Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio e agüentá-lo. Ficarei quieto, esperando, como a noite em sua vigília estrelada com a cabeça pacientemente inclinada. A manhã certamente virá; a escuridão se dissipará, e a tua voz se derramará em torrentes douradas por todo o céu. Então as tuas palavras voarão em canções de cada ninho dos meus pássaros, e as tuas melodias brotarão em flores por todos os recantos da minha floresta. (Rabindranath Tagore)
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante em Buenos Aires
Segundo dia em Buenos Aires. Após uma noite quase passada com olhos arregalados, acordei às 8h30 e fiquei logo pronto para desbravar uma das cidades mais elegantes da América do Sul. Após o café da manha, segui em direçao à Av. 9 de Julio. Durante o percurso, tropecei em belíssimas construçoes e, sobressaltado pelo tropeço, parei e comecei a fotografar as linhas e desenhos de uma arquitetura bastante peculiar. Em toda Buenos Aires, encontramos prédios que conservam uma arquitetura rústica e tradicional convivendo com construçoes pra lá de modernas. A passos largos pela cidade e olhar atento, a câmera nao parava de trabalhar. No centro da cidade, a atençao repousou sobre a Basílica Nuestra Señora del Rosario (Ordem de Predicadores - Convento de Santo Antonio). No pátio em frente à igreja, reina imponente o Monumento El ejercito de la nacion creador de su glorioso bandera (acho que o nome é esse, se não for - que alegria! encontrei o til rs - acabo de batizá-lo com esse nome). Segui sem direção (ainda vou comprar uma bússola para parar com isso) e, entrando e saindo por ruas que conservam um traçado secular, cheguei ao Ministério da Defesa, Museo del Bicentencenario e, totalmente por acaso, dei de cara com a famosa Plaza de Mayo e a Casa Rosada. Entre tantos turistas que fotografavam a praça, brasileiros se esbarravam o tempo todo. Cheguei a pensar que não tinha saído do Brasil. Após muitas fotos na Plaza, que é palco de protestos contantes, bateu "aquela fome" e resolvi fazer um intervalo nas fotografias para almoçar. Até esse instante sagrado do almoço, meu espanhol já havia melhorado e muito e o peso argentino voava da carteira como folhas ao vento. Tudo aqui é muito caro e, só para dar um exemplo, mas sem a intenção de espantar quem deseja conhecer a cidade, comprei água por $8. Ainda bem que nosso Real é valorizado aqui. Finalmente cheguei à Av. 9 de Julio (meu espanhol tá bombando!!!!) e fiquei espantado diante das dimensões da avenida, da imponência do obelisco e da modernidade dos anúncios que fazem desfilar letreiros e imagens que parecem cascatas tecnológicas. Andei toda a 9 de Julio atento aos cafés que ocupam as calçadas, a limpeza que impressiona, o andar elegante dos argentinos, os prédios imponentes, as praças bem cuidadas e o verde que ocupa muitos lugares. Foi encantado com tudo isso que cheguei a um dos mais famosos bairros de Buenos Aires, Recoleta. Muito do que já descrevi, repete-se nesse bairro nobre, elegante e singular de Buenos Aires. Acrescentaria apenas a política de construção dos prédios que os deixa na mesma altura e a quantidade de plantas que os moradores exibem em suas varandas. Impressionante e ecologicamente necessário. Por falar em ecologia, os argentinos são frequentes no uso de bicicletas que são distribuídas numa cidade que tem ciclovias e sinalização em várias áreas. Parabéns, Buenos Aires!!! Em Recoleta, visitei parques, o Centro Cultural, a Igreja Nuestra Señora del Pilar e o cemitério (nunca fiz tanta foto num lugar que detesto tanto). Ainda não satisfeito, rumei a Palermo, outro bairro bastante badalado de Buenos Aires. Como cheguei no fim da tarde, muitos dos lugares que intencionava