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domingo, 21 de março de 2010

A leitura e os leitores


Tenho ouvido com frequência reclamações que vêm de professores de Língua Portuguesa acerca da falta ou da deficiência dos alunos em leitura e compreensão de texto. Isso é verificado na dificuldade que os alunos geralmente apresentam em identificar informações no texto, inferir sentidos, relacionar elementos textuais etc. Essa constatação recebe o aval científico de pesquisas que têm sido desenvolvidas na área de Educação e Linguística, de modo que aquilo que é percebido por professores em sua prática didático-pedagógica diária recebe da academia os fundamentos apoiados por uma teoria e uma metodologia que permitem que se faça uma análise sistemática dessa realidade.
Por vezes, eu também julguei precipitadamente o comportamento leitor dos meus alunos e compactuei com a ideia de que eles não estão lendo. Após alguns anos em sala de aula seguidos de leituras e observação acurada da realidade leitora dos alunos, tenho mudado meu ponto de vista. Na verdade, tenho concluído que o aluno lê e o faz em demasia. Inserido num mundo cercado por uma diversidade crescente de linguagens, os jovens alunos deparam-se constamente com banners, cartazes, panfletos,faixas, outdoors, anúncios publicitários, imagens, etc (sem falar na quantidade de linguagens que acessam quando entram na internet). Poderíamos até dizer que há uma profusão e uma poluição de textos e imagens que bombardeiam os jovens leitores, deixando-os sem fôlego para dedicar-lhes uma leitura no sentido pleno da palavra. Isso é comprometedor de um processo que se quer crítico e ativo no sentido bakhtiniano. Mas, por outro lado, essa reicidência de contato com os textos do cotidiano derrubam o mito de que o aluno não lê.

A questão que tenho levantado é que quando se afirma que o aluno não lê, os professores o fazem a partir de um determinado padrão de leitura exigido e estabelecido pela escola que é a leitura dos clássicos. Desse modo, o problema não é a falta de leitura que, como já afirmei e continuo afirmando, o aluno realiza demasiadamente nas interações cotidianas com textos escritos e falados. O problema poderia ser fomulado da seguinte forma: em relação a que tipo de leitura o aluno é considerado um mau leitor? Com isso, não quero defender uma proposta que desconsidera a literatura clássica nas práticas escolares de leitura. Se assim o fizesse, seria incoerente com minha prática, uma vez que recomendo clássicos da literatura em atividades de leitura. Apenas defendo uma mudança de ponto de vista e de atitude diante do aluno, a fim de que não caiamos no desânimo por não conseguirmos êxito em nosso trabalho por acreditarmos que a falta de habilidade em ler e interpretar um Machado de Assis seja indicativo da falta de leitura e inabilidade para compreender todo e qualquer tipo de texto, inclusive o mundo ao seu redor. Acredito que é mais umas questão de excesso de leitura que de falta dela. Como já foi dito, a diversidade de linguagens e textos que se apresentam ao aluno no cotidiano não permite que lhes dedique uma leitura plena, global. Assim, o fato de não ler os clássicos da literatura ou os textos previamente determinados pela instituição escolar, não faz dele um mau leitor. A natureza da leitura não determina o nível de compreensão e o consequente posicionamento diante do mundo. Conheço pessoas que não tiveram leitura nenhuma, mas produzem as mais belas "verdades" acerca do mundo e dos homens (mulheres).

segunda-feira, 8 de março de 2010


Assisti recentemente ao filme "COCO antes de Chanel" de Anne Fontaine que foi indicado ao Oscar, mas não levou a estatueta. Até entendo que a Academia não é o parâmetro último e absoluto para avaliar e categorizar os filmes, mas, penso, sinceramente, que o filme merecia voltar com esse reconhecimento. Não deixem de conferir a fabulosa interpretação de Audrey Tautou. Oportunizo a sinopse do filme:

Duas irmãs num orfanato... Uma artista de cabaré... Uma humilde costureira... Uma cortesã jovem e magricela... Uma mulher apaixonada que sabe que nunca será a esposa de ninguém... Uma rebelde que considera as convenções de sua época opressoras...
Esta é a históra de Gabrielle "Coco" Chanel, que começa a vida como uma orfã e, ao longo de uma jornada extraordinária, torna-se a lendária estilista da alta costura que personificou a mulher moderna e tornou-se um símbolo atemporal de sucesso, liberdade e estilo.

