuses e produziu cultura sem agredir a Pacha Mama, ou Mãe Terra. A cruz andina representa essa comunhão desejada por esse povo que estabelecia com o seu entorno uma profunda relação de respeito e gratidão. E essa relação é expressa na cruz andina por meio do simbolismo dos três mundos: superior, o dos vivos e o inframundo que se encontram representados nas três pontas da cruz.
A cidade sagrada foi descoberta por camponeses que exploravam a região, mas só do arqueólogo Hiran Binghan recebeu a devida investigação científica. Binghan registrou suas descobertas no livro La Ciudad Perdida de los Incas: Machu Pichu.
Liberados pelo guia, resolvi voltar a fazer o mesmo percurso e explorar outros para perceber nuances e sentir melhor a cidade, pois isso não é possível quando temos que acompanhar um guia que nos conduz a passos rápidos. Assim, voltei aos templos, fotografei símbolos sagrados, subi a montanha de Machu Pichu, passei entre as paredes de pedras que constroem os aposentos dos sacerdotes e importantes figuras da escala social inca, vi a neblina ir embora e o deus Sol iluminar a cidade que ecoa os sonhos, a coragem e a sabedoria de um povo.
A volta a Cusco foi materialmente tranquila, mas minha mente não estava tão tranquila quanto a viagem e ainda tentava processar todas aquelas informações captadas pelo olhar e sorvidas pelos demais sentidos. Agora no Brasil, passado pouco mais de um mês dessa experiência, nutro a esperança de um dia voltar a Águas Calientes e, certamente, a Machu Pichu, a fim de escrever os primeiros capítulos das percepções impressas pelos Caminhos da América do Sul. É isso.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Puno

Puno foi a última cidade do Peru onde Caminhos da América do Sul atracou seu mochilão. Entre Arequipa e Puno, temos Cusco e Machu Pichu que merecem uma postagem - talvez duas - muito especial. Cheguei em Puno avisado acerca do frio e não foi diferente do que me disseram. É, sem sombra de dúvida, uma das mais frias do Peru. Com apenas um dia para conhecer a cidade que possui ingresso para três ilhas, tive que eleger a ilha e organizar as coisas de tal forma que sobrasse tempo para conhecer a cidade. A ilha foi mole... Elegi aquela que ficava mais perto de Puno e havia sido indicada quando ainda estava no Brasil: La Isla Flotante de los Uros. No dia seguinte, após tomar chuva feito lavoura, fui ao porto de onde partem os barcos em direção às ilhas. Sem muita conversa nem pesquisa de preços, comprei ingressos e passagens do primeiro que me ofereceu. Mas assim o fiz, porque concluí que não estava sendo explorado. Seguimos. Passeio agradável de barco pelo lago Titicaca e uma tentativa de conversa em francês com um casal de idade avançada que também explorava a América do Sul fizeram com que a viagem passasse sem que percebêssemos e, quando nos demos conta, estávamos diante da placa Bienvenidos a Las Islas Flotantes de los Uros. Colocada numa espécie de mirador, a placa anuncia a chegada.


