Em La Paz fiz muitos amigos e me encantou a diversidade cultural e humana da cidade. Os amigos, em sua maioria brasileiros, ainda mantêm contato e, volta e meia, estamos compartilhando as impressões e informações sobre viagens. Além dos brasileiros, ficou a amizade dos estrangeiros, Hans e Yoshi Gato. O primeiro, alemão que vive no interior da Alemanha, fez contato há pouco pelo Facebook. Quer saber como estou e se me encontro envolvido nos protestos que explodiram nos últimos dias. Hans não conhecia o espanhol, mas precisava dele num país que não tem inglês como segunda língua. Como eu sabia um pouco mais da língua espanhola, procurei manter o diálogo em espanhol para que ele pudesse aprender expressões locais e cotidianas e, assim, interagir melhor com os bolivianos. Quando o espanhol faltava a ambos, tentávamos uma comunicação em inglês de maneira que fomos nos entendendo na língua que permitia o acesso ao outro, seu mundo e história de vida. Já o segundo, Yoshi, é um boliviano cujo pai mora no Brasil (Acre) e, em várias ocasiões, demonstrou vontade em vir ao Brasil para estudar e progredir no conhecimento da língua portuguesa. Apesar dos vínculos, chegou a hora de pôr o mochilão nas costas e seguir viagem. No dia que saí de La Paz veio-me a impressão - que era quase uma certeza - de que os laços com aquela cidade feita de cores, rostos, música, arquitetura e geografia bastante peculiares não desatariam seus nós de maneira que uma ligação espiritual e que tem seus alicerces na memória me mantém afetivamente envolvido com a cidade.
A próxima cidade a me abrir as portas que dão acesso ao acervo cultural que acumulou durante séculos foi Potosí. Segui de ônibus de La Paz a Potosí e passei cerca de 12 horas num ônibus nem um pouco confortável. Além disso, viajei com a inquietante impressão de que minha babagem havia sido despachada no ônibus que saiu 1 hora antes. Em suma, o trajeto não foi agradável, pois além da confusão com a bagagem, tive problemas com a marcação da passagem e quase não viajo neste dia porque meu nome não constava na listagem do ônibus que sairia às 20h30. Após uma pequena "dor de cabeça", colocaram-me na última poltrona próximo ao banheiro. Agitado pela impressão da perda da bagagem e sobressaltos com a passagem, não deu outra: insônia.
O desembarque aconteceu por volta das 6h30 e imediatemente exigi a devolução da minha mochila que se encontra intacta no bagageiro do ônibus. Ufa! Que alívio!
Solicitei um táxi que me custou Bs 5 (uma bagatela!) e pedi que me deixasse num hostal localizado no centro histórico. De saída, afirmo que hostal em Potosí é caro de maneira que vale a pena "bater perna" em busca de uma hospedagem que não custe os "olhos da cara" e ofereça um bom serviço. La Casona, situado no centro histórico e próximo à praça mais badalada da cidade, tem essas características. O hostal funciona numa casa colonial que data do século XVIII e, súbito, entramos na atmosfera da cidade de Potosí, considerada a mais alta do mundo. Isso por que a cidade se encontra 4.090m do nível do mar.