Não tenho dúvida de que se trata de um prematuro clássico francês. Caro leitor, confira e tire suas conclusões. Desejo uma noite iluminada!

domingo, 7 de março de 2010


Durante a semana passada, após revisitar o quadro O quarto em Arles de Van Gogh, caí em pensamentos sobre a solidão. Esse quadro de Van Gogh dá a medida da solidão que era condição necessária à vida do pintor. A necessidade de proximidade humana fica declarada na escolha em pintar objetos duplicados. No decorrer da inúmeras internações pelas quais passou, Van Gogh aprofundou sua condição solitária e vivenciou a dor e o prazer de se fazer (ter sido feito) solitário.
O que me chama atenção ao refletir sobre conversas com amigos, letras de músicas e roteiros de filmes é que a solidão, geralmente, está associada a algo negativo que precisa ser solucionado, afastado, quando não, evitado. Contudo, esquecemos que a solidão faz parte da condição humana tal como o bem estar que sentimos quando estamos acompanhados. Em alguns casos, a solidão é até necessária, fundamental, para que possamos atingir determinados objetivos. Van Gogh é um desses gênios da arte que explorou a solidão (desejada ou não) e soube tirar dela as pérolas com as quais presenteou a humanidade. Mas não só ele. Enquanto escrevo lembro de outros solitários que, não fosse a solidão, dificilmente teriam garimpado o ouro de suas minas íntimas: Michelangelo, Caravaggio,Rembrandt, Leonardo da Vinci, entre outros. Para todos esses, a solidão foi imperativa e uma condição necessária.
Não fosse a solidão, Thomas Merton, monge trapista que optou pela vida eremita, não teria escrito os tantos livros que escreveu sobre espiritualidade nem as poesias que coloriram o jardim do mundo. Para Fernando Pessoa a solidão foi um campo fértil de onde colheu os frutos da sua produção literária. Ainda vale citar Clarice Lispector que, embora produzisse em meio às traquinices dos filhos, recolhia-se e lapidava a palavra que hoje encanta e desconcerta.
Em nossos dias, há todo um mecanismo ditado pelas novas tecnologias (a mídia, entre elas) que nos querem convencer de que a felicidade está onde os grupos se aglomeram. Essa mentalidade capitalista que rejeita toda e qualquer forma de solidão deve-se ao fato de que a manutenção desse sistema sempre foi garantida pelos grupos: a família, as grandes corporações, as igrejas, etc. Nesse emaranhado de coisas, o solitário é visto como um doente social que precisa ser tratado porque não se vislumbra no horizonte de sua vida a possibilidade de reprodução e manutenção de uma determinada ordem econômica e social.
Embora lancemos mão de tantas estratégias para driblar a solidão e hoje tenhamos tantos meios para evitá-la, ela é uma condição a que não podemos nos furtar. O que diferencia o solitário que somos de outros solitários é a maneira de vivenciar a parcela de solidão que nos cabe em vida. O escritor Herman Hesse,defensor fervoroso e explorador sagaz da solidão que o acompanhou, negou até o ocaso da vida toda e qualquer filiação às instituições que maculam essa condição humana fundamental e peremptória. Hesse descobriu que na solidão há cores tão vívidas quanto aquelas do quadro de Van Gogh. Isso é tudo.

sábado, 6 de março de 2010

O artista inconfessável

"O artista inconfessável" é o título de dois vídeos que trazem depoimentos de artistas sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto. Além dos depoimentos de grandes nomes da música, da literatura e da dramaturgia brasileira, entre outros, os vídeos merecem ser vistos pela brilhante declamação de Adriana Calcanhoto. Por ora, disponibilizo um dos vídeos, porque não consegui fazer o upload dos dois. Segue endereço para que possam acessar: http://www.youtube.com/watch?v=Pc7mSYhPApI Aproveitem!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Poesia de 70


Há dias atrás, li no jornal que o crítico e ensaísta Italo Moriconi resgatou, em livro, poetas quase esquecidos nos meios literários e escolar. Na página, poesias de Cacaso, Waly Salomão, Ana Cristina, Paulo Leminski e Torquato. A poesia despojada e de linguagem coloquial de Ana Cristina me chamou atenção e resolvi disponibilizar para os leitores do blog. Abraço poético.

tantos poemas que perdi
tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone - taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meio-bruxa, meio-fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
valei-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