E o barco segue... Mas não muito. De repente, não mais que de repente, atracamos e mulheres indígenas nos recebem com cantos e mãos que acenam. Desembarcamos e, de pronto, fomos convidados a sentar em sofás feitos de "bambu" para recebermos algumas informações de uma das representantes da ilha. Sentamos e escutamos atentos as palavras que nos diziam da origem dos Uros, crenças, trabalhos e organização social. Anteriores a era colombiana, os Uros tinham como finalidade garantir a segurança dos seus membros quando desenvolveram esse tipo de habitação. Hoje as ilhas flutuantes são um grande atrativo turístico e índios vivem da venda do artesanato que é comercializado nas tendas que se encontram espalhadas pela ilha. Após a apresentação, fomos convidados a entrar em uma das casas e ali recebemos mais informações acerca da organização privada de uma família Uros. É estranho e ao mesmo tempo prazeroso andar sobre aquelas totoras. Em algumas partes, temos a impressão que aquela estrutura não é suportável e vamos afundar nas profundidades do Titicaca. Isso me deixava inseguro, embora a nossa professora tenha nos deixado tranquilos em relação à construção do "piso" da ilha.
Após a apresentação, o convite foi ao consumo. Afinal de contas, os Uros vivem basicamente da caça de aves, pesca e artesanato. Há também outra fonte de renda: o passeio de Mercedes Benz, como falou, num tom extrovertido, a nossa professora. O Mercedes Benz, a bem da verdade, trata-se de um barco feito do mesmo material (penso eu) que constroem as ilhas flutuantes. Lembra aqueles barcos dos Vikings e não me neguei a pagar 5,00 soles sob pena de despediçar a oportunidade de fazer uma viagem de Mercedes Benz pelo Lago Titicaca até a capital da ilha.
Quando o Mercedes Benz deu partida, as índias que cuidam da recepção  logo se enfileiraram e cantaram três canções em aymara, quechua e espanhol. O vídeo que disponibilizo traz a canção em quechua, língua oficial dos Incas e ainda bastante falada na comunidades indígenas.
Enfim, chegamos à capital. Ali, tudo é mais abundante. Tendas se multiplicam e temos mercadinho e restaurante onde se serve o melhor da culinária peruana. Com câmera a postos, olhar curioso e ouvidos atentos, tentava entender como conseguiam ser felizes em condições tão precárias e distantes de tudo. Não encontrei respostas. Mas tenho por certo que são felizes. E isso é possível porque não existe uma única receita para a felicidade. Talvez seja isso que a vida dos Uros queira nos provar ou nos prove indiretamente: felicidade é uma construção que pode seguir diferentes caminhos.
Voltei e, devido ao tempo escasso, não foi possível conhecer a cidade. Motivo para voltar a Puno e, quem sabe, aos misteriosos Uros.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Arequipa

A cidade de Arequipa no Peru é um destino que não pode ficar fora do roteiro de qualquer mochileiro que tenha interesse em arquitetura colonial, ruas que transpiram histórias passadas e museus que, ao contar a saga dos incas, dos honoráveis arequipenhos e religiosos, contam o progresso da humanidade. Cheguei em Arequipa no dia dez de janeiro e, no dia seguinte, quando começo a desbravar suas ruas com cheiro de memória, deparo com um Centro Cultura Peruano Brasileiro que fica a alguns metros do hostal onde estava hospedado. De repente, um misto de curiosidade e espanto invadiu e arrastou meus pés até o referido instituto de ensino de português para estrangeiros. Já dentro da sua secretaria, conheço uma das professoras do instituto e podemos falar sobre a demanda de estrangeiros que buscam aprender português, número de alunos por sala, material didático, entre outras coisas. Dessa conversa, resultou que no fim da tarde ganhei um livro didático de ensino de português como segunda língua. A experiência não poderia ser melhor para um professor de português que difunde o valor intríseco e extrínseco que sua língua carrega.
 

Continuo percorrendo as ruas largas de Arequipa que apontam para a grandiosidade de suas contruções e chego à praça das armas onde a catedral se impõe como uma gigante a esmagar os meros mortais que ousam caminhar sob suas sombras ou sentar nos degraus que dão acesso a um majestoso templo que abriga não só a piedade cristã, mas objetos de arte dos mais variados valores históricos e artísticos. Foi nessa catedral que dediquei alguns minutos a fotografar e admirar um órgão que se insinuava arrojado e delicado e parecia entoar uma peça, mesmo sem alguém a dedilhar suas teclas. Nessa praça, que chama a atenção não só pela catedral que majestosamente emana poder sobre seus súditos e lhes inspira alguma crença, há também o espaço reservado aos arequipenhos que conversam, contam anedotas, falam de suas vidas, despedem-se de seus amores, realizam negócios, vendem suas fotografias e murmuram suas narrativas existenciais.
 
 
Há muitas opções turísticas em Arequipa, mas há uma que não pode ficar fora do roteiro de um mochileiro que se interessa por museus: o Mosteiro de Santa Catarina de Sena. O convento, que foi fundando em 1579, encontra-se dividido em duas alas que são ocupadas pelas irmãs dominicanas e o museu. Como se trata de um convento onde vivem freiras enclausuradas, só visitamos a área reservada ao museu que, diga-se de passagem, ocupa um espaço considerável. Tão considerável que passei duas horas e meia para conhecer e fotografar o lugar. A história do convento e das freiras que ali viveram sua vida de clausura e fé encontra-se intrisecamente ligada à política e formação social e humana de Arequipa, de maneira que mergulhar nos labirintos feitos de celas, cozinhas, escadas e salas de estar que compõem esse cenário religioso é, a um tempo, passear pelos séculos que testemunharam a fundação e desenvolvimento de Arequipa.
 