Localizada em terreno acidentado, Potosí nasceu com a descoberta de prata na região. Já foi, outrora, uma das maiores cidades do país e suas ruas, igrejas e casas coloniais presenciaram os anos de domínio espanhol. Em 1987, a cidade foi considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Além da tranquilidade de uma cidade provinciana e pacata, Potosí oferece museus, ingrejas coloniais, restaurantes típicos, baixas temperaturas e sobrados antiquíssimos aos visitantes que primam por aliar cultura, história e descanso. A arquitetura da cidade é belíssima e as ruas estreitas que se deitam sobre as montanhas oferecem um rico cenário àqueles que cultivam a arte da fotografia. O dia do meu desenbarque na cidade coincidiu com um feriado e não pude visitar os museus, empreitada que deixei para o dia seguinte no esprimido tempo que dispunha pois deixaria a cidade às 14h com destino ao Salar de Uyuni. Apesar dessas condições, foi possível conhecer o museu mais requisitado da cidade: a Casa da Moeda (Museo Casa de la Moneda). Nesse museu, as visitas são em grupo e acompanhadas por um guia e podem ser feitas em inglês, francês e espanhol.A visita dura 2 horas aproximadamente e custa Bs. 35. Toda a história da extração, tratamento e circulação da prata como meio de compra e venda é contada nesta casa. Além disso, o mochileiro encontrará pinturas e peças de época e produzidas por cidadãos potosinos. Neste site, o leitor poderá fazer uma visita virtual à casa e obter mais informações: http://www.casanacionaldemoneda.org.bo/
À tarde, como planejado, sigo em direção ao Salar de Uyuni onde passei dois dias. Após 5 horas de viagem, chego num povoado que dava a impressão de um lugar perdido no meio do nada, ou melhor, do deserto, um deserto de sal. Devido a forte demanda turística que acorre à Uyuni para conhecer o deserto de sal com seus lagos de cores intensas, a cidade disponibiliza uma rede de hoteis, hostal e pousadas que dão à cidade um movimento que certamente não teria se esses serviços não estivessem ali. Com pouco mais de 1km de raio, Uyuni agrega habitantes locais, áreas de lazer, restaurantes, rede hoteleira, agências de viagem, feira de artesanato, produtos industrializados e muitos, muitos turistas. Uma vez que as agências se aglomeram numa única rua da cidade, fiz uma cotação de preço e optei pelo passeio de um dia, pois o tempo era escasso. Nesse passeio, paguei Bs 120,00 (outra bagatela) e conheci apenas parte do Salar. Embora sem a beleza dos lagos e suas águas, aquilo que vi não me deixou decepcionado. Só não foi melhor porque vinha chovendo muito naquela região e o deserto encontrava-se alagado. Perdida parte da magia, fiquei com a beleza dos produtos, montanhas e hoteis feitos de sal e o tapete de sal que perdemos de vista num deserto cujas "areias" são branquinhas e o cenário lembra as geadas ou o pico de uma montanha após uma nevasca.
De Uyuni, além das paisagens de arrancar o fôlego, trouxe Toda Mafalda do argentino Quino e Pedagogia do Oprimido traduzido para o espanhol do pernambucano Paulo Freire. Os dois livros foram vendidos por mais uma bagatela: Bs 90. Mas não só isso... Amizades também surgiram nesses trajetos e, tanto em Potosí como em Uyuni conheci pessoas que me encantaram. Eram elas francesas, argentinas, suíças e bolivianas. De volta a Potosí, rumei à Sucre, cidade capital da Bolívia.
Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio e agüentá-lo. Ficarei quieto, esperando, como a noite em sua vigília estrelada com a cabeça pacientemente inclinada. A manhã certamente virá; a escuridão se dissipará, e a tua voz se derramará em torrentes douradas por todo o céu. Então as tuas palavras voarão em canções de cada ninho dos meus pássaros, e as tuas melodias brotarão em flores por todos os recantos da minha floresta. (Rabindranath Tagore)
Total de visualizações de página
quarta-feira, 3 de julho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
VIVÊNCIA DE UM DRAMA (PARTE I)
A VIVÊNCIA DE UM DRAMA (PARTE I)
Em dezembro de 2012, dei entrada na Secretaria de Educação do Estado de
PE no processo de progressão funcional, pois em nosso estado a
apresentação de títulos para gratificação só pode acontecer após o
estágio probatório que dura três anos. Aguardei pacientemente esses três
anos e dei entrada um mês antes de concluir o probatório. O documento
foi devolvido sob alegação de não ter concluído o referido estágio e
avaliações individual e da gestão em aberto. Entendi e logo passei a
providenciar a documentação. As avaliações foram feitas e, quando da
segunda entrada, já havia concluído o probatório. Pronto! Agora era só
esperar pelo pagamento da mixaria que se paga em nosso estado por um
título de mestre. Após dois meses sem resposta e sem dinheiro a mais no
contracheque, entrei em contato com a UVAP da Secretaria que deu a
entender que a documentação havia sido perdida na GRE-Sul e sugeriu que
desse entrada num novo processo. Lá vou eu novamente pegar dois ônibus e
passar 1h30 para chegar ao destino a fim de fazer o que já havia feito
com paciência e esperança. No mês passado, recebi novamente a
documentação com as mesmas solicitações anteriores (avaliações do
probatório). Quase levanto da cadeira infartado. Respirei fundo e deixei
o infarto para depois, pois preciso pagar aluguel, alimentação,
cartões, luz, lazer e agora psicólogo, psiquiatra..ufa!, enfim,
qualquer mixaria a mais no salário minguado faz muita diferença. Recolhi
novamente toda a documentação e hoje voltei à Secretaria de Educação.
