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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Une Bouteille a la Mer

 
Ela? Uma francesa de 17 anos que mora em Jerusalém e vivencia os dramas inerentes à idade e à situação sociopolítica do Estado de Israel. Ele? Um palestino que trabalha entregando roupas e cujo limite físico é a faixa de Gaza onde o medo e a morte desfilam sem trégua. Ela quer entender aquele estado de coisas e ele alimenta o sonho de sair da Palestina e levar seus sonhos além dos limites estreitos da faixa. Uma carta dentro de uma garrafa lançada ao mar os une. Ele supera seus medos, aprende francês e ultrapassa a faixa de Gaza. Ela agora alimenta o desejo de poderem se encontrar em Paris. Destaco a cena que a mãe, aflita porque conflitos explodiram, olha para ele e diz: fale algo em francês. Excelente!!

sábado, 29 de setembro de 2012

A FLIP revisitada

Depois de um longo tempo sem postar, volto com algumas palavras sobre a experiência vivenciada em Paraty durante a Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP. O lado positivo de escrever sobre uma vivência tempos depois de tê-la experienciado é que podemos revisitá-la e estabelecer uma nova conexão com o vivido, de maneira que novos sentidos se revelam. Além disso, recompomos situações e pessoas e revivemos toda a carga emocional que acompanhou nossos passos ao longo da viagem. Parafraseando Machado de Assis nas primeiras páginas do livro Dom Casmurro, digo que, antes de passar aos fatos, faz-se necessário dar os motivos que impulsionaram essa viagem. São dois apenas e, de certo modo, não guardam nada de espetacular: o primeiro reside no desejo alimentado desde longa data em conhecer a FLIP. Desde meus tempos de universidade, ouvia falar nessa festa literária e fazia planos de um dia conhecer; o segundo motivo é um pouco mais profundo e tem a ver com minha relação afetiva com um livro que foi para as telas do cinema, chamado REPARAÇÃO, do escritor inglês Ian McEwan. No Brasil, o filme recebeu o nome de Desejo e Reparação. Desde o início do ano que vinha recebendo informativos sobre a Festa e quando vi que o autor participaria do evento não pensei muito, na verdade, pensei bem pouco, pois logo decidi pegar o avião ao Rio de Janeiro (e depois o ônibus para chegar em Paraty).
Em Paraty, fiquei hospedado em uma Pousada-Camping e, como queria fazer uma nova experiência de hospedagem - além de economizar - optei por ficar no Camping. Experiência maravilhosa. A impressão que o hóspede tem é similar àquela deixada por um lugar familiar ou sua própria casa. Acordar e se deparar com um ambiente natural, quase campal, numa temperatura amena e pessoas acolhedoras contribuiu bastante para que logo entrasse no clima da festa.
Paraty é uma cidade secular que conserva um centro histórico com ruas estreitas e pedras que reluzem em seu calçamento. É nesse centro que a FLIP acontece em suas várias tendas e casas. Os autores que constam da programação oficial podem ser vistos em duas tendas: a tenda dos autores e a do telão. Na tenda dos autores você paga um pouco mais caro pelo privilégio em ver o autor ao vivo e em todas as cores. Como isso não é possível na tenda do telão, o valor cobrado é menor. Comprei ingressos antecipados para a tenda dos autores e selecionei aqueles que me interessavam, seja por que os conhecia de ouvir dizer ou de obra lida, seja porque estavam ligados a culturas e países que vêm despertando meu interesse. Ao fim e ao cabo, participei de várias mesas e conheci autores diversos, bem como entrei em contato com autores cuja obra já havia conhecido por meio do cinema.
Empolgado e mergulhado na efervescência da festa literária, vi e ouvi Javier Cercas, Amin Maalouf, Adonis, Fernando Gabeira, Zuenir Ventura, Walcyr Carrasco, Luiz Felipe Pondé, Frei Betto,Luis Fernando Veríssimo,Ian McEwan, entre outros. Como falei no início, uma das minhas motivações a estar ali foi conhecer o autor de uma obra (Reparação) que me fez descobrir um outro valor da literatura: reconstruir a si mesmo e sua própria história por meio das palavras. Eu o conheci. Primeiro, separados geograficamente e mediados por um telão, depois, de braços e ombros entrelaçados em uma das ruas mais movimentadas do centro histórico. Naquele instante, talvez o instante-já de Clarice Lispector em Água Viva, eu me senti plenamente feliz.
Mas a FLIP não permitiu apenas encontros com autores e livros. Reunindo gente de todos as regiões do país e diferentes países, a Festa abre para outras experiências que envolvem fotografia, cinema, artes cênicas, natureza exuberante, amizades. Além dos livros e lembrancinhas, voltei com uma reserva de amigos que conservo até então.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

