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domingo, 10 de março de 2013

Sede de Viver de Vincente Minnelle


Sede de viver de Vincente Minnelle foi filmado em 1956 e é considerado uma das melhores cinebiografias sobre Van Gogh. O ator Kirk Douglas esbanja em interpretação que faz com que vibremos na mesma sintonia que movimentou os dias do pintor holandês. A música dá o tom exato que a vida conturbada de Van Gogh exprimiu. A cena na qual o pintor corta a orelha é de um brilhantismo ímpar. Por fim, uma comparação que pode até ser burra, mas que não posso deixar de fazê-la. Em Vincent Van Gogh: Vida e Obra, que foi filmado por Robert Altman, o pintor impressionista aparece muito mais selvagem e o realismo da sua angústia existencial é muito mais cru e nu. É isso.

domingo, 3 de março de 2013

Crônicas de um mochileiro em Cusco/Machu Pichu

As reminiscências são sempre mais vivas e intensas que a realidade e o vivido. Rememorar é buscar detalhes, selecionar experiências, refazer caminhos materiais e afetivos. Em suma, é recorrer às lembranças que descansam em nosso olhar. Assim, retomo essas lembranças e quebro a sequência dos fatos e do roteiro, uma vez que Cusco não foi a última cidade a ser visitada, mas Puno, sobre a qual já escrevi.
Cheguei em Cusco aproximadamente no dia 13 de janeiro e, de pronto, não me encantei com a Cidade Imperial dos Incas. Mas essa má impressão durou pouco. Após desambarcar na rodoviária, dirigi-me à praça principal onde um misto de deslumbre e curiosidade se apoderou de mim. Aos poucos, enquanto passava o olhar pelas belezas arquitetônicas daquele centro histórico, comecei a entender porque Cusco atrai tantos turistas e também compreendi o fato de ser uma parada obrigatória para o visitante que pretende esticar seu passeio até à cidade sagrada dos Incas: Machu Pichu. Nela (em Cusco), percorre a brisa da história que envolve suas ruas, esquinas e construções que datam do séc. XVI quando lá chegaram os dominadores espanhóis. Mas o nascimento dessa cidade que já serviu de base administrativa, religiosa e cultural ao Império Inca data do século XII. Até a chegada dos espanhóis, Cusco funcionava como a sede de um dos maiores impérios que a América Latina abrigou e, onde hoje vislumbram-se templos católicos, era possível ver os lugares sagrados do povo inca. No afã da expansão europeia, templos e índios foram pilhados e assassinados sem que pudessem provar sua importância no cenário cultural da humanidade.
Como já foi dito, Cusco é parada obrigatória para quem deseja chegar a Machu Pichu. Na cidade Imperial, fiquei hospedado no Flying Dog Hostal que já era conhecido uma vez que me hospedei em hostal da mesma rede na cidade de Arequipa. No mesmo dia, conversei com o representante de uma agência que mantém um convênio com o hostal e fechei o passeio a Machu Pichu com essa agência que cobrou 585,00 soles (tudo incluso). Isso equivale aproximadamente a R$ 585,00, uma vez que o câmbio entre as moedas é praticamente 1 para 1. Em Cusco, há muitas agências que oferecem passeios, mas nem todas são confiáveis. É muito importante obter o máximo de informação sobre a agência e junto à agência para que tenha certeza que não está fazendo um mau negócio. Os peruanos são agradáveis, receptivos e pacíficos, mas em matéria de negócios é bom ficar atento porque pode se deparar com um oportunista.
O percurso até Machu Pichu é razoavelmente longo, pois o trem não sai de Cusco, mas de uma cidade que fica a aproximadamente 1h30 da cidade imperial. O caminho é repleto de curvas e, ao logo do trajeto, é possível ver de relance a entrada de sítios arqueológicos que estão localizados nas proximidades da cidade histórica dos incas. Até à estação fomos de van e depois seguimos de trem. A viagem dura aproximadamente 2h e a paisagem é de tirar o fôlego. Na classe que viajei, não há muitos serviços e o conforto não chega aos excessos da primeira classe que é muito mais cara. Entretanto, a falta de serviços excelentes foram substituídos pelo bom papo que se desenvolveu ao longo da viagem com dois passageiros que se dispuseram a me dar uma aula sobre Machu Pichu.

