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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Crônicas de um viajante em Valparaíso

Acordei às 10h30 e quase perdi o café da manha que é servido até às 11h. Diferentemente dos outros hostels onde me hospedei, foi servido apenas pao, geleia, margarina e café. Nao vi com bons olhos, mas me dei por satisfeito. Compensei no almoço do Color Café que fica pertinho do hostel e tem uma decoraçao muito bizarra. Aqui costuma-se servir uma entrada que geralmente é pao francês cortado em rodelas e molho, patê ou pimenta (come-se muita pimenta por essas bandas). A entrada do Color Café é um pouco mais farta, de maneira que primeiro veio o pao com dois tipos de molhos, depois salada (ou ensalada, como queira), sopa (desconfio que era feita de abacate porque aqui abacate nao é fruta, mas verdura) e, enfim, o almoço que estava de lamber os "beiço". Mas nem pense que tudo está acabado... Esqueci de falar da sobremesa que foi uma deliciosa panqueca com doce de leite, mel e banana... Hum... Dessa vez quase como os beiços!!! Comecei minha peregrinaçao pelo Cerro Concepcion e depois segui ao centro de Valparaíso. Vale lembrar que estou num cerro, ou seja, no alto de uma serra e, assim sendo, é até fácil descer, mas subir é "rojao". Se estivesse ganhando por difícil acesso em Valparaíso já estaria milionário. Sim! Milionário! Porque as notas de $10.000 nao me fizeram um milionário, entao estou buscando outras alternativas. Durante minhas andanças pelo cerro e centro, descobri galerias de arte que expoem obras de artistas que têm certa visibilidade no cenário das artes plásticas chilenas. Dois desses artistas chamaram muito minha atençao e comprei os postais que trazem algumas de suas obras. Sao eles: Loro Coirón que produz uma arte baseada em cenas do cotidiano e Beto Martínez que lança mao de um surrealismo que é possível ler e traduzir suas representaçoes. Nessas galerias, ainda se expoe obras de escultores, cartunistas e chargistas. Continuei andando pelo cerro e, no mirante, uma mulher com uma espécie de bacia com tampa envolvia os passantes no som que retirava daquele instrumento desconhecido. Ouvi, contribuí e perguntei. Quer saber o nome do instrumento? Hang. E foi criado em Bern, Suiça alema, no ano de 2000, por Sabina Schaerer e Felix Rohner. Comprei o CD que foi dedicado a Buda e se intitula "For Budha". Segui pelo centro, fotografei praças, monumentos e o porto que é de uma beleza singular. Depois de muito andar, subi o cerro Bella Vista e procurei o cerro seguinte, Florida, onde fica a casa de Pablo Neruda. Depois de muito subir, subir, subir, até as pernas cambalearem, encontrei "La Sebastiana". A casa, que se organiza em cinco pisos e foi saqueada durante o golpe militar, virou museu e abriga muitas das coleçoes de Neruda. Ao longo dos andares, pituras, esculturas, jogos de porcelana, cavalos, se distribuem e dao uma identidade ao lugar que nao poderia ser de outra pessoa, senao de Neruda. Nessa visita, chamou-me atençao o pôster do Walt Whitman que ocupa um tamanho considerável da parede do escritório. Além de Whitman, Neruda tinha em Baudelaire e Arthur Rimbaud seus ícones. Dos andares, uma vista belíssima da baia que o poeta desfrutou durante os anos que ali viveu. Na volta para casa, ainda entrei numa livraria e comprei o livro do escritor portenho, Manuel Peña Muñoz, chamado "Valparaíso: la ciudad de mis fantasmas". A obra, autobiográfica, traz relatos do autor acerca dos anos que viveu em Valparaíso. E aí chega a noite e o cansaço que nao perdoa. Para finalizar, queria citar o título da exposiçao do Loro Corión que me pôs em estado de reflexao, mais ou menos como acontece com os personagens clariceanos, ou seja, num estado de epifania: "Como si la vida fuera a durar para siempre." Penso que é essa impressao e esse sentimento que as belezas de Valparaíso nos imprimem e fazem sentir.

Um comentário:

Híndira disse...

Conheci um pouco dessas bandas através do seu texto, como se fosse um google street view escrito!