9º Festival Recifense de Literatura: A Letra e a Voz


¹Em sua nona edição, o evento será realizado no mês em que se comemora o Dia do Poeta Recifense. O festival tem como tema Literatura e Memória e propõe discutir as narrativas e as linguagens que abordam a temática da memória, como biografia, autobiografia, e influências literárias, além de discussões sobre as políticas públicas de leitura, garantindo o espaço para escritores, poetas, pesquisadores, editores e ensaístas. Os poetas Marco Polo Guimarães e Lucila Nogueira são os homenageados desta edição.

¹Texto extraído da Agenda Cultural/Agosto/2011

O festival começou dia 22.08 e segue até 27.08 na Livraria Cultura no Bairro do Recife.

Veja programação completa aqui: http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110820163245

8ª MIMO - 2011


A 8ª Mimo - Mostra Internacional de Música de Olinda acontecerá nas igrejas históricas de Olinda e abrigará grandes nomes da música nacional e internacional. É um festival belíssimo que verte música pelas ladeiras de Olinda e arranca suspiros de encantamento e emoção. O texto abaixo foi extraído do site do evento. Eu estarei lá. Força sempre!



Um encontro de pessoas e ideias interessantes, um panorama de estilos musicais que tem a cara do mundo, dentro de cenários imponentes, são as marcas da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO). O festival, que promove concertos gratuitos, exibição de filmes e uma vasta programação de cursos intensivos, chega à oitava edição em 2011, entre os dias 5 e 11 de setembro, nas cidades de Olinda, Recife e João Pessoa.

Com um cardápio de atrações que privilegia a música instrumental, da erudita à eletrônica, a MIMO traz nomes que brilham nas principais salas de concerto e palcos do mundo e também abre espaço para os jovens talentos. No elenco deste ano, estão Gotan Project (França/Argentina), Egberto Gismonti, Philip Glass & Tim Fain (EUA), Arrigo Barnabé, Daniel Gortler (Israel), Guinga & Orquestra Sinfônica do Recife, Ballaké Sissoko & Vincent Segal (Mali/França), Azymuth, Orquestra de Câmara de Toulouse (França), André Mehmari & Hamilton de Holanda, Alex Tassel e Arthur Verocai, entre outros.

Além dos concertos, o público tem a chance de conferir as novidades da produção cinematográfica, em que a música é o fio condutor, através do Festival MIMO de Cinema. Com plateia cativa, exibirá curtas, médias e longa-metragens nos telões montados nos pátios da Igreja da Sé e do Seminário de Olinda.

A Etapa Educativa é outro destaque da MIMO. Oferece aos estudantes e jovens músicos a oportunidade de participar de encontros, máster classes, workshops, oficinas de formação de orquestra e curso de regência, sob a batuta de experientes mestres da música brasileira e internacional.

Os números indicam o êxito do evento, que integra o Calendário Oficial de Pernambuco: com público estimado em 100 mil pessoas para 2011, a MIMO já recebeu, desde 2004, 270 mil espectadores, realizou 131 concertos, exibiu 55 filmes, teve a participação de 1.850 músicos, beneficiou 12 mil alunos na Etapa Educativa, gerando centenas de empregos diretos ou indiretos.