conhecer, já haviam fechado. Mas, não me dando por vencido, planejei uma volta na quinta-feira pela manhã (último dia em Buenos Aires...snif...)para explorar melhor o bairro. Bem, já era hora de voltar para casa e peguei o metrô que, diga-se de passagem, é bem rápido. Nesse momento de pegar o metrô, descobri que recebi uma moeda de $2 e acho que levei uma bronca da funcionária (não posso dizer com precisão que se tratava de uma bronca porque meu espanhol ainda não permite). Durante essa volta ao hostel, ainda conheci o prédio da Corte Suprema, o Teatro Cólon e a Escuela Presidente Roca. Só pra finalizar, quero dizer que o povo argentino não é ríspido nem ranzinza. Talvez a maneira de falar, gesticular e, numa possibilidade mais remota, a sonoridade da língua, deixe essa impressão. Em todos o momentos que necessitei de uma informação, fui recebido com um caloroso Hola! ou Buenos dias! Faço uma exceção apenas no segurança do Jardim Botânico que gritou porque eu estava prestes a invadir o parque após o horário de funcionamento. rs Ainda ressoam suas palavras: "Você não leu a placa?" Em vez de tomar como uma deselegância, vi no gesto uma tentativa - não só do segurança, mas na pessoa dele, dos argentinos - em organizar a vida urbana. É isso. Vou dormir porque amanhã tenho Puerto Madero e San Telmo para deixar meus passos de mochileiro.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante
Sao 22h23 e em Buenos Aires é como se a noite estivesse apenas começando. O dia aqui é mais longo e, às 19h, o sol ainda brilhava e iluminava a cidade com seus raios que pareciam nao querer se despedir.
Estou em Buenos Aires há pouco tempo, mas já me sinto um tanto familiar, embora o cansaço de uma viagem que durou mais de doze horas insista em negligenciar essa impressao. Saí de Recife às 5h10, fiz uma escala em Brasìlia às 8h e desembarquei em Sao Paulo às 11h30. Depois disso, fui submetido a uma espera no aeroporto de Guarulhos que se estendeu por mais de quatro horas. Foi nesse momento que percebi que minha resistência física e mental estavam sendo colocadas à prova. A fim de ludibriar a ansiedade e nao sentir o peso do tempo que se estendia indefinidamente, ouvi música, visitei lojas nas quais jamais compraria um alfinete sequer (que assalto nesses aeroportos!!!). Mas fiquei por ali, admirando o inacessível. Quando a aeronave da Aerolineas Argentinas aterrissou, um novo ar de esperança inflou-me o peito. Durante o terceiro voo do dia (nem o saco do mochileiro mais convicto suporta tanto sobe e desce), conheci um argentino radicado no Estado de Sao Paulo que me deu ótimas dicas sobre a cidade de Cordoba. Enfim, terra firme e novos desafios. Li no Guia do Viajante Independente pela América do Sul que havia um ônibus (autobus aqui) que custava $25 pesos e deixava o passageiro onde quisesse. Encontrei a empresa de ônibus, mas nao a oferta. Por falta de dinheiro trocado (os ônibus daqui, ou autobus, como queira, só aceitam moedas)e da informaçao dada no livro, tive que desembolsar $80 para pagar um táxi e chegar no Hostel Buenos Aires. É um lugar amigável, humano, jovial. Já ouvi muitos sotaques e línguas por aqui. Além disso, as pessoas parecem estar dispostas a se conhecerem e fazer novas amizades. Isso é uma tábua de salvaçao para quem está longe de casa, há milhas e milhas do seu Recife. Aproveitei para comer alguma coisa fora, porque achei caro o prato oferecido pelo Hostel. Encontrei um lugar simples, mas com boa comida a três quadras daqui. Esse pequeno percurso foi suficiente para sentir que a cidade é uma promessa. Fico por aqui.
P.S.: Algumas palavras estao sem til (e meu texto todo sublinhado de vermelho), porque esse teclado castelhano só traz til sobre o Ñ (e sò!!).