Andei, apurei o olhar, observei e também provei muitas "tajas" quando passava pelas ruas de Arequipa. "Tajas" é um chocolate parecido com o que no Brasil chamamos de trufa. Ao voltar de um desses passeios, esbarrei num centro cultural dedicado ao arequipenho que deixou o Peru para ganhar o mundo físico e o mundo pessoal, íntimo, transpessoal, que constitui cada um de seus leitores: Mario Vargas Llosa. Ali, há uma pequena exposição de diferentes títulos publicados nas mais diferentes línguas, uma biblioteca onde jovens liam em absoluto silêncio, uma sala reservada à exposição fotográfica e outras dependências onde cursos são ministrados. Enfim, um espaço digno do nome Vargas Llosa.


No último dia em Arequipa, saudade era um sentimento antecipado pela estreita relação afetiva que estabeleci com a cidade que é observada por um velho vulcão que destruiu e ofereceu as pedras que ajudaram a reconstruir a cidade. Construída com pedras vulcânicas, Arequipa exibe, sem vergonha ou falsa modéstia, a brancura de seus muros que chegam a causar vertigem nos olhos ainda não acostumados a uma beleza sem cores.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Nasca

Descemos em Nasca no dia 08 de janeiro e a impressão que tive foi de  uma Nasca pacata, sem grandes atrativos e cujo desenvovimento havia parado num passado que não conseguiu recuperar, amarrar as pontas e dar continuidade. Hospedado, saí para conhecer melhor aquela pequena cidade do interior do Peru. Caminho a passos lentos, entro e saio de ruas, esbarro em praças e a impressão não muda. Nasca é mesmo uma cidade com pouquíssimos habitantes  que têm numa pequena praça que fica lotada no fim da tarde seu único lazer e ponte para interações que lembram as pequenas cidades do interior de Pernambuco. No chão da praça, figuras de animais remetem às linhas de Nasca e divertem as crianças que não passam despercebidas sobre aqueles desenhos quem povoam seu imaginário. Fotografo e filmo a praça. Busco captar, por meio de fotografias e uma pequena filmagem, as tradições, hábitos, crenças e sonhos de um povo que aprendeu a (sobre)viver à escassez que o deserto impõe.

À noite, fui ao hotel Nasca Lines onde pude ver Júpiter e suas luas. Agora a estada na cidade ganhou um véu de poesia. Até então não havia mirado o céu em um planetário nem recebido aula sobre as diferentes constelações e seus significados profundos. A partir de então, sedimentou-se a certeza de que há uma estreita relação entre o céu e a terra, de tal maneira que nossos desejos mais amplos, sejam bons ou maus, refletem no todo. O contrário também é verdadeiro. Depois dessa aula ao ar livre e rodeada de estrelas, ingressei numa sala onde me foram apresentadas as linhas de Nasca, seguidas de uma explicação ou, melhor seria dizer, das explicações que tentam lançar luz sobre um mistério que grassa o tempo e ainda hoje produz teses as mais diversas sobre o assunto. Essas linhas formam um conjunto de figuras de animais, plantas etc e geométricas que foram feitas pela civilização de Nasca entre os anos 400 e 650 d.C no deserto de Nasca. Foi fundamental conhecer mais sobre as linhas antes de partir em passeio no dia seguinte para ver isso de um mirador. Edgardo, nosso host e guia em Nasca, apresentou um panorama a um tempo, curioso, encantador e científico daquilo que hoje é patrimônio da humanidade e foi objeto de estudos durante 40 anos da arqueóloga alemã Maria Reiche. Impressionou conhecer sua dedicação durante tantos anos de vida a fim de desvendar os mistérios riscados pelas linhas num deserto onde as condições são tão precárias. Após a apresentação, visitamos o quarto onde viveu durante o tempo que passou em Nasca a investigar essas linhas. Hoje li no jornal que um filme sobre sua vida e trabalho investigativo começará a ser rodado este ano.