Chegando lá, a atendente disse que a documentação deveria ser deixada na
GRE-Sul. Eu? Indignado, repliquei:
- Mas ontem liguei e disseram que EU deveria deixar aqui.
- O documento está preso na GRE e você deve proceder bla bla bla...
Lá vou eu. Sentia-me traído, enganado, humilhado, mendigando um direito
pelo tempo de ESTUDO para contribuir melhor com a EDUCAÇÃO do meu PAÍS.
Pego novo ônibus e desço na GRE-Sul. Na entrada, o policial adverte:
-Hoje o expediente é interno.
Quase supliquei, pois não iria tomar muito tempo dos deuses da
educação. Queria apenas entregar um documento e ser respeitado,
valorizado. Só isso.
Chego ao protocolo e sou grosseiramente atendido (mas isso vai ficar para a parte II dessa saga):
- Não estamos recebendo documentos hoje porque o expediente é interno.
Expliquei-me.
- Não é você que deve apresentar os documentos, mas a escola.
Esgotado, nervos latejando, esperanças suprimidas, visão turva, quase
um cão sem eira nem beira, tentei refazer toda a trajetória, convencê-la
que o erro não partiu de mim que estudei, queimei pestanas, esgotei os
neurônios para ocupar o lugar profissional que ocupo, mas da GRE que
perdeu a documentação. Não houve acordo.
Saí com muitos @$#&*
na cabeça e alguns nos lábios. Era meu momento de protesto e
extravasamento. Além disso, saí com uma meta firme: sair da esfera
estadual. Agora também penso nas medidas legais a serem tomadas para
reaver o que perdi até o momento, melhor, o que me foi roubado até o
momento. E fica a certeza de que PROFESSOR NÃO É RESPEITADO E VALORIZADO
NO ESTADO DE PERNAMBUCO. É isso.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Crônicas de um mochileiro em Copacabana (Bolívia)
Deixei Puno no Peru e segui em busca de novas experiências do outro lado da fronteira, onde se encontra a Bolívia. Enquanto caminhava sob o peso das bagagens e o sol que resolveu aparecer nesse dia, as vozes indígenas que me saudaram em aymara e quéchua na Isla de los Uros perseguiam meus ouvidos e convidavam a desbravar o próximo país. Na alfândega, descansei as costas e aguardei que a polícia autorizasse minha entrada. Tudo transcorreu na tranquilidade que esperava e segui ansioso por chegar em Copacabana, meu primeiro destino.
Copacabana é uma cidade pequena que se encontra no entorno do majestoso lago Titicaca. A cidade serve de apoio a turistas que ingressam na Bolívia pelo Peru e desejam ver o Titicaca do lado boliviano. Próximo dali, cercado pelas águas do Titicaca, temos as Ilhas do Sol e da Lua que agregam beleza à região e acenam exigindo do turista uma visita.
Exaurido pela longa e desgastante viagem que levou seis horas e rendeu uma aventura da qual ri bastante depois, apressei o passo a fim de encontrar um hostel que oferecesse o mínimo de conforto e um preço acessível. Hospedei-me num prédio histórico, cujos corredores e apartamentos denunciavam o status do hostel no passado, provavelmente o melhor hotel da cidade. Do quarto, era possível entreter o olhar com as águas tranquilas do Titicaca e as embarcações que não paravam de singrar aquelas águas.
Após um banho que parecia uma fonte no deserto, acumulei peças de roupa para aplacar o frio que chegava a 5º. Agora protegido contra as rajadas de vento e frio cortante, caminhei mantendo um olhar curioso sobre a rua que dá acesso ao lago. Ao longo da rua, restaurantes, lanchonetes, pubs e mercadinhos disputam a atenção e os pesos dos turistas. A orla do Titicaca não enche os olhos, mas a imensidade do lago deixa-nos submersos nos encantos daquelas águas. Retomei a consciência quando lembrei que precisava garantir a compra do passeio à Ilha do Sol e foi o que fiz em seguida.