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Viagem e abandono
Há um sentido, atribuído ao longo da experiência humana, ao ato de viajar que não reside no encontro de mundos culturais, mas no abandono de lugares físicos ou simbólicos. Viajar é também deixar para trás um mundo conhecido, confortável e onde transitamos à vontade. É um momento em que nos desligamos do já conhecido e mergulhamos no desconhecido. A ruptura com esse lugar amigável traz a sensação de instabilidade e ausência de raízes e, por vezes, nos soa como perda da identidade, da individualidade e das origens. A verdade é que, quando viajamos, acenamos saudosamente a um mundo de crenças e convicções que aos poucos vai se desfazendo à medida que outro mundo se constrói. É assim que devemos entender os movimentos que marcam uma viagem. Ao decidirmos sair, imediatamente nos dispomos a lançar novas pontes entre nós e o desconhecido que recria nossa visão de mundo e, consequentemente, nossa maneira de estar no mundo. É intrigante, mas dizer isso significa afirmar que não estamos prontos, mas em contínua e perpétua construção e a viagem é não somente um deslocar-se em direção ao outro (seja lá o que/quem for esse outro), mas um deixar para trás um sem número de coisas que haviam se fossilizado em nós. É assim que entendo o processo de criação no qual todos estamos inseridos. Todos os dias somos recriados e isso não se dá apenas por aquilo de novo que em nós se produz ou abraçamos, mas também pelas coisas que deixamos atrás de nós. Citei, no post anterior, alguns livros e filmes que se organizam em torno da viagem: entendida, simultaneamente, como o ato de deslocar-se fisicamente de um lugar a outro e ação simbólica revestida de sentido humano e afetivo. Neste post, a memória abre diante de mim dois livros de Hermann Hesse: Demian e Narciso e Goldmund. Nessas duas obras, o simbolismo da partida é muito forte e percorre toda a narrativa. Em Demian, Sinclair é convidado pela vida a deixar o aconchego e segurança do lar paterno, a fim de empreender uma jornada por lugares que ignorava. O que chama a atenção nessa jornada empreendida por Sinclair é o fato de que, ao mesmo tempo que deixa para trás uma vida já conhecida e segura e conhece aquela que recusara até então, retorna, reiteradas vezes, ao mundo que abandonara e encontra nesse mundo uma espécie de conforto e salvação. Recusar um mundo para ganhar outro. Ganhar o novo mundo sem perder as referências do velho mundo. Construir-se sem perder as referências que nos impulsionaram a caminhar. Eu penso que isso resume bem o aspecto pendular da vida de Sinclair. É necessário ganhar um mundo, mas, para ganhá-lo, é necessário perder sem deixar de reconhecer naquele estado de coisas que abandonamos o gérmen de um impulso que nos conduziu à vida. Se Sinclair teve que deixar o lar paterno, Goldmund recusou a paz do mosteiro e a amizade singular de Narciso para sugar a essência da sua existência tão particular e tão universal. Em ambos, a existência encontra-se marcada pelo signo da partida. Partir é viver, pois o autoconhecimento é fruto de vivências que se acumulam nos arquivos da nossa vida. Partir é lançar-se sobre o porvir, o sol que nasce, uma manhã orvalhada, mas é também manter um braço sobre o fim de tarde. A viagem de cada um de nós, sempre única e singular, é feita de olhos postos no futuro e pulos dados do trampolim de velhos mundos dos quais nos despedimos quando pomos o pé na estrada.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Uma viagem, uma porta, inúmeras possibilidades