Cheguei ao deserto de Nasca. É difícil descrever a sensação de estar ali e ver as linhas que podem ter servido a tantos objetivos possíveis, como representar a posição dos astros, marcar a posição dos participantes de rituais religiosos ou, ainda, estabelecer uma relação com o rio, fonte de vida, que garantiria a sobrevivência dos antigos povos do deserto. Meu olhar alcançou apenas duas figuras, porque não fiz o passeio de avião que permite ver todas as linhas e figuras. Não foi necessário ver todas para entender que a humanidade significa sua vida por meio de símbolos que carregam seus sonhos, crenças, desejos e perspectivas. Além disso, chama-me particular atenção que tenha escolhido uma forma de arte para produzir significados e, assim, perpertuar suas tradições e cosmovisão.
As linhas de Nasca abrem o livro da história dos homens em sua tentativa de entender a si mesmos, à sua comunidade e organização social e o mundo no qual se encontram como parte de Algo Maior que os inclui e do qual se sentem pertencentes.
Por fim, quero deixar um agradecimento especial a Edgardo que gentilmente nos cedeu o espaço de uma vida que, como as linhas de Nasca, constitui um mistério a ser desvendado porque capaz de atitudes demasiadamente humanas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Balneário de Huacachina em Ica

Chegamos em Ica e fomos logo conduzidos ao Balneário de Huacachina, onde se concentram os hotéis, hostels, bares, restaurantes e as dunas que tocam o céu. Após o almoço, começamos a fazer uma trilha pelas dunas que esgotam qualquer ciclista, hauterofilista, escalador etc rapidinho. O balneário é formado por dunas imensas e uma lagoa cercada de coqueiros. E isso nao foi miragem...
Mas porque esse nome, Huacachina? Conta a lenda que uma jovem (china refere-se à mulher) se banhava com um pequeno balde de água quando foi surpreendida e perseguida por um caçador e, durante a fuga, perdeu o manto que deu origem às dunas. O pequeno balde, deixado para trás, deu origem à lagoa. Assim, Huaca(lugar sagrado)china(mulher) nasceu do sofrimento feminino. Uma narrativa pequena que explica a origem de uma beleza grandiosa.
No dia seguinte, acordamos cedo porque tínhamos agendado um passeio em Islas Ballestas (Paracas). Nessa ilha, o turista pode ver - e encantar -se - com a variedade de vida animal que ocupa suas rochas ao longo da reserva. É espetacular!!!! Imediatamente nos sentimos em conexao com o Todo e nos tornamos sensíveis à Energia Originária. Tudo parece em perfeita harmonia e pelicanos, garsas, pinguins e leoes-marinhos dividem os espaços sem conflitos aparentes. De volta a Paracas, permanecemos no povoado por uns 30 minutos e pudemos fotografar  e conhecer seu artesanato local que tem como tema a beleza da reserva natural e o legado cultural deixado pelos povos Inca e Nasca. Às 10h30, já nos encontrávamos em Huacachina para descansarmos e preparar as pernas para a próxima visita: as bodegas.
Às duas, já estávamos prontos para nosso próximo passeio: as bodegas industrias e artesanais de vinho e pisco. Antes da saída, encontrava-me inquieto porque queria entender como poderiam existir parrerais (vinhedos) em regiao desértica. Aqui utiliza-se uva para produzir vinho e pisco. Este, um destilado similar à cachaça brasileira. Abre parêntese ESTOU LEVANDO UMA GARRAFA PARA DEGUSTAR COM OS AMIGOS Fecha parêntese. :) Começamos pela bodega artesanal que tem um processo de produçao mais rústico, uma vez que nao se usa prensa para esmagar a uva, mas os pés. Depois, o vinho ou pisco é armazenado em botijas de barro onde permanece por até três anos. Diferentemente, a bodega industrial tem um processo de produçao mais sofisticado em que máquinas sao usadas para prensar e destilar. Em ambas, utiliza-se botijas ou barris para guardar. Do pisco Puro ao pisco Mosto Verde, há uma variedade que recebe nomes distintos. Provamos todos. rs Uma vez que as condiçoes de plantio de uva nao sao ideais para a produçao de vinho, o Peru ainda nao ganhou destaque internacional. No Brasil, encontro comumente chileno, argentino e agora uruguaio, mas nunca encontrei peruano. Se os peruanos nao sao bons produtores de vinho, compensam na culinária que é de "lamber os beiçu". 
 Confesso que deixei o oásis carregando uma saudade que só o deserto permite experienciar. É a saudade da areia quente que nos consome os pés sem nos ferir porque nos conecta à nossa Experiência Primeira e àquele Grau Zero da existência. É isso.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ica, um oásis

