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domingo, 25 de abril de 2010

Amizade: encontro e partilha



Certa vez, um amigo escreveu que uma verdadeira amizade ou nasce no espaço de um relâmpago ou nunca nascerá. À época, dada nossa afinidade, fiquei encantado com essas palavras e era como se, através daquela declaração, visse retratada nossa própria história de amizade. Depois dessa experiência, procurei amigos e, no encontro com cada um deles, via as palavras do meu velho amigo se atualizarem como as águas de uma fonte que parecem as mesmas, mas inauguram sua novidade a cada experiência que temos delas. Embora as palavras do meu amigo se façam presentes em cada pessoa que cativo, a experiência não é a mesma, porque cada amor de amizade é único, irrepetível e traz a permanente alegria de uma música que enche os ouvidos, um livro que dilata o coração ou um espetáculo do crepúsculo num fim de tarde. Isso não tem teoria que explique nem metodologia que diga como deve ser feito. Apenas acontece.

Perdemos a capacidade de nos admirarmos com aquilo que faz da vida o lugar da festa; a festa do encontro cotidiano, da partilha da vida e dos passos que ficam pelo caminho. Lemos O Pequeno Príncipe e esquecemos sua mensagem, embora seja urgente para os dias de hoje. Vale lembrar que, nesse livro, o ensinamento da raposa “só se vê bem com o coração” não é mero sentimentalismo, mas condição imprescindível para que sobrevivamos todos os dias nesta terra de granito. Ou recuperamos essa capacidade de nos encantarmos pela vida, pelo outro, por aquilo que faz nossos dias, ou nos perderemos todos juntos. Segundo Clarice Lispector, esta é a verdadeira experiência de salvação: amor de amizade.



Amigo é antes de tudo alguém que não julga. É alguém que abre para você uma porta que talvez, jamais, abriria para um outro.

(Saint-Exupéry)

Na minha janela uma luz ficará acesa. Os braços do amigo estarão esperando.

(João XXIII, papa)

18 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Sábias palavras do seu amigo!

Parabéns por proporcionar reflexão e sentimento de bondade no seu espaço!

te linkarei ao meu blog, abs

Tânia regina Contreiras disse...

É, Luciano...parece que perdemos mesmo a capacidade do assombro, do encanto. E isso é tão fudamental para a existência!

Um texto tão lúcido para tantas reflexões.
Beijos

Dulce disse...

Tenho para mim, Luciano, que um amigo é um presente da vida. Inestimável, precioso, generoso presente que completa e muitas vezes (ou quase sempre) alicerça nosso caminhar.
Há tantas verdades encerradas nesse seu lindo texto...
Tenha um ótimo dia

Reflexo d Alma disse...

Lindo post!
Amo tanto o livro que cita quanto a
escritora Clarice.
Creio na amizade dessa forma
mas
nesses tempo
é algo tão dificil de
ser mantido.
É um mundo de vai e vai...
as pessoas vão uma das outras sem controle.
Saudades daqui.
Bjins entre sonhos e delírios

Sonia Pallone disse...

As emoções que coleto aqui, sempre se alojam na parte mais sensivel de mim...Linda reflexão sobre amizade, meu querido. Bjs.

Manuel Cardoso disse...

Belas palavras! Lindo texto!
A amizade nasce como um relâmpago ou nunca será... é bem verdade.
Quantas pessoas conhecemos e quão poucos amigos verdadeiros!
Um abraço e parabéns pelo blog. Gostei mesmo!

Rita Contreiras disse...

Acredito que é rara a verdadeira amizade, mas, quando acontece, é um sentimento mais forte que o sentimento amoroso,porque é mais amplo,mais generoso, mais libertador. Lindo e necessário post!abraço.

Cristiano Contreiras disse...

Manda teu msn, caro!

abraço

Tais Luso disse...

Amizade, os verdadeiros amigos aparecem pouco; são aqueles que não nos procuram só pra festinhas, pra bater papo no final do dia, pra curtir uma praia... Esses podem ser companheiros, apenas. Amigo é aquele que não te deixa afundar, que se entristece com nossa infelicidade, que torce para que tudo dê certo conosco. E estes estão cada vez mais escassos... O mundo tomou outro rumo.

Bjs, Luciano.
Tais luso

Sonia Pallone disse...

Meu querido poeta, vim te deixar um beijo, um carinho e dizer que vou dar uma pausa pra reflexão em minha vida...Deixei lá no Solidão, uma breve despedida, com meu coração quebradinho... Bjs, seja feliz.

Luciano Azevedo disse...

É verdade, Tais. Tenho pensado nisso com frequência e cada vez que penso fico mais convencido de que as coisas estão realmente mudadas. Concluo também que hoje não há só inversão de valores, mas, o que é pior, valor nenhum. Ou seja, as pessoas perderam qualquer referência que possa ajudá-las a conduzir a vida em sociedade. Não sei se estamos mais sozinhos, mais individualistas, mais isolados em nossa própria solidão, mas de uma coisa tenho certeza: estamos mais perdidos do que nunca. E sem referências existenciais significativas e profundas fica impossível viver de maneira harmoniosa e feliz.

Marcos Campos disse...

Olá Luciano!
belo blog, gostei, vou passar por aqui de novo!

RAFAEL disse...

belissima definição de amizade...
vc escreve muito bem...

abraço

cantinho she disse...

Oie passando pra te conhecer e que post lindo, adorei! Voltarei mais vezes!
Bjo, bjo!

Simplesmente Outono disse...

Saudade dos teus olhos sobre minhas letras. Espero por tua visita, ansiosamente.
Com carinho e folhas secas.
Simplesmente Outono.
http://www.simplesmenteoutono.blogger.com.br

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Amigo Luciano

Conheci-te através do Porto das Crónicas da nossa Tais. Vim ao teu blogue e gostei. Defenindo-te como o fazes através do nosso Pessoa, tens de ser boa praça...Convido-te, por isso, a visitar a Minha Travessa e seres seguidor dela, o que desde já te agradeço.

Desculpa a chatice que te possa causar este ‘tuga desavergonhado e escrevinhador. Também ando pelo Facebook, o que quer dizer que estou aposentado, mas vivo. E tão bem disposto quanto seja possível…

Abs

Lídia Borges disse...

Maravilhoso o teu texto.

Sabes o que é cativar?

"É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa “criar laços”...
- Criar laços?"
"O Principezinho" Saint-Exupéry

És responsável por quem cativas...

日月神教-任我行 disse...

謝謝123