Viajar é sempre um ato carregado de simbolismos. Há na literatura e no cinema um número amplo de enredos que envolvem ou estão assentados no tema da viagem. Em A volta ao mundo em 80 dias de Júlio Verne, a viagem é a protagonista da narrativa que se desenvolve sob a tônica da partida. Outro exemplo que nos vem da literatura é o livro On the road do americano Jack Kerouac. Esse livro nos põe em contato com a libertação que o protagonista Sal vivencia à medida que avança em sua viagem. Do cinema, temos o filme Chegadas e partidas do Lasse Hallstrom que traz para a tela o processo doloroso de autoconhecimento do protagonista que encontra na viagem física, mas também espiritual/interior, o ponto de encontro entre aquela parte de si que está perdida e aquela outra que deseja desesperadamente o encontro consigo mesmo e o equilíbrio. Em todos esses produtos de arte, encontramos a viagem sendo lida e interpretada em diferentes chaves: a viagem é, por um lado, aquilo que te põe em movimento e faz com que se desligue de um mundo pré-existente e rume em direção a novos mundos (há tantos mundos quantos são as pessoas que encontramos e situações vivenciadas). Quando viajamos, não mergulhamos apenas em nosso mundo, mas desbravamos o mundo alheio num total desejo de encontrarmos ali um lugar onde possamos ser nós mesmos e nos conhecermos. Ao final de Paisagem na neblina do grego Theo Angelopoulos, reencontramos aquelas crianças amadurecidas e prontas para enfrentar os novos perigos que estão por vir. O que permitiu essa maturação, senão a viagem? É durante uma viagem de volta para casa que o transexual Bree, primorosamente interpretado pela atriz Felicity Huffman, redescobre no filho delinquente e problemático a sua vocação para o cuidado. Desse modo, viajar significa bem mais que o deslocamento físico ou a ação consequente de tirar fotos e conhecer novos lugares. Viajar assume para o viajante uma dimensão muito mais fina e profunda que o coloca diante de inúmeras portas que representam diferentes oportunidades propiciadoras de vivências que nos enriquecem sob diversos aspectos. Nisso reside o simbolismo da viagem: fazer vislumbrar portas que se abrem de par em par e nos apresentam possibilidades que nos convidam ao encontro com o diferente, mesmo quando esse diferente é aquela parte de nós que ainda não percorrermos.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Tempo e fotografia
A fotografia de Mateus Sá está exposta no Centro Cultural Correios que fica no Bairro do Recife. A exposição, que traz o nome Antes de ontem, Ontem e Hoje, faz referência à memoria a partir de fotografias do Mateus Sá e do seu pai que também se interessava pelo ofício de fotografar. As fotografias foram distribuídas de acordo com o tempo que representam e podem ser visualizadas em suportes diversos. A partir da sequência de fotos, é possível fazer a experiência do tempo que passa e deixa vestígios pelo caminho e, simultaneamente, projeta-se em direção ao futuro. Vale a pena conferir!
XIV Virtuosi
O XIV Virtuosi, festival de música erudita, começou ontem em Olinda e estender-se-á até o dia 18.12.2011. O evento, que passará por Olinda, Recife e João Pessoa, faz homenagem a Frans Liszt e Gustav Mahler. Na execução de peças desses compositores, nomes como os de Leonardo Altino, Ana Lúcia Altino, Alexander Hrustevich, Benjamin Sung, Anton Martynov, entre outros. Ontem estive na apresentação de abertura na Igreja da Sé em Olinda e pude apreciar a grandiosidade da obra de Bach nas cordas do Cello de Leonardo Altino. A partir da terça-feira, o festival continuará acontecendo no Teatro Santa Isabel a partir das 18h. Fiquem à vontade!
domingo, 27 de novembro de 2011
Virtuosi 2011 (texto extraído do site oficial do evento: http://www.virtuosi.com.br/2011/11/21/xiv-virtuosi-abre-programacao-em-olinda-prefeitura-da-cidade/)
A Igreja da Sé, em Olinda, recebe, pelo segundo ano consecutivo, o XIV VIRTUOSI – Festival Internacional de Música de Pernambuco. Uma realização do Ministério da Cultura e o BNDES com apoio da Prefeitura de Olinda, o festival acontece entre os dias 06 e 18 de dezembro. O VIRTUOSI acontece também no Teatro de Santa Isabel, no Recife, em João Pessoa e pela primeira vez se estende para Belém do Pará.