Enfim, Águas Calientes ou Machu Pichu Pueblo. A bem da verdade, trata-se de um pequeno povoado onde se concentra um número considerável de hoteis, pousadas, hostals e casas de comércio bem como um centro voltado para a venda de artesanato produzido por artesãos locais e provenientes de Cusco. É o lugar ideal para quem deseja descansar antes de rumar à Cidade Perdida dos Incas. Os dois rios que passam pelo povoado e as montanhas que os cercam se encarregam de criar o clima perfeito de sossego e paz. Dormi em Águas Calientes e, no dia seguinte, por volta das 5h, tomei a van que me levaria ao desejado templo sagrado dos Incas.
Após 20 minutos de belezas naturais, chegamos a um dos lugares mais fascinantes da nossa Casa Comum, a Terra. O movimento é intenso na entrada do sítio arqueológico, uma vez que os turistas chegam em horários próximos. Identificado o guia turístico, iniciamos a jornada pela religiosidade, cultura e cosmovisão inca. Inquieta e encanta a organização de uma sociedade indígena que construiu uma cidade num lugar tão inacessível e pouco propício à vida humana porque queria se proteger dos invasores que pilhavam sua gente e terra. Protegida pela Montanha Jovem e Montanha Velha, Machu Pichu foi o centro urbano de uma civilização que cultivou a terra, cultuou os deuses e produziu cultura sem agredir a Pacha Mama, ou Mãe Terra. A cruz andina representa essa comunhão desejada por esse povo que estabelecia com o seu entorno uma profunda relação de respeito e gratidão. E essa relação é expressa na cruz andina por meio do simbolismo dos três mundos: superior, o dos vivos e o inframundo que se encontram representados nas três pontas da cruz.
A cidade sagrada foi descoberta por camponeses que exploravam a região, mas só do arqueólogo Hiran Binghan recebeu a devida investigação científica. Binghan registrou suas descobertas no livro La Ciudad Perdida de los Incas: Machu Pichu.
Liberados pelo guia, resolvi voltar a fazer o mesmo percurso e explorar outros para perceber nuances e sentir melhor a cidade, pois isso não é possível quando temos que acompanhar um guia que nos conduz a passos rápidos. Assim, voltei aos templos, fotografei símbolos sagrados, subi a montanha de Machu Pichu, passei entre as paredes de pedras que constroem os aposentos dos sacerdotes e importantes figuras da escala social inca, vi a neblina ir embora e o deus Sol iluminar a cidade que ecoa os sonhos, a coragem e a sabedoria de um povo.
A volta a Cusco foi materialmente tranquila, mas minha mente não estava tão tranquila quanto a viagem e ainda tentava processar todas aquelas informações captadas pelo olhar e sorvidas pelos demais sentidos. Agora no Brasil, passado pouco mais de um mês dessa experiência, nutro a esperança de um dia voltar a Águas Calientes e, certamente, a Machu Pichu, a fim de escrever os primeiros capítulos das percepções impressas pelos Caminhos da América do Sul. É isso.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Nasca

Descemos em Nasca no dia 08 de janeiro e a impressão que tive foi de  uma Nasca pacata, sem grandes atrativos e cujo desenvovimento havia parado num passado que não conseguiu recuperar, amarrar as pontas e dar continuidade. Hospedado, saí para conhecer melhor aquela pequena cidade do interior do Peru. Caminho a passos lentos, entro e saio de ruas, esbarro em praças e a impressão não muda. Nasca é mesmo uma cidade com pouquíssimos habitantes  que têm numa pequena praça que fica lotada no fim da tarde seu único lazer e ponte para interações que lembram as pequenas cidades do interior de Pernambuco. No chão da praça, figuras de animais remetem às linhas de Nasca e divertem as crianças que não passam despercebidas sobre aqueles desenhos quem povoam seu imaginário. Fotografo e filmo a praça. Busco captar, por meio de fotografias e uma pequena filmagem, as tradições, hábitos, crenças e sonhos de um povo que aprendeu a (sobre)viver à escassez que o deserto impõe.

