Sempre vislumbro uma miríade de possibilidades quando planejo uma viagem. E, por mais que você planeje e preveja situações, a viagem sempre surpreende e inaugura momentos e situações não previstas. Nessa etapa da organização da minha viagem pela América do Sul, estabeleço roteiros, pesquiso hostels, acompanho a cotação do dólar, busco por passagens aéreas mais baratas, reviso o corpo e verifico se estou com a saúde em dia para fazer essa viagem sem preocupação e com a cabeça leve.
Ao longo desse percurso, tenho contado com a ajuda de algumas pessoas que, não fossem elas, não teria chegado ao estágio em que me encontro. A bem da verdade, a viagem já começou e parte dela se realiza toda vez que compartilho minhas expectativas, aflições, dúvidas e conquistas com os amigos e recebo deles uma mão estendida. Fico receoso em citar nomes porque não são poucos aqueles que, de diferentes maneiras e proporções, têm me ajudado a trilhar os Caminhos da América do Sul e redescobrir a alma do meu continente. Mas gostaria de destacar a contribuição de algumas pessoas. No primeiro lugar da fila, coloco Júnior, meu companheiro de viagem, que se desdobra em obter informações, levantar valores de passagens, ou simplesmente saber em que pé estão as coisas. Tem se mostrado bastante cioso e interessado em descobrir os universos humanos e geográficos do nosso continente. No grupo daqueles que me ajudaram a montar o roteiro, destaco Johan, Agathe e Valeria. Embora esse grupo não se restrinja aos três, foram eles que me deram informações determinantes para a conclusão do roteiro. Faço também um agradecimento muito especial a Marcos. Ele "bolou" o logotipo do projeto Caminhos da América do Sul e ajudou a dar um "gás" aos passos seguintes. Por fim, agradeço a todos que vêm contribuindo com a viagem, seja como for.
A verdadeira viagem não está em sair a procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos. (Marcel Proust)
Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio e agüentá-lo. Ficarei quieto, esperando, como a noite em sua vigília estrelada com a cabeça pacientemente inclinada. A manhã certamente virá; a escuridão se dissipará, e a tua voz se derramará em torrentes douradas por todo o céu. Então as tuas palavras voarão em canções de cada ninho dos meus pássaros, e as tuas melodias brotarão em flores por todos os recantos da minha floresta. (Rabindranath Tagore)
Total de visualizações de página
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
A REGULAMENTAÇÃO POLÍTICA DO LIVRO DIDÁTICO E O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL
Boa noite. Disponibilizo a versão preliminar do texto da comunicação individual que apresentarei no I Simpósio Internacional sobre o Ensino de Português como Língua Adicional. O texto não traz resultado de uma pesquisa, mas apanhados que estou reunindo para a construção de uma proposta de trabalho a ser submetida a uma banca de seleção de doutorado na UNICAMP.
O Simpósio acontecerá na Universidade Federal do Rio Grande do Sul entre os dias 22 e 25 deste mês.
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – UPE A REGULAMENTAÇÃO POLÍTICA DO LIVRO DIDÁTICO E O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL
Profº Ms. Luciano Taveira de Azevedo
1. Introdução
A história do LD (se é que existe uma história do livro didático no Brasil) tem o seu início com a criação do primeiro órgão governamental criado para legislar sobre políticas do livro didático, o Instituto Nacional do Livro (INL), em 1929. Assim, com a criação desse órgão, temos a inauguração de uma história da política do LD. No dizer de Freitag et alii (1989:11), poder-se-ia mesmo afirmar que o livro didático não tem uma história própria no Brasil. Sua história não passa de uma sequência de decretos, leis e medidas governamentais que se sucedem, a partir de 1930, de forma aparentemente desordenada, e sem a correção ou a crítica de outros setores da sociedade (partidos, sindicatos, associações de pais e mestres, associações de alunos, equipes científicas etc.) Desse modo, a história do LD encontra-se indissoluvelmente ligada ao conjunto de medidas políticas criadas para gerir sua produção e distribuição em território brasileiro. No cenário educacional da República Argentina, a política voltada para a seleção e compra dos livros de texto estabelece critérios avaliativos muito semelhantes àqueles praticados no Brasil. Mas, não obstante a inclusão obrigatória da disciplina Língua Portuguesa ao currículo escolar, a compra e distribuição de livros didáticos voltados ao ensino de português como segunda língua ainda não foram efetivada pelo Ministério da Educação da Nação Argentina.