O festival é uma realização da Lume Arte Projetos Culturais, empresa carioca que há mais de 20 anos atua em grandes iniciativas na área cultural.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Festival Mendelssohn/Liszt


A partir de hoje, os recifenses poderão apreciar música erudita no festival que homenageia dois grandes nomes da música clássica: o alemão Mendelssohn e o húngaro Franz Liszt. A escolha pelos compositores, deve-se ao fato de que ambos comemoram o seu bicentenário. Tomando como modelo e móbil o sucesso do Festival Schumann/Chopin, os idealizadores do evento organizaram uma programação que traz musicistas pernambucanos e de outros lugares do país.
Essa reincidência de festivais de música erudita no Brasil (vale lembrar o Festival Virtuosi que aconteceu recentemente em Gravatá e encontra-se em curso na cidade de Garanhuns durante a 21ª edição do festival de inverno) aponta para a preocupação do poder público e dos grupos de incentivo à cultura em tornarem acessível uma modalidade musical que, até pouco tempo, era entendida como produto restrito a uma elite e de difícil compreensão. O público que tem comparecido aos teatros, a fim de fazer a experiência estética dessa modalidade sonora, mostra que a música clássica é acessível a todos os grupos sociais, faixa etária e pessoas detentoras de diferentes níveis de escolaridade. Em Pernambuco, tem sido comum a realização de festivais, apresentações, projetos, que objetivam tornar a música erudita mais próxima das pessoas. A acessibilidade a esse tipo de música é garantida pela entrada franca aos eventos. Em todos os eventos, as casas que abrigam os grupos musicais têm ficado lotadas.
O Festival Mendelssohn/Liszt começou hoje (21.07) e segue até o dia 31.08. O evento acontecerá em vários locais da cidade: Teatro da UFPE, Teatro Santa Isabel, Parque Dona Lindu e Igreja da Capunga. O festival é organizado pela Revista Continente e a entrada é gratuita. Vale a pena conferir!

A programação pode ser acessada no endereço: http://www.revistacontinente.com.br/programas_festival_liszt.pdf

terça-feira, 19 de julho de 2011

Arte, cultura, música: Festival de Inverno de Garanhuns


O Festival de Inverno de Garanhuns contou com uma excelente programação no primeiro fim-de-semana. Dedicado a Lula Côrtes, a abertura do FIG fez o público reviver antigos sucessos do homenageado e recordar um show com músicas produzidas na década de 70: Vivo de Alceu Valença. A abertura cheia de fôlego adentrou a madrugada e deixou para trás as aberturas de anos anteriores que se estendiam apenas até a meia-noite. Leia comentário sobre o disco Vivo de Alceu no blog: http://vitrolagozada.blogspot.com/2007/10/alceu-valena-vivo-1976.html
A segunda noite do FIG chegou recheada de pop rock e colocou no palco bandas como Pato Fu, Nando Reis e Os Infernais e Frejat. Desconheço o repertório do Pato Fu, mas aprecio a voz de Fernanda Takai. Durante a apresentação, a banda arrancou gritos e mãos que não paravam de acenar; além disso, a vocalista deu um show a parte de delicadeza e simpatia. Em seguida, Nando Reis e Os Infernais levaram a praça ao delírio cantando sucessos que eram acompanhados com euforia. Quando o show terminou, cheguei imediatamente a conclusão de que foi um show ímpar, sem precedentes e insuperável pelos que vieram depois dele. Frejat optou por um estilo mais formal e grativou por sucessos que passaram por Barão Vermelho, Cazuza e Frejat (solo).
Na terceira noite, tivemos Gal Costa e Bebel Gilberto. Enquanto Gal Costa optou por músicas mais conhecidas da sua carreira, Bebel Gilberto (talvez por não ser tão popular quanto Gal) quase não foi acompanhada pelo público que insistiu em permanecer na praça apesar da chuva constante.
Na volta para casa, reencontro um amigo que não via há anos (nem lembro quanto tempo faz)e que hoje está morando em Paris. Andamos pelas ruas molhadas da cidade, entre neblina espessa e frio de 10º e conversamos sobre nossas vidas, cinema e a Cidade Luz. É isso.