Finalmente chegamos a Ica, um oásis de rara beleza. Neste exato momento, encontro-me no restaurante do hostel onde estou hospedado e, ao lado do restaurante, dunas homéricas de areia turvam o olhar. Não vejo a hora de começar a explorar esse pedacinho do Peru que guarda tantas surpresas naturais.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Lima

Ontem voltamos ao centro de Lima que é um espetáculo a céu aberto de arquitetura, arte e diversidade cultural. Além dos prédios históricos que saltam aos olhos, impressionou-me a limpeza do centro e a organizaçao de suas ruas e lojas. Raramente se vê um ambulante interditando as calçadas ou empurrando produtos nos pedestres que passam. Aproveitei essa segunda passagem pelo centro para visitar o Museu de Arte Contemporânea (Mali) onde visitei três salas: Contemporâneo, Martin Creed e Gerard Richter. Por se tratar de arte contemporânea, um olhar apressado nao é suficiente para entender minimamente a obra. Saindo do Mali, ingressei no Museu italiano que conserva a memória da presença italiana em Lima.

Ao fim da tarde, encontramos Valeria no bairro de Miraflores que se caracteriza de modernidade com seus edifícios espelhados, cassinos, bares, cafés e uma orla requintada. Embora nao seja uma regiao que me interessa explorar, fiquei impressionado com o desenvolvimento e modernidade de uma cidade que imaginava atrasada e sem grandes atrativos. Em Miraflores, o que me mais me chamou atençao foi o sítio arqueológico chamado Huaca Pucllana que conserva uma área antes habitada pelos povos Limas que sao anteriores aos Incas. A pirâmide que conhecemos, orientados por uma guia, era usada em rituais religiosos e procedimentos administrativos referentes à vida daquele povo. Magnífico!!! Aula de história melhor nao há.
À noite, fomos ao meeting do CouchSurfing e conhecemos viajantes que, como nós, passam dias em Lima, além dos membros locais que nos receberam com muita simpatia. Amanha seguimos a Ica.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Lima (Peru)

Expectativa era o que me acompanhava durante a madrugada do dia 03. Cheguei no aeroporto à 1h15 e Júnior já havia chegado e estava com a cara mais inchada que a minha. Despachamos as bagagens e nos dirigimos ao portao de embarque. A viagem foi tranquila e o trecho Sao Paulo - Lima foi realizado numa aeronave pronta para compensar a noite sem dormir. Aproveitei as regalias e ouvi o novo CD da Adriana Calcanhoto e revi Meia-noite em Paris do Wood Allen. Em Lima, temperatura amena e uma vontade enorme de começar a expediçao pela cidade. Encontramos Valeria que nos acompanhou em nosso primeiro passeio pelo centro histórico da cidade.
Fora o trânsito caótico que pertuba a calmaria de uma capital que mais parece um interior com praia, shopping, aeroporto e Mc Donald, Lima se veste de belezas e tipos inusitados que só uma cidade andina e com um passado histórico que tem em seu registro culturas milenares poderia oferecer. Saquei a câmera e comecei a fazer muitas fotos numa atitude recorrente de deslumbramento diante daquela noiva que aos poucos se despia como numa noite de núpcias a fim de ser desvirginada. Os peruanos, a princípio, parecem ariscos e desconfiados, mas quando nos aproximamos deles e ganhamos sua confiança, nao demora a abrir um sorriso largo e metralhar com uma série de perguntas sobre o Brasil. Se você responde com simpatia, pode até receber um elogio como o que ouvi: "seu espanhol é muito bom." Nem é difícil imaginar como inflei nesse momento. (rs)
Com outra bagagem da língua espanhola, agora consigo me comunicar melhor, estabelecer uma comunicaçao razoável e, até o momento, parece que os "micos" ficaram no passado, ou seja, lá em 2012 quando pela primeira estive num país de língua espanhola. Por fim, as expectativas por aqui nao podiam ser melhores e amanha exploro esse novo caminho da América do Sul que carinhosamente é chamado de Lima.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Caminhos da América do Sul