Acordei. O corpo se enroscava nas mantas grossas e lençóis sobrepostos e insistia em não deixar aquele lugar que o fizera descansar e aquecer. Mas o horário, a passagem paga e o desejo derrotaram esse corpo renitente e pus-me a correr entre chuva, vento e frio quando cheguei às embarcações. Estava atrasado e meu barco já havia saído. Fui imediatamente acomodado em outro e segui em direção à ilha. Aos poucos, a cidade foi deixada para trás e a cortina de neblina abria-se e colocava em cena uma outra paisagem: a Ilha do Sol.
Terra à vista. Dessa vez, não fui recepcionado com cantos, mas as belezas naturais de uma ilha - que parece conservar uma virgindade perdida - deram as boas-vindas. No lugar do desembarque, portão de acesso à ilha, um comércio inexpressivo aguarda a leva de consumidores que pechicham mesmo sem disporem de muitas opções. Vale lembrar que o turismo é intenso nesses roteiros e o turista é sempre visto como possibilidade de um lucro que é garantido de maneira arbitrária.
Câmera em mãos, dei início ao registro fotográfico que se estendeu durante todo o dia. Nos lugares altos, sentava numa pedra, descansava um pouco e seguia registrando instantes de uma modelo que posa com graciosidade e elegância: a natureza.
Enquanto abria os tornozelos nas ladeiras por onde desfilavam indígenas, a fauna vigorosa, a flora exuberante e os turista vorazes, deixei que meu olhar recaísse sobre aquele paraíso cheio de anjos decaídos em busca de sintonia com o Todo e paz interior.
Antes de voltar à embarcação, conheci um viajante de Garanhuns, cidade dos meus pais, que estava há dias percorrendo a América do Sul sobre duas rodas. Ouvi atento suas histórias e pensei que minha loucura era sã diante dos relatos do meu conterrâneo.
De volta ao hostel, voltei a mirar o Titicaca através da larga janela e mergulhei nos pensamentos que eram turbilhão na cabeça de um viajante disposto a reencontrar na diversidade humana o elo que nos faz pertencer à mesma família chamada Humanidade. Absorto em pensamentos dessa natureza, esqueci que precisava comprar a passagem que me permitiria chegar ao próximo destino: La Paz. No dia seguinte, procurei uma agência e rumei estrada afora.
Copacabana é uma cidade pequena que se encontra no entorno do majestoso lago Titicaca. A cidade serve de apoio a turistas que ingressam na Bolívia pelo Peru e desejam ver o Titicaca do lado boliviano. Próximo dali, cercado pelas águas do Titicaca, temos as Ilhas do Sol e da Lua que agregam beleza à região e acenam exigindo do turista uma visita.
Exaurido pela longa e desgastante viagem que levou seis horas e rendeu uma aventura da qual ri bastante depois, apressei o passo a fim de encontrar um hostel que oferecesse o mínimo de conforto e um preço acessível. Hospedei-me num prédio histórico, cujos corredores e apartamentos denunciavam o status do hostel no passado, provavelmente o melhor hotel da cidade. Do quarto, era possível entreter o olhar com as águas tranquilas do Titicaca e as embarcações que não paravam de singrar aquelas águas.
Após um banho que parecia uma fonte no deserto, acumulei peças de roupa para aplacar o frio que chegava a 5º. Agora protegido contra as rajadas de vento e frio cortante, caminhei mantendo um olhar curioso sobre a rua que dá acesso ao lago. Ao longo da rua, restaurantes, lanchonetes, pubs e mercadinhos disputam a atenção e os pesos dos turistas. A orla do Titicaca não enche os olhos, mas a imensidade do lago deixa-nos submersos nos encantos daquelas águas. Retomei a consciência quando lembrei que precisava garantir a compra do passeio à Ilha do Sol e foi o que fiz em seguida.
Acordei. O corpo se enroscava nas mantas grossas e lençóis sobrepostos e insistia em não deixar aquele lugar que o fizera descansar e aquecer. Mas o horário, a passagem paga e o desejo derrotaram esse corpo renitente e pus-me a correr entre chuva, vento e frio quando cheguei às embarcações. Estava atrasado e meu barco já havia saído. Fui imediatamente acomodado em outro e segui em direção à ilha. Aos poucos, a cidade foi deixada para trás e a cortina de neblina abria-se e colocava em cena uma outra paisagem: a Ilha do Sol.