À noite, fui ao hotel Nasca Lines onde pude ver Júpiter e suas luas. Agora a estada na cidade ganhou um véu de poesia. Até então não havia mirado o céu em um planetário nem recebido aula sobre as diferentes constelações e seus significados profundos. A partir de então, sedimentou-se a certeza de que há uma estreita relação entre o céu e a terra, de tal maneira que nossos desejos mais amplos, sejam bons ou maus, refletem no todo. O contrário também é verdadeiro. Depois dessa aula ao ar livre e rodeada de estrelas, ingressei numa sala onde me foram apresentadas as linhas de Nasca, seguidas de uma explicação ou, melhor seria dizer, das explicações que tentam lançar luz sobre um mistério que grassa o tempo e ainda hoje produz teses as mais diversas sobre o assunto. Essas linhas formam um conjunto de figuras de animais, plantas etc e geométricas que foram feitas pela civilização de Nasca entre os anos 400 e 650 d.C no deserto de Nasca. Foi fundamental conhecer mais sobre as linhas antes de partir em passeio no dia seguinte para ver isso de um mirador. Edgardo, nosso host e guia em Nasca, apresentou um panorama a um tempo, curioso, encantador e científico daquilo que hoje é patrimônio da humanidade e foi objeto de estudos durante 40 anos da arqueóloga alemã Maria Reiche. Impressionou conhecer sua dedicação durante tantos anos de vida a fim de desvendar os mistérios riscados pelas linhas num deserto onde as condições são tão precárias. Após a apresentação, visitamos o quarto onde viveu durante o tempo que passou em Nasca a investigar essas linhas. Hoje li no jornal que um filme sobre sua vida e trabalho investigativo começará a ser rodado este ano.

Cheguei ao deserto de Nasca. É difícil descrever a sensação de estar ali e ver as linhas que podem ter servido a tantos objetivos possíveis, como representar a posição dos astros, marcar a posição dos participantes de rituais religiosos ou, ainda, estabelecer uma relação com o rio, fonte de vida, que garantiria a sobrevivência dos antigos povos do deserto. Meu olhar alcançou apenas duas figuras, porque não fiz o passeio de avião que permite ver todas as linhas e figuras. Não foi necessário ver todas para entender que a humanidade significa sua vida por meio de símbolos que carregam seus sonhos, crenças, desejos e perspectivas. Além disso, chama-me particular atenção que tenha escolhido uma forma de arte para produzir significados e, assim, perpertuar suas tradições e cosmovisão.
As linhas de Nasca abrem o livro da história dos homens em sua tentativa de entender a si mesmos, à sua comunidade e organização social e o mundo no qual se encontram como parte de Algo Maior que os inclui e do qual se sentem pertencentes.
Por fim, quero deixar um agradecimento especial a Edgardo que gentilmente nos cedeu o espaço de uma vida que, como as linhas de Nasca, constitui um mistério a ser desvendado porque capaz de atitudes demasiadamente humanas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Balneário de Huacachina em Ica