Viajar, num sentido amplo, talvez seja a condição básica, primeira, do ser humano. Há uma larga tradição transcultural que mostra a existência humana como uma saga. Estamos sempre deitando raízes e realizando movimentos, de maneira que enraizar e desenraizar constitui nossa base existencial. É com esse entendimento que dia 03.01 me lanço em mais uma aventura pela América do Sul. Adelante!!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

...e a viagem não acabou.

Ainda lembro as palavras de Mauricio Avallos: "aqui na Argentina, quando alguém quer se mostrar inteligente, culto, diz que leu Jorge Luis Borges". Expressão maior das letras argentinas, Jorge Luis Borges deixou atrás de si uma obra extensa que inclui poemas, contos e ensaios. Borges teve seu talento reconhecido por meio de prêmios que recebeu ao longo da vida por governos estrangeiros, como o Cervantes em 1979. Conhecendo a vida e o percurso literário de Borges, entende-se o fato de pessoas lançarem mão de sua obra, a fim de fazerem um marketing pessoal. Borges é, de certo modo, lendário, de maneira que acessar essa lenda e apropriar-se de suas palavras é sinal de distinção seja em que nível for. Os leitores de Borges têm que se orgulhar mesmo! Quando se pensa numa viagem, pensa-se imediatamente em descanso, passeios e na possibilidade de desligar de tudo aquilo que ocupou sua mente e seus dias até então. Além desses elementos que, em proporções diferentes, estão presentes em qualquer viagem, busquei estabelecer um vínculo com a cultura dos países por onde passei e, foi com esse projeto em mente, que vasculhei produtos culturais que fossem capazes de me fazer entrever a alma desses países e a visão de mundo dos seus habitantes. Desse modo, em Buenos Aires, trouxe dois grandes da literatura em língua espanhola: Jorge Luis Borges - que já comentei acima - e Julio Cortázar. Mas não fiquei apenas na literatura e passei a minha segunda paixão: a música. Abaixo faço uma pequena relação dos diamantes que guardei ciosamente como quem tenta guardar água no deserto sem dispor de um recipiente. Da literatura: Jorge Luis Borges. El libro de arena. 1ª ed. Buenos Aires: Debosillo, 2011. Julio Cortázar. Todos los fuegos el fuego. 1ª ed. Buenos Aires: Aguilar. Da música: Soda Stereo (Gira): Me Veras Volver. Los Fabulosos Cadillacs: Vasos Vacios Encuentros de Grandes: Rock Argentino. Southamerican big sessions. Tapeku´A: Água A caça aos produtos acima descritos permitiu que entrasse em contato com pessoas e pudesse aprender mais sobre o espanhol falado. A leitura das letras das músicas, bem como da apresentação dos autores na quarta capa dos livros, possibilitou o entendimento do funcionamento do espanhol escrito. Imergir nesse mundo feito de palavras e sons, permitiu um entendimento acerca dos sonhos que argentinos alimentam, dos arquétipos que reproduzem e das lutas nas quais cotidianamente se engajam. É isso.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Crônicas de um viajante em Rosario

Postagem rápida. Estou em Rosario, após cinco horas de estrada. Sinto-me nostálgico de Buenos Aires e encantado com Rosario. Fui recebido por um casal muito simpático que me levou ao centro da cidade e compartilhou conhecimentos em espanhol. Vou ficando por aqui... Salud!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Crônicas de um viajante