(Ana Cristina Cesar)

quarta-feira, 3 de março de 2010

A volta do filho pródigo de Rembrandt


Hoje tive a grata oportunidade de compartilhar com meus alunos do turno noturno algumas considerações acerca de uma obra de Rembrandt que conheci através do livro "A volta do filho pródigo" de Nouwen. Conversava com eles sobre a relação entre a obra de arte, o contexto histórico mais amplo e o entorno de quem a pinta. Durante a aula, procurava que entendessem que a pintura, às vezes, retrata o universo de quem a pinta. Digo "às vezes" porque lembrei de Fernando Pessoa que definiu magistralmente o trabalho do poeta: "o poeta é um fingidor." Do mesmo modo, não podemos pensar a pintura apenas como reflexo da vida e dos sentimentos do pintor. Mas,simultaneamente, não podemos desvincular a obra da vida daquele que a criou. Enfim, não estou aqui para tratar do quanto de pessoal e íntimo há na obra de arte, mas para falar do quanto "A volta do filho pródigo" de Rembrandt, que chegou a mim através do livro de Nouwen, pode abrir as portas para uma reflexão acerca da espiritualidade. Esse lugar em nós tão importante quanto as outras dimensões, mas que é sempre relegado a segundo plano ou plano nenhum. Quando falo de espiritualidade não estou me referindo a esta ou aquela religião em particular, mas de um modo de vida espiritual. Nesse sentido, acredito que a filosofia budista tem uma contribuição valiosa.
O quadro de Rembrandt, baseado na parábola bíblica, retrata a volta do filho mais velho que pediu ao pai a parte que lhe cabia nos bens e saiu de casa. Após gastar tudo que tinha, o filho retorna à casa do pai que o recebe afetuosamente. Essa metáfora possibilita interpretações diversas, de modo que optar por uma única interpretação, ou seja, aquela cunhada pela religião, seria reduzir a riqueza de sentidos que a pintura de Rembrandt possibilita. Nessa direção, tenho pensado a "casa do pai" como algo mais próximo, pragmático, imanente, ou seja, a espiritualidade. Essa dimensão humana que negamos, ignoramos, mas que lateja e acena num gesto paterno (sem deixar de ser materno)para que voltemos "à casa do pai" que não é uma igreja ou um deus, mas um modo de vida. Precisamos urgentemente resgatar essa dimensão que nos faz mais humanos, afáveis e dóceis.
Há alguns dias, li nos jornais que um dos assassinos do menino João Hélio estava prestes a receber uma indulgência da justiça; hoje vi no Jornal Nacional que bandidos atearam fogo num micro ônibus no Rio de Janeiro; no final da tarde, na escola onde leciono, dois grupos de alunos aguardavam uma aluna que foi espancada pelos grupos. Cenas da bárbarie urbana. Será que o quadro de Rembrandt pode lançar alguma luz, embora a sombra o cubra, sobre essas realidades? Eu respondo que sim. Tal como o filho da pintura, precisamos voltar a uma prática espiritual que não está relacionado com atos heróicos de fé ou penitências que dilaceram o corpo, mas a atitudes cotidianas que se traduzem em respeito, cidadania e cuidado. No centro da cena, pai e filho se abraçam e o quadro se ilumina expressando o retorno do homem àquele lugar do qual nunca esquece, embora ignore e renegue: a consciência espiritualmente responsável.

terça-feira, 2 de março de 2010

Defesa de mestrado


Na última sexta-feira, dia 26.02, defendi minha dissertação e obtive o conceito máximo: aprovado com distinção. O que deveria ser apenas alegria transformou-se em reflexão acerca da responsabilidade social que cabe àqueles que recebem essa titulação. Penso que há muitos intelectuais neste país que existem apenas no papel, posto que se eximem da responsabilidade de intervir na realidade social através de discussões, propostas e reflexões sérias. A aprovação fez com que vislumbrasse possibilidades profissionais, mas também deu a medida do que posso fazer para contribuir com um país leitor e produtor de textos capazes de promover mudanças sociais. Que venha o doutorado!!!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Recife, aqui estou...