O festival, que dedica esta edição aos compositores Franz Liszt e Gustav Mahler, mantém a tradição de trazer grandes nomes internacionais. Tendo como foco a “Educação”, o VIRTUOSI inicia suas atividades com o VIRTUOSI DIÁLOGOS – A Música Contemporânea no Nordeste – série de “talks” com compositores nordestinos entre eles Antonio Madureira, Eli-Eri Moura, Liduino Pitombeira, Nelson Almeida que se realizará na Livraria Cultura com apresentação de obras dos compositores pelo grupo Sonantis. Igualmente serão realizadas Master Classes com professores convidados de cordas e de trombone.Interessados poderão se inscrever no www.virtuosi.com.br. A programação do XIV VIRTUOSI será totalmente gratuita.
A abertura do festival será em Olinda, na Igreja da Sé, às 18h do dia 10 de dezembro. Para abrir a programação artística do evento, a produtora Ana Lúcia Altino e o diretor artístico do evento, o Maestro Rafael Garcia, convidaram o violoncelista Leonardo Altino, que apresenta pela primeira vez no nordeste as Seis Suítes de Johann Sebastian Bach para cello solo. Serão dois concertos seguidos com intervalo entre os dois quando será servido um pequeno coquetel ao público presente, prática comum nas grandes salas de concerto. No dia 11 de dezembro, às 16h, o festival escalou o grupo Cellos da UFRN & Percumpá. Em seguida às 18h o conjunto dinamarquês Arild Kvartetten se apresenta seguido às 20h pelo grupo alemão Trombone Unit Hannover.
A partir da terça-feira, 13 de dezembro, às 20h, o XIV VIRTUOSI inicia sua Série Vicente Fittipaldi, que abriga os principais concertos do festival. O concerto de abertura reúne a Orquestra Virtuosi sob a direção do Maestro Rafael Garcia e solistas que juntos oferecem um programa inusitado. Na primeira parte serão apresentados cinco concertos para violino e orquestra do compositor barroco Antonio Vivaldi, tendo como solista o violinista francês de origem russa Anton Martynov. Nesta noite, Martynov apresentará dois concertos do compositor italiano desconhecidos do público e descobertos em Viena recentemente pelo violinista que diz “não ter dúvidas quanto a autenticidade”. Em seguida, o trombonista Christian Lindberg apresenta sua obra Ero Arctic para trombone alto e orquestra de cordas.
Na quarta-feira, 14 de dezembro, às 20h, o festival apresenta o grupo alemão Trombone Unit Hannover que, formado por oito trombonistas, recebeu recentemente o primeiro prêmio no Deutschen Musikwettbewerben 2011 e apresentará um programa especialmente elaborado para o festival. O famoso trombonista sueco Christian Lindberg participa também da programação.
Na quinta-feira, 15 de dezembro, às 20h, o festival oferece um programa bastante diversificado e criativo. Obras de Christian Lindberg, Friedrich Gulda e Franz Liszt compõem o concerto. De Lindberg será apresentado o concerto para viola e orquestra intitulado Steppenwolf, obra escrita para o violista brasileiro Rafael Altino sob encomenda da Orquestra Sinfônica de Odense, Dinamarca. O concerto foi estreado em outubro e será apresentado em primeira audição nas Américas. Em seguida, o violoncelista Leonardo Altino será solista do concerto para cello e jazz band do compositor austríaco Gulda. A noite segue a programação com o concerto nº 2 de Liszt para piano e orquestra que terá como solista o pianista Peter Laul.