Terra à vista. Dessa vez, não fui recepcionado com cantos, mas as belezas naturais de uma ilha - que parece conservar uma virgindade perdida - deram as boas-vindas. No lugar do desembarque, portão de acesso à ilha, um comércio inexpressivo aguarda a leva de consumidores que pechicham mesmo sem disporem de muitas opções. Vale lembrar que o turismo é intenso nesses roteiros e o turista é sempre visto como possibilidade de um lucro que é garantido de maneira arbitrária.
Câmera em mãos, dei início ao registro fotográfico que se estendeu durante todo o dia. Nos lugares altos, sentava numa pedra, descansava um pouco e seguia registrando instantes de uma modelo que posa com graciosidade e elegância: a natureza.
Enquanto abria os tornozelos nas ladeiras por onde desfilavam indígenas, a fauna vigorosa, a flora exuberante e os turista vorazes, deixei que meu olhar recaísse sobre aquele paraíso cheio de anjos decaídos em busca de sintonia com o Todo e paz interior.
Antes de voltar à embarcação, conheci um viajante de Garanhuns, cidade dos meus pais, que estava há dias percorrendo a América do Sul sobre duas rodas. Ouvi atento suas histórias e pensei que minha loucura era sã diante dos relatos do meu conterrâneo.
De volta ao hostel, voltei a mirar o Titicaca através da larga janela e mergulhei nos pensamentos que eram turbilhão na cabeça de um viajante disposto a reencontrar na diversidade humana o elo que nos faz pertencer à mesma família chamada Humanidade. Absorto em pensamentos dessa natureza, esqueci que precisava comprar a passagem que me permitiria chegar ao próximo destino: La Paz. No dia seguinte, procurei uma agência e rumei estrada afora.
domingo, 10 de março de 2013
Sede de Viver de Vincente Minnelle
Sede de viver de Vincente Minnelle foi filmado em 1956 e é considerado uma das melhores cinebiografias sobre Van Gogh. O ator Kirk Douglas esbanja em interpretação que faz com que vibremos na mesma sintonia que movimentou os dias do pintor holandês. A música dá o tom exato que a vida conturbada de Van Gogh exprimiu. A cena na qual o pintor corta a orelha é de um brilhantismo ímpar. Por fim, uma comparação que pode até ser burra, mas que não posso deixar de fazê-la. Em Vincent Van Gogh: Vida e Obra, que foi filmado por Robert Altman, o pintor impressionista aparece muito mais selvagem e o realismo da sua angústia existencial é muito mais cru e nu. É isso.
domingo, 3 de março de 2013
Crônicas de um mochileiro em Cusco/Machu Pichu
As reminiscências são sempre mais vivas e intensas que a realidade e o vivido. Rememorar é buscar detalhes, selecionar experiências, refazer caminhos materiais e afetivos. Em suma, é recorrer às lembranças que descansam em nosso olhar. Assim, retomo essas lembranças e quebro a sequência dos fatos e do roteiro, uma vez que Cusco não foi a última cidade a ser visitada, mas Puno, sobre a qual já escrevi.
Cheguei em Cusco aproximadamente no dia 13 de janeiro e, de pronto, não me encantei com a Cidade Imperial dos Incas. Mas essa má impressão durou pouco. Após desambarcar na rodoviária, dirigi-me à praça principal onde um misto de deslumbre e curiosidade se apoderou de mim. Aos poucos, enquanto passava o olhar pelas belezas arquitetônicas daquele centro histórico, comecei a entender porque Cusco atrai tantos turistas e também compreendi o fato de ser uma parada obrigatória para o visitante que pretende esticar seu passeio até à cidade sagrada dos Incas: Machu Pichu. Nela (em Cusco), percorre a brisa da história que envolve suas ruas, esquinas e construções que datam do séc. XVI quando lá chegaram os dominadores espanhóis. Mas o nascimento dessa cidade que já serviu de base administrativa, religiosa e cultural ao Império Inca data do século XII. Até a chegada dos espanhóis, Cusco funcionava como a sede de um dos maiores impérios que a América Latina abrigou e, onde hoje vislumbram-se templos católicos, era possível ver os lugares sagrados do povo inca. No afã da expansão europeia, templos e índios foram pilhados e assassinados sem que pudessem provar sua importância no cenário cultural da humanidade.