Chegamos em Ica e fomos logo conduzidos ao Balneário de Huacachina, onde se concentram os hotéis, hostels, bares, restaurantes e as dunas que tocam o céu. Após o almoço, começamos a fazer uma trilha pelas dunas que esgotam qualquer ciclista, hauterofilista, escalador etc rapidinho. O balneário é formado por dunas imensas e uma lagoa cercada de coqueiros. E isso nao foi miragem...
Mas porque esse nome, Huacachina? Conta a lenda que uma jovem (china refere-se à mulher) se banhava com um pequeno balde de água quando foi surpreendida e perseguida por um caçador e, durante a fuga, perdeu o manto que deu origem às dunas. O pequeno balde, deixado para trás, deu origem à lagoa. Assim, Huaca(lugar sagrado)china(mulher) nasceu do sofrimento feminino. Uma narrativa pequena que explica a origem de uma beleza grandiosa.
No dia seguinte, acordamos cedo porque tínhamos agendado um passeio em Islas Ballestas (Paracas). Nessa ilha, o turista pode ver - e encantar -se - com a variedade de vida animal que ocupa suas rochas ao longo da reserva. É espetacular!!!! Imediatamente nos sentimos em conexao com o Todo e nos tornamos sensíveis à Energia Originária. Tudo parece em perfeita harmonia e pelicanos, garsas, pinguins e leoes-marinhos dividem os espaços sem conflitos aparentes. De volta a Paracas, permanecemos no povoado por uns 30 minutos e pudemos fotografar  e conhecer seu artesanato local que tem como tema a beleza da reserva natural e o legado cultural deixado pelos povos Inca e Nasca. Às 10h30, já nos encontrávamos em Huacachina para descansarmos e preparar as pernas para a próxima visita: as bodegas.
Às duas, já estávamos prontos para nosso próximo passeio: as bodegas industrias e artesanais de vinho e pisco. Antes da saída, encontrava-me inquieto porque queria entender como poderiam existir parrerais (vinhedos) em regiao desértica. Aqui utiliza-se uva para produzir vinho e pisco. Este, um destilado similar à cachaça brasileira. Abre parêntese ESTOU LEVANDO UMA GARRAFA PARA DEGUSTAR COM OS AMIGOS Fecha parêntese. :) Começamos pela bodega artesanal que tem um processo de produçao mais rústico, uma vez que nao se usa prensa para esmagar a uva, mas os pés. Depois, o vinho ou pisco é armazenado em botijas de barro onde permanece por até três anos. Diferentemente, a bodega industrial tem um processo de produçao mais sofisticado em que máquinas sao usadas para prensar e destilar. Em ambas, utiliza-se botijas ou barris para guardar. Do pisco Puro ao pisco Mosto Verde, há uma variedade que recebe nomes distintos. Provamos todos. rs Uma vez que as condiçoes de plantio de uva nao sao ideais para a produçao de vinho, o Peru ainda nao ganhou destaque internacional. No Brasil, encontro comumente chileno, argentino e agora uruguaio, mas nunca encontrei peruano. Se os peruanos nao sao bons produtores de vinho, compensam na culinária que é de "lamber os beiçu". 
 Confesso que deixei o oásis carregando uma saudade que só o deserto permite experienciar. É a saudade da areia quente que nos consome os pés sem nos ferir porque nos conecta à nossa Experiência Primeira e àquele Grau Zero da existência. É isso.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ica, um oásis

Finalmente chegamos a Ica, um oásis de rara beleza. Neste exato momento, encontro-me no restaurante do hostel onde estou hospedado e, ao lado do restaurante, dunas homéricas de areia turvam o olhar. Não vejo a hora de começar a explorar esse pedacinho do Peru que guarda tantas surpresas naturais.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Crônicas de um mochileiro em Lima

Ontem voltamos ao centro de Lima que é um espetáculo a céu aberto de arquitetura, arte e diversidade cultural. Além dos prédios históricos que saltam aos olhos, impressionou-me a limpeza do centro e a organizaçao de suas ruas e lojas. Raramente se vê um ambulante interditando as calçadas ou empurrando produtos nos pedestres que passam. Aproveitei essa segunda passagem pelo centro para visitar o Museu de Arte Contemporânea (Mali) onde visitei três salas: Contemporâneo, Martin Creed e Gerard Richter. Por se tratar de arte contemporânea, um olhar apressado nao é suficiente para entender minimamente a obra. Saindo do Mali, ingressei no Museu italiano que conserva a memória da presença italiana em Lima.

Ao fim da tarde, encontramos Valeria no bairro de Miraflores que se caracteriza de modernidade com seus edifícios espelhados, cassinos, bares, cafés e uma orla requintada. Embora nao seja uma regiao que me interessa explorar, fiquei impressionado com o desenvolvimento e modernidade de uma cidade que imaginava atrasada e sem grandes atrativos. Em Miraflores, o que me mais me chamou atençao foi o sítio arqueológico chamado Huaca Pucllana que conserva uma área antes habitada pelos povos Limas que sao anteriores aos Incas. A pirâmide que conhecemos, orientados por uma guia, era usada em rituais religiosos e procedimentos administrativos referentes à vida daquele povo. Magnífico!!! Aula de história melhor nao há.
À noite, fomos ao meeting do CouchSurfing e conhecemos viajantes que, como nós, passam dias em Lima, além dos membros locais que nos receberam com muita simpatia. Amanha seguimos a Ica.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A receita de Nicholas Sparks

Eu seria um homem de sorte se Nicholas Sparks me revelasse o segredo do sucesso. Em 2010, faturou cerca de 14 milhões e vendeu mais de 55 milhões de livros. No Brasil, Paulo Coelho - que segue receita parecida - já vendeu mais que Flaubert e Guimarães Rosa juntos. Dores de cotovelo transformadas em números que viram best-sellers e alguns milhões na indústria cultural.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

...e a viagem não acabou.