2. A regulamentação política do livro didático de português no Brasil e na Argentina: o esboço de duas realidades
Na esteira das legislações criadas para gerir a economia e a pedagogia do LD, encontramos o Decreto-lei 1.006 de 30/12/1938 e, por meio desse decreto temos, pela primeira vez na história da política educacional brasileira, os parâmetros que definem o LD: Art. 2º, § 1º - Compêndios são livros que exponham total ou parcialmente a matéria das disciplinas constantes dos programas escolares; 2º - Livros de leitura de classe são os livros usados para leitura dos alunos em aula; tais livros também são chamados de livros de texto, livro-texto, manual, livro didático (Oliveira, A. L. apud Freitag et alii, 1989:12-13) Em 1938, o mesmo Decreto-lei 1.006 criou a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) que é assim descrita nas palavras de Oliveira et alii (1984:33): Criada no mesmo Decreto-lei 1.006, essa comissão seria inicialmente composta de sete membros, designados pela Presidência da República e escolhidos dentre pessoas de notório preparo pedagógico e reconhecido valor moral, das quais, duas especializadas em metodologia das línguas, três especializadas em metodologia das ciências e duas especializadas em metodologia das técnicas. As críticas ao desempenho da Comissão se intensificam a partir da década de 40 e na década de sessenta o acordo MEC/USAID cria a COLTED (Comissão do Livro Técnico e do Livro Didático). Com a criação do Programa do Livro Didático (PLID), a COLTED foi extinta em 1971. Extinta a COLTED, foi criada em 1968, a FENAME (Fundação Nacional de Material Escolar). Entre outras ações, esse programa desenvolveu uma política voltada para a assistência ao estudante carente que se realizou através do PLIDEF (Programa do Livro Didático – Ensino Fundamental), PLIDEM (Programa do Livro Didático para o Ensino Médio), PLIDES (Programa do Livro Didático – Ensino Superior) e PLIDESU (Programa do Livro Didático – Ensino Supletivo). Inicialmente geridos pelo INL, esses programas passaram, após a redefinição do PLID, a serem administrados pela FENAME. Criada em 1983, a FAE (Fundação de Assistência ao Estudante) reúne sob a mesma instituição diferentes programas governamentais tidos como programas de assistência. É o caso do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), PLIDEF (Programa do Livro Didático – Ensino Fundamental) e programas que distribuem bolsas de estudo, material escolar etc. Alvo de críticas que se endereçavam no sentido da centralização da política assistencialista do governo e da inoperância da comissão, não obstante o amplo poder que lhe foi conferido, o comitê da FAE é desativado em 1985 e, através do Decreto 91.542 de 19/08/85, o PLIDEF dá lugar ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Atuando através da FAE até 1997, data da extinção desse órgão, as funções do PNLD restringiam-se à compra e distribuição gratuitas de livros didáticos que eram escolhidos pelos professores e, em seguida, enviados às escolas. Com o fim desse órgão, o PNLD passou a exercer suas funções através do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). O FNDE reformulou as diretrizes e a política de escolha, aquisição e distribuição de LDs a partir das discussões que vinham sendo desencadeadas em vários setores da sociedade acerca da qualidade do material didático que chegava às escolas brasileiras. Esses estudos e investigações que emanavam, sobretudo, da esfera acadêmica denunciavam “a falta de qualidade de parte significativa desses livros: seu caráter ideológico e discriminatório, sua desatualização, suas incorreções conceituais e suas insuficiências metodológicas” (BATISTA, 2003:28). Atualmente, o PNLD avalia materiais voltados ao ensino de língua portuguesa (séries iniciais, séries finais e Ensino Médio), bem como aqueles que sistematizam o ensino de línguas estrangeiras (inglês/espanhol). Na República Argentina, o ensino de português como língua estrangeira tornou-se obrigatório a partir da criação da Ley nº 26648 que foi sancionada no dia 17 de dezembro de 2008 e promulgada em 12 de janeiro de 2009. As leis e protocolos que antecederam e acarretaram na criação da Ley nº 26648, já previam medidas referentes à elaboração de livros de texto que auxiliassem o docente em sua prática pedagógica. O Ministério da Educação da República Argentina disponibiliza em seu site o processo de seleção e compra de livros didáticos que contempla todas as disciplinas pertencentes ao currículo escolar do ensino secundário. Nesse texto, temos que o processo de seleção dos livros didáticos é conduzido pelas Comisiones Asesoras Provinciales (CAP) e