Como já foi dito, Cusco é parada obrigatória para quem deseja chegar a Machu Pichu. Na cidade Imperial, fiquei hospedado no Flying Dog Hostal que já era conhecido uma vez que me hospedei em hostal da mesma rede na cidade de Arequipa. No mesmo dia, conversei com o representante de uma agência que mantém um convênio com o hostal e fechei o passeio a Machu Pichu com essa agência que cobrou 585,00 soles (tudo incluso). Isso equivale aproximadamente a R$ 585,00, uma vez que o câmbio entre as moedas é praticamente 1 para 1. Em Cusco, há muitas agências que oferecem passeios, mas nem todas são confiáveis. É muito importante obter o máximo de informação sobre a agência e junto à agência para que tenha certeza que não está fazendo um mau negócio. Os peruanos são agradáveis, receptivos e pacíficos, mas em matéria de negócios é bom ficar atento porque pode se deparar com um oportunista.
O percurso até Machu Pichu é razoavelmente longo, pois o trem não sai de Cusco, mas de uma cidade que fica a aproximadamente 1h30 da cidade imperial. O caminho é repleto de curvas e, ao logo do trajeto, é possível ver de relance a entrada de sítios arqueológicos que estão localizados nas proximidades da cidade histórica dos incas. Até à estação fomos de van e depois seguimos de trem. A viagem dura aproximadamente 2h e a paisagem é de tirar o fôlego. Na classe que viajei, não há muitos serviços e o conforto não chega aos excessos da primeira classe que é muito mais cara. Entretanto, a falta de serviços excelentes foram substituídos pelo bom papo que se desenvolveu ao longo da viagem com dois passageiros que se dispuseram a me dar uma aula sobre Machu Pichu.
Enfim, Águas Calientes ou Machu Pichu Pueblo. A bem da verdade, trata-se de um pequeno povoado onde se concentra um número considerável de hoteis, pousadas, hostals e casas de comércio bem como um centro voltado para a venda de artesanato produzido por artesãos locais e provenientes de Cusco. É o lugar ideal para quem deseja descansar antes de rumar à Cidade Perdida dos Incas. Os dois rios que passam pelo povoado e as montanhas que os cercam se encarregam de criar o clima perfeito de sossego e paz. Dormi em Águas Calientes e, no dia seguinte, por volta das 5h, tomei a van que me levaria ao desejado templo sagrado dos Incas.
Após 20 minutos de belezas naturais, chegamos a um dos lugares mais fascinantes da nossa Casa Comum, a Terra. O movimento é intenso na entrada do sítio arqueológico, uma vez que os turistas chegam em horários próximos. Identificado o guia turístico, iniciamos a jornada pela religiosidade, cultura e cosmovisão inca. Inquieta e encanta a organização de uma sociedade indígena que construiu uma cidade num lugar tão inacessível e pouco propício à vida humana porque queria se proteger dos invasores que pilhavam sua gente e terra. Protegida pela Montanha Jovem e Montanha Velha, Machu Pichu foi o centro urbano de uma civilização que cultivou a terra, cultuou os deuses e produziu cultura sem agredir a Pacha Mama, ou Mãe Terra. A cruz andina representa essa comunhão desejada por esse povo que estabelecia com o seu entorno uma profunda relação de respeito e gratidão. E essa relação é expressa na cruz andina por meio do simbolismo dos três mundos: superior, o dos vivos e o inframundo que se encontram representados nas três pontas da cruz.
A cidade sagrada foi descoberta por camponeses que exploravam a região, mas só do arqueólogo Hiran Binghan recebeu a devida investigação científica. Binghan registrou suas descobertas no livro La Ciudad Perdida de los Incas: Machu Pichu.