Ainda lembro as palavras de Mauricio Avallos: "aqui na Argentina, quando alguém quer se mostrar inteligente, culto, diz que leu Jorge Luis Borges". Expressão maior das letras argentinas, Jorge Luis Borges deixou atrás de si uma obra extensa que inclui poemas, contos e ensaios. Borges teve seu talento reconhecido por meio de prêmios que recebeu ao longo da vida por governos estrangeiros, como o Cervantes em 1979. Conhecendo a vida e o percurso literário de Borges, entende-se o fato de pessoas lançarem mão de sua obra, a fim de fazerem um marketing pessoal. Borges é, de certo modo, lendário, de maneira que acessar essa lenda e apropriar-se de suas palavras é sinal de distinção seja em que nível for. Os leitores de Borges têm que se orgulhar mesmo! Quando se pensa numa viagem, pensa-se imediatamente em descanso, passeios e na possibilidade de desligar de tudo aquilo que ocupou sua mente e seus dias até então. Além desses elementos que, em proporções diferentes, estão presentes em qualquer viagem, busquei estabelecer um vínculo com a cultura dos países por onde passei e, foi com esse projeto em mente, que vasculhei produtos culturais que fossem capazes de me fazer entrever a alma desses países e a visão de mundo dos seus habitantes. Desse modo, em Buenos Aires, trouxe dois grandes da literatura em língua espanhola: Jorge Luis Borges - que já comentei acima - e Julio Cortázar. Mas não fiquei apenas na literatura e passei a minha segunda paixão: a música. Abaixo faço uma pequena relação dos diamantes que guardei ciosamente como quem tenta guardar água no deserto sem dispor de um recipiente. Da literatura: Jorge Luis Borges. El libro de arena. 1ª ed. Buenos Aires: Debosillo, 2011. Julio Cortázar. Todos los fuegos el fuego. 1ª ed. Buenos Aires: Aguilar. Da música: Soda Stereo (Gira): Me Veras Volver. Los Fabulosos Cadillacs: Vasos Vacios Encuentros de Grandes: Rock Argentino. Southamerican big sessions. Tapeku´A: Água A caça aos produtos acima descritos permitiu que entrasse em contato com pessoas e pudesse aprender mais sobre o espanhol falado. A leitura das letras das músicas, bem como da apresentação dos autores na quarta capa dos livros, possibilitou o entendimento do funcionamento do espanhol escrito. Imergir nesse mundo feito de palavras e sons, permitiu um entendimento acerca dos sonhos que argentinos alimentam, dos arquétipos que reproduzem e das lutas nas quais cotidianamente se engajam. É isso.

domingo, 28 de agosto de 2011

VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco



A VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco possibilita o acesso à leitura e aos autores durante uma semana de festa. Veja abaixo texto extraído do site oficial da Bienal:

Entre os dias 23 de setembro e 02 de outubro de 2011, será realizado mais um capítulo da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Com o tema “Literatura e Cidadania”, a Bienal chega a sua 8ª edição e o pavilhão de exposições do Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE), volta a ser palco das discussões e debates que fomentam a feira literária referência de Pernambuco.

Nesta oitava edição do evento, livreiros, editores e distribuidores de todo o Brasil estarão reunidos mais uma vez, consolidando o Estado como um dos mais importantes pólos literários do país. O evento, que já faz parte do calendário cultural pernambucano, contempla leitores de todas as idades e escritores de todos os estilos. Um grande acontecimento que estimula o hábito da leitura em todas as camadas sociais, democratizando a informação inteligente.

O poeta recifense Mauro Mota e o escritor cearense Ronaldo Correia de Brito serão os grandes homenageados desta 8ª edição.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rio de Janeiro, estou morrendo de saudade