Na sexta-feira 16 de dezembro, às 20h, tem inicio o II VIRTUOSI PELA PAZ. A maratona musical inicia com apresentação da Cantata Bruta pela Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa – OCCJP, Coro Sonantis, solistas, declamadores, sons eletrônicos sob a regência de Eli-Eri Moura, um dos compositores da obra. A Cantata Bruta aborda o tema da violenta vida contemporânea, a partir de uma seleção de histórias integrantes d’A Gigantesca Morgue, série de 126 minicontos que faz parte do livro História Universal da Angústia de W.J.Solha. Ela é o resultado de um trabalho coletivo de seis compositores que atuam em João Pessoa e são dedicados ao desenvolvimento de uma linguagem musical pertencente aos nossos dias – Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando Alves, Marcílio Onofre, Valério Fiel e Wilson Guerreiro. Escrever a Cantata sobre o texto de Solha foi a forma que encontraram para homenagear o aniversário de 70 anos do autor, e, ao mesmo tempo, transcender o universo da música abstrata, tocando num tema real e perturbador da sociedade atual.
A maratona musical segue no sábado dia 17 a partir das 14h da tarde com o recital do violinista Benjamin Sung (EUA) acompanhado pela pianista Jihye Chang, seguido pelo Duo Inviolata (Dinamarca), recital da pianista Jihye Chang (Coréia), do acordeonista Alexander Hrustevich (Rússia) e apresentação dos Quartetos para piano e cordas de Gustav Mahler e Johannes Brahms com Victor Asuncion, piano; Anton Martynov, violino; Rafael Altino, viola e Leonardo Altino, cello.
A partir das 20h do sábado 17 de dezembro, o XIV VIRTUOSI presta homenagem ao compositor Gustav Mahler apresentando entre outras a obra “Das Lied Von der Erde” (A Canção da Terra), sinfonia para tenor, alto e orquestra com arranjo de Schoenberg para conjunto de câmara. É a primeira vez que a obra será apresentada no nordeste e conta com a participação dos cantores russos Alexander Timchenko (tenor) e Regina Rustamova (mezzo), ambos do Teatro Mariinsky de São Petersburgo.
O festival se despede no domingo, 18 de dezembro a partir das 15h, com o Virtuosinho que conta com a participação da Orquestra Meninos do Coque sob a regência do Maestro Lanfranco Marcelletti, seguido pelo Festival Liszt com os pianistas Victor Asuncion, Jihye Chang e Peter Laul. Para encerrar a programação, o festival escalou o grupo francês Le Quatuor Caliente, especialista na música do compositor argentino Astor Piazzolla.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
VII Fliporto: literatura em pauta
A Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) foi um sucesso de público. Muita gente circulou pela Praça do Carmo (Olinda)durante os dias 11 e 15 de novembro. Infelizmente não foi possível participar de todas as mesas mas, das poucas que participei, gostei muito das experiências de leitura e escritura compartilhadas pelo escritor português Gonçalo Tavares e o venezuelano Fernando Baéz. Ainda lembro as palavras do Gonçalo quando disse que a literatura não é uma máquina de reproduzir, mas uma máquina de fazer pensar. A conceituação não poderia ser melhor. O que me chamou atenção na história de relação de Fernando Baéz com a leitura foi que seu amor pelos livros teve início quando perdeu, num acidente, os livros da família. Outra mesa que se destacou foi aquela composta por Raimundo Carrero e Nelson Mota. Embora bastante
debilitado, Carrero deixou grandes lições sobre a criação literária. Nelson Mota falou, numa maneira descontraída e divertida, da relação com a língua portuguesa, a escritura, as editoras e os projetos futuros.
O lado B da feira foi feito de problemas com o áudio, tradução simultânea, microfones e a ausência da literatura japonesa e chinesa na 2ª Feira do Livro. Esperamos que isso não volte a acontecer no próximo ano.