Liberados pelo guia, resolvi voltar a fazer o mesmo percurso e explorar outros para perceber nuances e sentir melhor a cidade, pois isso não é possível quando temos que acompanhar um guia que nos conduz a passos rápidos. Assim, voltei aos templos, fotografei símbolos sagrados, subi a montanha de Machu Pichu, passei entre as paredes de pedras que constroem os aposentos dos sacerdotes e importantes figuras da escala social inca, vi a neblina ir embora e o deus Sol iluminar a cidade que ecoa os sonhos, a coragem e a sabedoria de um povo.
A volta a Cusco foi materialmente tranquila, mas minha mente não estava tão tranquila quanto a viagem e ainda tentava processar todas aquelas informações captadas pelo olhar e sorvidas pelos demais sentidos. Agora no Brasil, passado pouco mais de um mês dessa experiência, nutro a esperança de um dia voltar a Águas Calientes e, certamente, a Machu Pichu, a fim de escrever os primeiros capítulos das percepções impressas pelos Caminhos da América do Sul. É isso.
Cheguei em Cusco aproximadamente no dia 13 de janeiro e, de pronto, não me encantei com a Cidade Imperial dos Incas. Mas essa má impressão durou pouco. Após desambarcar na rodoviária, dirigi-me à praça principal onde um misto de deslumbre e curiosidade se apoderou de mim. Aos poucos, enquanto passava o olhar pelas belezas arquitetônicas daquele centro histórico, comecei a entender porque Cusco atrai tantos turistas e também compreendi o fato de ser uma parada obrigatória para o visitante que pretende esticar seu passeio até à cidade sagrada dos Incas: Machu Pichu. Nela (em Cusco), percorre a brisa da história que envolve suas ruas, esquinas e construções que datam do séc. XVI quando lá chegaram os dominadores espanhóis. Mas o nascimento dessa cidade que já serviu de base administrativa, religiosa e cultural ao Império Inca data do século XII. Até a chegada dos espanhóis, Cusco funcionava como a sede de um dos maiores impérios que a América Latina abrigou e, onde hoje vislumbram-se templos católicos, era possível ver os lugares sagrados do povo inca. No afã da expansão europeia, templos e índios foram pilhados e assassinados sem que pudessem provar sua importância no cenário cultural da humanidade.
Como já foi dito, Cusco é parada obrigatória para quem deseja chegar a Machu Pichu. Na cidade Imperial, fiquei hospedado no Flying Dog Hostal que já era conhecido uma vez que me hospedei em hostal da mesma rede na cidade de Arequipa. No mesmo dia, conversei com o representante de uma agência que mantém um convênio com o hostal e fechei o passeio a Machu Pichu com essa agência que cobrou 585,00 soles (tudo incluso). Isso equivale aproximadamente a R$ 585,00, uma vez que o câmbio entre as moedas é praticamente 1 para 1. Em Cusco, há muitas agências que oferecem passeios, mas nem todas são confiáveis. É muito importante obter o máximo de informação sobre a agência e junto à agência para que tenha certeza que não está fazendo um mau negócio. Os peruanos são agradáveis, receptivos e pacíficos, mas em matéria de negócios é bom ficar atento porque pode se deparar com um oportunista.
O percurso até Machu Pichu é razoavelmente longo, pois o trem não sai de Cusco, mas de uma cidade que fica a aproximadamente 1h30 da cidade imperial. O caminho é repleto de curvas e, ao logo do trajeto, é possível ver de relance a entrada de sítios arqueológicos que estão localizados nas proximidades da cidade histórica dos incas. Até à estação fomos de van e depois seguimos de trem. A viagem dura aproximadamente 2h e a paisagem é de tirar o fôlego. Na classe que viajei, não há muitos serviços e o conforto não chega aos excessos da primeira classe que é muito mais cara. Entretanto, a falta de serviços excelentes foram substituídos pelo bom papo que se desenvolveu ao longo da viagem com dois passageiros que se dispuseram a me dar uma aula sobre Machu Pichu.
Enfim, Águas Calientes ou Machu Pichu Pueblo. A bem da verdade, trata-se de um pequeno povoado onde se concentra um número considerável de hoteis, pousadas, hostals e casas de comércio bem como um centro voltado para a venda de artesanato produzido por artesãos locais e provenientes de Cusco. É o lugar ideal para quem deseja descansar antes de rumar à Cidade Perdida dos Incas. Os dois rios que passam pelo povoado e as montanhas que os cercam se encarregam de criar o clima perfeito de sossego e paz. Dormi em Águas Calientes e, no dia seguinte, por volta das 5h, tomei a van que me levaria ao desejado templo sagrado dos Incas.