Sao 22h23 e em Buenos Aires é como se a noite estivesse apenas começando. O dia aqui é mais longo e, às 19h, o sol ainda brilhava e iluminava a cidade com seus raios que pareciam nao querer se despedir. Estou em Buenos Aires há pouco tempo, mas já me sinto um tanto familiar, embora o cansaço de uma viagem que durou mais de doze horas insista em negligenciar essa impressao. Saí de Recife às 5h10, fiz uma escala em Brasìlia às 8h e desembarquei em Sao Paulo às 11h30. Depois disso, fui submetido a uma espera no aeroporto de Guarulhos que se estendeu por mais de quatro horas. Foi nesse momento que percebi que minha resistência física e mental estavam sendo colocadas à prova. A fim de ludibriar a ansiedade e nao sentir o peso do tempo que se estendia indefinidamente, ouvi música, visitei lojas nas quais jamais compraria um alfinete sequer (que assalto nesses aeroportos!!!). Mas fiquei por ali, admirando o inacessível. Quando a aeronave da Aerolineas Argentinas aterrissou, um novo ar de esperança inflou-me o peito. Durante o terceiro voo do dia (nem o saco do mochileiro mais convicto suporta tanto sobe e desce), conheci um argentino radicado no Estado de Sao Paulo que me deu ótimas dicas sobre a cidade de Cordoba. Enfim, terra firme e novos desafios. Li no Guia do Viajante Independente pela América do Sul que havia um ônibus (autobus aqui) que custava $25 pesos e deixava o passageiro onde quisesse. Encontrei a empresa de ônibus, mas nao a oferta. Por falta de dinheiro trocado (os ônibus daqui, ou autobus, como queira, só aceitam moedas)e da informaçao dada no livro, tive que desembolsar $80 para pagar um táxi e chegar no Hostel Buenos Aires. É um lugar amigável, humano, jovial. Já ouvi muitos sotaques e línguas por aqui. Além disso, as pessoas parecem estar dispostas a se conhecerem e fazer novas amizades. Isso é uma tábua de salvaçao para quem está longe de casa, há milhas e milhas do seu Recife. Aproveitei para comer alguma coisa fora, porque achei caro o prato oferecido pelo Hostel. Encontrei um lugar simples, mas com boa comida a três quadras daqui. Esse pequeno percurso foi suficiente para sentir que a cidade é uma promessa. Fico por aqui. P.S.: Algumas palavras estao sem til (e meu texto todo sublinhado de vermelho), porque esse teclado castelhano só traz til sobre o Ñ (e sò!!).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Uma viagem, uma porta, inúmeras possibilidades

Viajar é sempre um ato carregado de simbolismos. Há na literatura e no cinema um número amplo de enredos que envolvem ou estão assentados no tema da viagem. Em A volta ao mundo em 80 dias de Júlio Verne, a viagem é a protagonista da narrativa que se desenvolve sob a tônica da partida. Outro exemplo que nos vem da literatura é o livro On the road do americano Jack Kerouac. Esse livro nos põe em contato com a libertação que o protagonista Sal vivencia à medida que avança em sua viagem. Do cinema, temos o filme Chegadas e partidas do Lasse Hallstrom que traz para a tela o processo doloroso de autoconhecimento do protagonista que encontra na viagem física, mas também espiritual/interior, o ponto de encontro entre aquela parte de si que está perdida e aquela outra que deseja desesperadamente o encontro consigo mesmo e o equilíbrio. Em todos esses produtos de arte, encontramos a viagem sendo lida e interpretada em diferentes chaves: a viagem é, por um lado, aquilo que te põe em movimento e faz com que se desligue de um mundo pré-existente e rume em direção a novos mundos (há tantos mundos quantos são as pessoas que encontramos e situações vivenciadas). Quando viajamos, não mergulhamos apenas em nosso mundo, mas desbravamos o mundo alheio num total desejo de encontrarmos ali um lugar onde possamos ser nós mesmos e nos conhecermos. Ao final de Paisagem na neblina do grego Theo Angelopoulos, reencontramos aquelas crianças amadurecidas e prontas para enfrentar os novos perigos que estão por vir. O que permitiu essa maturação, senão a viagem? É durante uma viagem de volta para casa que o transexual Bree, primorosamente interpretado pela atriz Felicity Huffman, redescobre no filho delinquente e problemático a sua vocação para o cuidado. Desse modo, viajar significa bem mais que o deslocamento físico ou a ação consequente de tirar fotos e conhecer novos lugares. Viajar assume para o viajante uma dimensão muito mais fina e profunda que o coloca diante de inúmeras portas que representam diferentes oportunidades propiciadoras de vivências que nos enriquecem sob diversos aspectos. Nisso reside o simbolismo da viagem: fazer vislumbrar portas que se abrem de par em par e nos apresentam possibilidades que nos convidam ao encontro com o diferente, mesmo quando esse diferente é aquela parte de nós que ainda não percorrermos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rio de Janeiro, estou morrendo de saudade