a Comisión Asesora Nacional (CAN) que dispõem de docentes e especialistas altamente qualificados. Esse trabalho de seleção compartilhado com os dois órgãos governamentais permite que a seleção dos livros de texto corresponda aos acordos federais em termos de conteúdos e propostas pedagógicas, bem como às políticas e às diversas realidades de cada uma das jurisdições ou províncias. A escolha do livro se inicia mediante uma Resolución Ministerial que aprova os parâmetros de seleção que incluem os processos e prazos administrativos, os critérios e a pautas de funcionamento das Comisiones Asesoras Provinciales (CAP) e a Comisión Asesora Nacional (CAN). Em seguida, é publicada, em dois jornais de circulação nacional, a data para retirada das diretrizes de seleção pelas editoras e empresas. Uma vez retiradas as diretrizes, publicam-se as Declaraciones Juradas dos membros de cada comissão e as editoras têm dois dias para concluírem o que lhes foi ordenado. Nessa etapa, as apresentações de mostras de livros por parte das editoras são concluídas. Então, a Comisión Asesora Nacional elabora um informe final sobre os livros que mais se adequam aos critérios federais e providencia o envio de cópias às províncias. Por fim, os livros são revisados pelas Comisiones Asesoras Provinciales que recomendam ao Ministro Provincial três textos por área ou ano de estudo. A referida autoridade educacional é encarregada de indicar ao Ministério da Educação da Nação a proposta de sua jurisdição com três títulos por ano de estudo. Não obstante haja uma política que regula a seleção e compra de livros didáticos no território argentino, ainda não existe produção, seleção e compra de materiais didáticos voltados ao ensino de língua portuguesa como língua adicional neste país. Segundo informações dadas por um professor de língua portuguesa na cidade de Rosário (província de Santa Fé), inexiste uma política voltada para a produção, avaliação e distribuição do material didático, uma vez que não há livros didáticos de língua portuguesa que são adquiridos pelo Estado e repassados aos alunos. O cenário que encontramos na Argentina no tocante à aquisição de material didático de língua portuguesa é o mesmo que até há pouco tempo tínhamos no Brasil no que se refere aos materiais relacionados ao ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras. Essas conclusões foram definidas a partir das respostas dadas a um pequeno questionário enviado ao professor de língua portuguesa, Mauricio Avalos. O questionário compreendia as seguintes perguntas: 1. As escolas adotam algum material didático de ensino de português? 2. Como se dá o processo de produção, distribuição e escolha do material didático? 3. Há algum programa governamental que normatiza a produção e distribuição desse material? 4. Existe um programa curricular específico para o ensino de português? 5. Qual a legislação que define o planejamento do ensino de português na Argentina? Segundo Maurício Avalos, “para o ensino de qualquer língua estrangeira é o professor quem escolhe o material didático, pode ser algo que ele mesmo prepare ou um livro, em geral é uma combinação, você escolhe um livro mas a prática sempre é pouca e tem que acrescentar, seja de elaboração própria seja tirado de outros livros.” Ainda sobre isso, Mauricio acrescenta: “Aqui não entendo bem a pergunta. Se é o professor que elabora seu material, cada um terá um processo diferente. A que você se refere com "distribuição"? Quanto à escolha, se for um livro, na verdade não há muito publicado aqui portanto sempre se tenta de "adaptar" algum livro de ensino de portugués para estrangeiros já que não há um específico para ensino em escola (seja o nível que for).” Acerca do programa curricular, Mauricio é sucinto: “Não, tem uma lei de ensino médio (que faz pouco sofreu modificações e agora está se debatendo como aplicar essas mudanças) que estabelece certos conteúdos básicos para cada ano. Aqui só posso falar do nível médio que é onde eu tenho experiência.” Ele é enfático ao responder a última pergunta: “Não tem, essa lei que eu falei estabelece certos conteúdos básicos, "orientações", para a matéria "Língua estrangeira", de preferência o inglês que é o que todas as escolas ensinam. O portugués nunca é a única LE, sempre vem como algo extra no currículo de algumas escolas e o planejamento se baseia naquelas orientações.” As respostas do professor Mauricio expõem a lacuna ainda presente no processo de produção e distribuição de materiais didáticos de língua portuguesa como língua estrangeira e, concomitantemente, nos fazem vislumbrar possibilidades de construção de um programa de pesquisa.