Após 20 minutos de belezas naturais, chegamos a um dos lugares mais fascinantes da nossa Casa Comum, a Terra. O movimento é intenso na entrada do sítio arqueológico, uma vez que os turistas chegam em horários próximos. Identificado o guia turístico, iniciamos a jornada pela religiosidade, cultura e cosmovisão inca. Inquieta e encanta a organização de uma sociedade indígena que construiu uma cidade num lugar tão inacessível e pouco propício à vida humana porque queria se proteger dos invasores que pilhavam sua gente e terra. Protegida pela Montanha Jovem e Montanha Velha, Machu Pichu foi o centro urbano de uma civilização que cultivou a terra, cultuou os deuses e produziu cultura sem agredir a Pacha Mama, ou Mãe Terra. A cruz andina representa essa comunhão desejada por esse povo que estabelecia com o seu entorno uma profunda relação de respeito e gratidão. E essa relação é expressa na cruz andina por meio do simbolismo dos três mundos: superior, o dos vivos e o inframundo que se encontram representados nas três pontas da cruz.
A cidade sagrada foi descoberta por camponeses que exploravam a região, mas só do arqueólogo Hiran Binghan recebeu a devida investigação científica. Binghan registrou suas descobertas no livro La Ciudad Perdida de los Incas: Machu Pichu.
Liberados pelo guia, resolvi voltar a fazer o mesmo percurso e explorar outros para perceber nuances e sentir melhor a cidade, pois isso não é possível quando temos que acompanhar um guia que nos conduz a passos rápidos. Assim, voltei aos templos, fotografei símbolos sagrados, subi a montanha de Machu Pichu, passei entre as paredes de pedras que constroem os aposentos dos sacerdotes e importantes figuras da escala social inca, vi a neblina ir embora e o deus Sol iluminar a cidade que ecoa os sonhos, a coragem e a sabedoria de um povo.
A volta a Cusco foi materialmente tranquila, mas minha mente não estava tão tranquila quanto a viagem e ainda tentava processar todas aquelas informações captadas pelo olhar e sorvidas pelos demais sentidos. Agora no Brasil, passado pouco mais de um mês dessa experiência, nutro a esperança de um dia voltar a Águas Calientes e, certamente, a Machu Pichu, a fim de escrever os primeiros capítulos das percepções impressas pelos Caminhos da América do Sul. É isso.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Nota sobre Appetite for Destruction - Guns n´Roses
Guns
n´Roses - Appetite for destruction foi o disco de estreia mais vendido
de todos os tempos. Levou o disco de platina 18 vezes e virou o
carro-chefe da banda. No repertório, nenhuma música leve aparece. Sob
influência do Hard Rock que dominava a cena estadunidense à época, o
álbum traz um som pesado que contrasta com letras doces e que, em sua
maioria, falam de solidão, desespero diante da contradições da vida e da
busca por um amor que ilumine os desconcertos da condição humana. É o
que atesta trecho de You´re crazy: I been lookin´ for a trace/Lookin´
for a heart/Lookin´ for a lover in a world that´s much too dark.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Fotografia premiada
Quando a fotografia diz mais que a própria realidade...
Fotógrafo sueco, Paul Hansen, ganha prêmio (World Press Photo) com esse registro da tragédia em Gaza.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Um pouco de Hilda Hilst
homenagem. 4 fevereiro-
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.
Hilda Hilst
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
La Désitégration
Assisti ao primeiro filme do My french film
festival. Gostei. O roteiro é denso e traz á luz as contradições
vivenciadas por estrangeiros árabes na vivência da sua fé e na luta por
um espaço em território francês. Esse sentimento de não pertença leva ao
fanatismo quando, liderados por um extremista, três jovens resolvem
cometer uma ação terrorista.
Cinema Pernambucano entre os melhores do mundo
No jornal Nueva Crónica, publicado na Bolívia e
dedicado à política e cultura, encontrei na matéria 2012: las mejores
películas, según la crítica o filme O Som ao Redor do pernambucano
Kleber Mendonça Filho.
Assinar:
Postagens (Atom)