A VII Fliporto teve como homenageado o escritor pernambucano Gilberto Freyre e voltou-se para a literatura oriental.
domingo, 9 de outubro de 2011
Mimo 2011
A Mimo 2011 - Mostra Internacional de Música de Olinda - que aconteceu no centro histórico de Olinda abrigou uma programação diversificada. O festival contou com grandes nomes da música nacional e internacional como Delia Fischer, Parahyba Art Ensemble, Trio 3-63, Ballaké Sissoko e Vincent Segal, Arrigo Barnabé, Azymuth, Arthur Verocai, Gotan Project e Philip Glass. Isso só para citar alguns nomes. No primeiro dia do festival, estive presente no Seminário de Olinda para ouvir a delicadeza da flauta de Andrea Ernest Dias, a suavidade do piano tocado por Paulo Braga e a alegria do pandeiro de Marcos Suzano. Em seguida, fui às pressas à Igreja da Sé para ver o concerto da dupla Ballaké Sissoko e Vicent Segal. O africano Ballaké Sissoko encantou a plateia que, ao som da kora, pode fazer a experiência da transcendência. É um instrumento diferente que lembra um berimbau de dimensões expressivas. Vicent Segal acompanhou magistralmente o africano e manteve um diálogo terno com o público. Juntos, produziram uma espécie de som etéreo e inconfundivelmente africano. O dia seguinte contou com a apresentação do Azymuth e Arthur Verocai. Dono de uma longa trajetória, o Azymuth apresentou sucessos que deram uma panorâmica do percurso que conta com quase 40 anos de produção musical. A banda já trabalhou com Sarah Vaughan, Stevie Wonder, Chick Corea, entre outros. Na Igreja da Sé, a partir das 20h30, Arthur Verocai esbanjou simpatia e competência ao reger a Orquestra Sinfônica Jovem do Recife e o Projeto Coisa Fina (SP). A apresentação ainda teve participação especial de Clarisse Grova e Carlos Dafé. O sábado foi o dia mais movimentado, e a disputa para pegar ingresso para a apresentação do Philip Glass foi intensa. Todos queriam ver o músico que traz em seu currículo a criação de óperas, sinfonias, concertos para diversos instrumentos, temas para o teatro, a dança e consagradas trilhas
sonoras para o cinema. Philip Glass foi acompanhado pelo violino do californiano Tin Fain. A trilha sonora do filme As Horas é da autoria de Glass. A Mimo 2011 despediu-se do público recifense deixando as marcas indeléveis de uma saudade que tem a música como começo, meio e fim. Desde já, aguardando a programação do próximo ano.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Túnel do tempo: Kid Abelha e Biquini Cavadão

Escrever sobre Kid Abelha e Biquini Cavadão é fazer um caminho de volta ao passado. E volto precisamente a um momento da minha vida em que fui especialmente feliz. Justamente àquele momento em que tudo é mais intenso. Esse momento tem nome e chama-se adolescência. Foi precisamente desse ponto na linha do tempo que fiz contato com um som que me punha a pensar e vivenciar emoções: o pop rock brasileiro. Na segunda semana de setembro (06), pude abrir um espaço na linha do tempo para reviver momentos nunca esquecidos. Estive no show de Kid Abelha e Biquini Cavadão no Chevrollet Hall em Recife e experimentei as mesmas sensações da época em que os ouvi pela primeira vez. Parecia uma espécie de retorno via hipnose à vida inconsciente.
Kid Abelha começa a escrever sua trajetória em 1982 com o disco Distração e em 1985 apresentou-se no primeiro Rock in Rio. Eu diria que já começou decolando e assumindo topos. Mais tarde, consolidou-se no cenário do pop rock nacional com sucessos como Alice, Grand´Hotel e Eu Tive um Sonho. Muitas dessas canções serviram de trilha sonora para histórias de amor vividas por um adolescente que mal sabia amar, apenas sentir.
Minha experiência com a banda que apareceu no cenário musical dos anos 80, Biquini Cavadão, foi menos intensa que aquela que tive com Kid Abelha. Mesmo assim, recordei sucessos que arrancaram faíscas das guitarras mal comportadas e letras subversivas que punham em evidência o descontentamento e conflitos de uma geração. Só para relembrar, cito alguns desses hits que verteram alegrias, lágrimas e protestos: Zé Ninguém, Chove Chuva e Carta aos Missionários. Sem dúvida, um grande show que funcionou como uma máquina do tempo e me fez reviver momentos quase sagrados porque vividos com paixão. Força sempre.
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