Voltei do Rio há quase uma semana e tenho rememorado os lugares pelos quais passei, as pessoas que tive a oportunidade de encontrar e reencontrar e as belezas naturais que a Cidade Maravilhosa faz desfilar em cada canto e recanto dos seus espaços. Enquanto escrevo este texto, escuto Ball and Chain na voz de Janis Joplin. Seria mera coincidência? Lembro apenas que Joplin sugou a vida que a cidade pulsa, lateja, transpira. É isso mesmo. O Rio é feito de movimentos humanos que não deixam o sangue parar de correr.
Se você quer sentir o pulso da cidade latejar não pode deixar de conhecer a famosa praia de Copacabana (onde Janis Joplin fez topless durante o verão de 70). Cheguei no domingo pela manhã e fui correndo conhecer a famosa praia que serviu de cenário a inúmeras novelas da Globo. O dia estava nublado e parecia ter chovido pela manhã, mas isso não afastou milhares de pessoas que passavam por ali para fazer caminhada, passear com o cachorro, vender bugigangas ou simplesmente ficar fascinado com a beleza de um trecho de orla marítima que inspirou grandes compositores brasileiros. Cheio de empolgação e de câmera à mão, percorri Copacabana, visitei o Forte de Copacabana, o Arpoador e um pequeno trecho da praia de Ipanema. Outro lugar onde o pulso ainda pulsa é a Lapa (bairro boêmio da cidade). Ali pude encontrar multidões que circulavam pelas ruas que abrigam bares, hoteis e boates. Sob o tom dado pelos arcos, as tribos encontram-se e a festa acontece: artistas de rua, grupos de samba, efervescência cultural.
Nas horas de folga do Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada na UFRJ, aproveitei para conhecer o centro da cidade que reúne o que há de melhor em igrejas históricas, museus, bibliotecas e centros culturais. Ainda lembro da visita à Biblioteca Nacional e de como fiquei deslumbrado diante de mais de três milhões de livros. Saindo da Biblioteca, conheci poetas e contistas independentes que vendiam seus folhetos e lembrei da condição do artista no Brasil.
Em visita ao Pão de Açucar e Corcovado, quase esquecia das contradições que a cidade abriga, dos poetas famintos, das loucuras da Janis Joplin no verão de 70; de lá de cima, sob os braços abertos do Cristo Redentor ou do alto dos bondinhos do Pão de Açucar, tudo parece harmônico na igual medida da beleza que salta aos olhos.
Então chega o domingo, e às
(...)sete horas da manhã
Vejo o Cristo da janela
O sol já apagou a luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas de pontos de ônibus
Procurando aonde ir.*

É hora de voltar, embora morrendo de saudade.



*Trecho extraído da música Um trem para as estrelas de Cazuza e Gilberto Gil.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Festival Mendelssohn/Liszt


A partir de hoje, os recifenses poderão apreciar música erudita no festival que homenageia dois grandes nomes da música clássica: o alemão Mendelssohn e o húngaro Franz Liszt. A escolha pelos compositores, deve-se ao fato de que ambos comemoram o seu bicentenário. Tomando como modelo e móbil o sucesso do Festival Schumann/Chopin, os idealizadores do evento organizaram uma programação que traz musicistas pernambucanos e de outros lugares do país.
Essa reincidência de festivais de música erudita no Brasil (vale lembrar o Festival Virtuosi que aconteceu recentemente em Gravatá e encontra-se em curso na cidade de Garanhuns durante a 21ª edição do festival de inverno) aponta para a preocupação do poder público e dos grupos de incentivo à cultura em tornarem acessível uma modalidade musical que, até pouco tempo, era entendida como produto restrito a uma elite e de difícil compreensão. O público que tem comparecido aos teatros, a fim de fazer a experiência estética dessa modalidade sonora, mostra que a música clássica é acessível a todos os grupos sociais, faixa etária e pessoas detentoras de diferentes níveis de escolaridade. Em Pernambuco, tem sido comum a realização de festivais, apresentações, projetos, que objetivam tornar a música erudita mais próxima das pessoas. A acessibilidade a esse tipo de música é garantida pela entrada franca aos eventos. Em todos os eventos, as casas que abrigam os grupos musicais têm ficado lotadas.
O Festival Mendelssohn/Liszt começou hoje (21.07) e segue até o dia 31.08. O evento acontecerá em vários locais da cidade: Teatro da UFPE, Teatro Santa Isabel, Parque Dona Lindu e Igreja da Capunga. O festival é organizado pela Revista Continente e a entrada é gratuita. Vale a pena conferir!