Estou há 15 dias em Recife de mala e cuia. A bem da verdade, não é de agora que nutro um carinho especial por essa cidade, capital do estado que, não obstante as desigualdades, aprendi a amar. Assim, sinto-me em casa e o sentimento de pertença me deixa à vontade nesta terra de Clarice, Bandeira,Dom Hélder, Science e outros.A solidão que essa cidade inspira é do tamanho do espaço geográfico que ocupa.Desse modo, Recife é um convite à poesia. Atravessada por pontes, rios e mangues, a cidade vai desfilando graça e beleza. Mas o Recife não é feito apenas de praças, parques e praias que saltam aos olhos. Tudo isso contrasta com uma realidade cuja tônica é dada pela violência e a miséria de tantos que perambulam pelas ruas centenárias desta cidade. Para minimizar o peso dos contrastes, sugiro uma volta no finalzinho da tarde pela praia de Boa Viagem. Ali tudo parece nivelado, como o horizonte.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Leitura é mesmo fundamental!


Hoje foi um dia daqueles! Mal acordei e já tinha uma avalanche de pequenas tarefas que me aguardavam ansiosas para serem executadas. Antes de levantar, passei alguns minutos pensando nas prioritárias, nas prorrogáveis e naquelas que, decididamente, não precisavam que me preocupasse com elas. Depois de uma manhã esmagada por compromissos inadiáveis, cheguei à parada de ônibus com malas prontas e um cansaço impossível de disfarçar. Troquei algumas palavras com um professor da UFAL,peguei o ônibus e cheguei à rodoviária disposto a desembarcar em Recife com fôlego suficiente para encarar a empreitada que me aguarda nos próximos dias. Para minha tristeza, não consegui vaga no ônibus executivo e tive que me submeter a seis intermináveis horas de viagem. O sacolejar do ônibus, as frequentes paradas para embarque e desembarque de passageiros, as obras que se estendiam ao longo da BR-101 e o calor contribuíram para uma viagem que mais parecia uma sessão de tortura. Como se não bastassem esses fatores, cometi o erro (imperdoável) de colocar meu livro na bagagem que não me acompanhou. Sem contar com a possibilidade de ler e irritado com aquela viagem entediante, lembrei de uma crônica do Luis Fernando Veríssimo chamada Fobias que trata do medo do personagem em não ter o que ler. Nessa crônica, o personagem recorre a diferentes peripécias para saciar sua sede de leitura. Não fui capaz de fazer o mesmo, mas compartilhei por seis horas das angústias descritas pelo personagem. Desci do ônibus aliviado e com a certeza do encontro com a palavra.


Fobias (Luis Fernando Veríssimo)

Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até a treiskaidekafobia (medo do número 13), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri uma lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.
Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência, – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Mas e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.

– Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...

– Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.

– Infelizmente, não tenho nenhuma revista.

– Não é possível! O que você faz durante a noite?

– Tricô.

Uma esperança!

– Com manual?

– Não.

Danação.

– Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá.

– Bem... Tem uma carta da mamãe.

– Manda!


(VERISSIMO, Luis Fernando. Banquete com os deuses: cinema, literatura, música e outras artes.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2003. p. 97-98)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sobre versos e sons


Durante estas férias, resolvi ler textos que não estivessem diretamente ligados a minha área de estudo e trabalho. Assim, comprei a biografia Renato Russo: o filho da revolução do jornalista Carlos Marcelo e resolvi me aventurar por uma leitura que traz fatos históricos relacionando-os aos movimentos sócio-culturais que construíram um mito do rock nacional: Renato Russo. Meus olhos correm rápido pelas palavras e a cada capítulo cresce a curiosidade em saber que trajetos Renato percorreu para tornar-se eterno no coração de tantos adolescentes, jovens e adultos acostumados às letras melancólicas e denunciatórias da Legião Urbana.Foi lendo o livro e entendo o contexto em que algumas músicas foram produzidas que voltei a ouvir o repertório da Legião. Vale registrar que tenho a discografia no notebook, além de algumas relíquias como gravações em rádios e outros extras: presente de uma amiga de Maceió. Ouvindo, lendo e perfazendo o trajetos históricos das canções, lembrei-me de situações da minha vida quando adolescente e jovem que foram acompanhadas pelas letras produzidas por Renato. Embalado por canções como Faroeste Caboclo, Será, Metal contra as Nuvens,Monte Castelo, Eduardo e Mônica, entre outras, sempre acabava, de alguma forma, encontrando-me nas linhas e entrelinhas das poesias criadas por Renato Russo e companheiros. Vou aproveitar esse momento nostálgico e oportunizar trecho de Metal contra as nuvens que serviu de pano de fundo para histórias que vivi:

- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.


Enquanto escrevo esse texto, escuto Quando o sol bater na janela do teu quarto, Monte Castelo , Maurício e ainda me emociono, reflito e sinto que alguma coisa mudou na minha cabeça... É isso.