Voltei do Rio há quase uma semana e tenho rememorado os lugares pelos quais passei, as pessoas que tive a oportunidade de encontrar e reencontrar e as belezas naturais que a Cidade Maravilhosa faz desfilar em cada canto e recanto dos seus espaços. Enquanto escrevo este texto, escuto Ball and Chain na voz de Janis Joplin. Seria mera coincidência? Lembro apenas que Joplin sugou a vida que a cidade pulsa, lateja, transpira. É isso mesmo. O Rio é feito de movimentos humanos que não deixam o sangue parar de correr.
Se você quer sentir o pulso da cidade latejar não pode deixar de conhecer a famosa praia de Copacabana (onde Janis Joplin fez topless durante o verão de 70). Cheguei no domingo pela manhã e fui correndo conhecer a famosa praia que serviu de cenário a inúmeras novelas da Globo. O dia estava nublado e parecia ter chovido pela manhã, mas isso não afastou milhares de pessoas que passavam por ali para fazer caminhada, passear com o cachorro, vender bugigangas ou simplesmente ficar fascinado com a beleza de um trecho de orla marítima que inspirou grandes compositores brasileiros. Cheio de empolgação e de câmera à mão, percorri Copacabana, visitei o Forte de Copacabana, o Arpoador e um pequeno trecho da praia de Ipanema. Outro lugar onde o pulso ainda pulsa é a Lapa (bairro boêmio da cidade). Ali pude encontrar multidões que circulavam pelas ruas que abrigam bares, hoteis e boates. Sob o tom dado pelos arcos, as tribos encontram-se e a festa acontece: artistas de rua, grupos de samba, efervescência cultural.
Nas horas de folga do Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada na UFRJ, aproveitei para conhecer o centro da cidade que reúne o que há de melhor em igrejas históricas, museus, bibliotecas e centros culturais. Ainda lembro da visita à Biblioteca Nacional e de como fiquei deslumbrado diante de mais de três milhões de livros. Saindo da Biblioteca, conheci poetas e contistas independentes que vendiam seus folhetos e lembrei da condição do artista no Brasil.
Em visita ao Pão de Açucar e Corcovado, quase esquecia das contradições que a cidade abriga, dos poetas famintos, das loucuras da Janis Joplin no verão de 70; de lá de cima, sob os braços abertos do Cristo Redentor ou do alto dos bondinhos do Pão de Açucar, tudo parece harmônico na igual medida da beleza que salta aos olhos.
Então chega o domingo, e às
(...)sete horas da manhã
Vejo o Cristo da janela
O sol já apagou a luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas de pontos de ônibus
Procurando aonde ir.*

É hora de voltar, embora morrendo de saudade.



*Trecho extraído da música Um trem para as estrelas de Cazuza e Gilberto Gil.

domingo, 26 de junho de 2011

Mochilando pela América do Sul


Viajar é um hábito que adquiri desde que me entendo por gente. Sou fascinado em explorar lugares, conhecer pessoas e compartilhar culturas. Esse é o móbil das minhas viagens. Na semana passada, comprei o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Asnis e Os Viajantes, pois estou montando um roteiro de viagem pela América do Sul. Até o momento, tenho dois roteiros interessantes: o primeiro contempla Bolívia-Peru e o segundo Bolívia-Chile-Peru. Disponho apenas de 25 dias do mês de janeiro de 2012 para realizar essa viagem e preciso pesquisar bem os roteiros a fim de escolher o roteiro mais acessível em termos materiais. Além de pesquisar e economizar, aprender a língua é outro empreendimento que tenho pela frente. Não sei nada de espanhol; nem mesmo uma noção razoável que permita uma comunicação satisfatória. Planejar uma viagem arranca-nos da rotina, enriquece nosso conhecimento sobre o mundo e nos lança em direção a um futuro cheio de possibilidades; além de causar aquele frisson. Força sempre!