A programação pode ser acessada no endereço: http://www.revistacontinente.com.br/programas_festival_liszt.pdf

domingo, 26 de junho de 2011

Mochilando pela América do Sul


Viajar é um hábito que adquiri desde que me entendo por gente. Sou fascinado em explorar lugares, conhecer pessoas e compartilhar culturas. Esse é o móbil das minhas viagens. Na semana passada, comprei o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Asnis e Os Viajantes, pois estou montando um roteiro de viagem pela América do Sul. Até o momento, tenho dois roteiros interessantes: o primeiro contempla Bolívia-Peru e o segundo Bolívia-Chile-Peru. Disponho apenas de 25 dias do mês de janeiro de 2012 para realizar essa viagem e preciso pesquisar bem os roteiros a fim de escolher o roteiro mais acessível em termos materiais. Além de pesquisar e economizar, aprender a língua é outro empreendimento que tenho pela frente. Não sei nada de espanhol; nem mesmo uma noção razoável que permita uma comunicação satisfatória. Planejar uma viagem arranca-nos da rotina, enriquece nosso conhecimento sobre o mundo e nos lança em direção a um futuro cheio de possibilidades; além de causar aquele frisson. Força sempre!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Recife Cultural




Valeu a pena ver a apresentação do grupo Anima no VII Virtuosi Brasil. As apresentações aconteceram no Centro Cultural Correios. O grupo Anima trouxe música medieval que foi acompanhada por vários instrumentos que permitiram diferentes sensações. O grupo foi aplaudido demoradamente, mas não podia ter sido diferente. Senti apenas o fato de não poder participar dos demais dias. Estou ocupadíssimo com a produção de um material didático para o curso de Letras a distância da UPE. Isso justifica minha ausência na blogosfera. Mas... Estou voltando...(aos poucos para não causar estardalhaço). rs Força sempre!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A experiência Couch Surfing


CouchSurfing é um site que se encaixa no que se chama hoje de redes sociais. Embora apresente características comuns a outros sites de relacionamento, como Orkut e Facebook, CouchSurfing apresenta algumas peculiaridades:
a)CouchSurfing não é um site de relacionamentos (embora alguns o usem para esse fim). Quando falo em relacionamento, refiro-me ao amoroso. Nesse ponto, vale esclarecer que a experiência CouchSurfing é uma experiência essencialmente relacional. Isso parece contraditório, mas não é, uma vez que os membros do CouchSurfing estabelecem relações de outra ordem que são determinadas pelos objetivos do projeto e que não são propriamente amorosas;
b)CouchSurfing implica uma experiência de convivência humana muito mais fina e intensa que aquelas possíveis em outra redes. Esse aspecto justifica-se pelo fato de que os membros do site se dispõem a hospedar (disponibilizam o sofá, nos termos do site) pessoas que viajam. Com isso, CouchSurfing possibilita a seus membros uma experiência que vai além da troca de afetos como vivenciada no Orkut e/ou Facebook. Quem recebe o viajante (ou mochileiro) divide com ele o mesmo chão e rotina. Por sua vez, o hóspede retribui de maneira não material, mas vivencial, compartilhando sua experiência de vida (social, cultural, intelectual). Assim, viaja quem hospeda e aquele que é hospedado. As trocas são recíprocas e espontâneas.
c) Couch Surfing, embora seja um site que tem a hospedagem como objetivo predominante, esse objetivo não é o único. Outras ações podem ser mobilizadas pelos usuários, como o Coffee and Drink. Essa opção permite que os membros combinem encontros com a finalidade de conversarem e conhecerem novas pessoas. As pessoas as quais me refiro, compreendem os membros pertencentes a uma determinada localidade ou pessoas que estão passando por ali.
Penso que CouchSurfing representa uma diluição extrema de fronteiras, bem como a materialização daquilo que poderíamos chamar de relações globais. A experiência CouchSurfing permite abrir as portas para o mundo e isso não se dá apenas simbolicamente, mas concretamente. Além da superação de fronteiras, CouchSurfing impõe uma condição que tem ficado esquecida num mundo em que o medo é imperativo: a confiança. Talvez represente uma resposta às constantes investidas de uma mentalidade corrente que levanta muros entre as pessoas porque, de acordo com essa mentalidade, o outro é visto/entendido como uma ameaça às seguranças das quais acredito estar cercado. Couch Surfing restabelece a confiança perdida e estabelece uma maneira de relacionar-se com o outro em que a confiança e a partilha são condições indispensáveis a bem sucedida experiência do chão humano compartilhado.