3. Conclusão
Do que foi apresentado, conclui-se que a política voltada para a regulamentação do livro didático no Brasil e na Argentina revela a política linguística explícita (ver Shohamy, 2005) que estabelece, nos vários documentos que constroem seu arcabouço, uma concepção de língua e, por conseguinte, as diretrizes que ditam o modo como a língua deve ser trabalhada em sala de aula e as estratégias a serem utilizadas nas diversas situações de ensino-aprendizagem. No caso específico da Argentina, embora não tenhamos dados que contemplem situações efetivas de ensino-aprendizagem de língua portuguesa mediadas por livros didáticos, será possível chegar a algumas conclusões acerca da política implícita (Shohamy, 2005) incurso na legislação oficial, nos livros escolhidos pelos professores, nas atividades e materiais paralelos elaborados pelos docentes como material complementar, nos textos que selecionam para compor esse material, bem como nos usos feitos em sala de aula do LDP (livro didático de português) escolhido ou das atividades complementares. Esse pode ser um ponto de partida, entre outros, para darmos início a uma pesquisa que objetiva traçar a política linguística para o ensino de português como língua adicional na República Argentina. Muito obrigado.
Referências bibliográficas
BATISTA, A. A. G. A avaliação dos livros didáticos: para entender o Programa Nacional do Livro Didático. In: ROJO, R; BATISTA, A. A. G (orgs). Livro didático de língua portuguesa: letramento e cultura da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 2003.
FREITAG, B. et. alii. O livro didático em questão. São Paulo: Cortez, 1989.
MINISTERIO DE EDUCACIÓN DE LA NACIÓN ARGENTINA. Dirección nacional de políticas socioeducativas. Argentina, 2012. OLIVEIRA, J. B. A. et alii. A política do livro didático. São Paulo: Sumus; Campinas: Editora da Unicamp, 1984.
SHOHAMY, E. Language Policy: hidden agendas na new approaches. UK: Routledge, 2005.
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO – UPE A REGULAMENTAÇÃO POLÍTICA DO LIVRO DIDÁTICO E O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL
Profº Ms. Luciano Taveira de Azevedo
1. Introdução
A história do LD (se é que existe uma história do livro didático no Brasil) tem o seu início com a criação do primeiro órgão governamental criado para legislar sobre políticas do livro didático, o Instituto Nacional do Livro (INL), em 1929. Assim, com a criação desse órgão, temos a inauguração de uma história da política do LD. No dizer de Freitag et alii (1989:11), poder-se-ia mesmo afirmar que o livro didático não tem uma história própria no Brasil. Sua história não passa de uma sequência de decretos, leis e medidas governamentais que se sucedem, a partir de 1930, de forma aparentemente desordenada, e sem a correção ou a crítica de outros setores da sociedade (partidos, sindicatos, associações de pais e mestres, associações de alunos, equipes científicas etc.) Desse modo, a história do LD encontra-se indissoluvelmente ligada ao conjunto de medidas políticas criadas para gerir sua produção e distribuição em território brasileiro. No cenário educacional da República Argentina, a política voltada para a seleção e compra dos livros de texto estabelece critérios avaliativos muito semelhantes àqueles praticados no Brasil. Mas, não obstante a inclusão obrigatória da disciplina Língua Portuguesa ao currículo escolar, a compra e distribuição de livros didáticos voltados ao ensino de português como segunda língua ainda não foram efetivada pelo Ministério da Educação da Nação Argentina.
2. A regulamentação política do livro didático de português no Brasil e na Argentina: o esboço de duas realidades
Na esteira das legislações criadas para gerir a economia e a pedagogia do LD, encontramos o Decreto-lei 1.006 de 30/12/1938 e, por meio desse decreto temos, pela primeira vez na história da política educacional brasileira, os parâmetros que definem o LD: Art. 2º, § 1º - Compêndios são livros que exponham total ou parcialmente a matéria das disciplinas constantes dos programas escolares; 2º - Livros de leitura de classe são os livros usados para leitura dos alunos em aula; tais livros também são chamados de livros de texto, livro-texto, manual, livro didático (Oliveira, A. L. apud Freitag et alii, 1989:12-13) Em 1938, o mesmo Decreto-lei 1.006 criou a Comissão Nacional do Livro Didático (CNLD) que é assim descrita nas palavras de Oliveira et alii (1984:33): Criada no mesmo Decreto-lei 1.006, essa comissão seria inicialmente composta de sete membros, designados pela Presidência da República e escolhidos dentre pessoas de notório preparo pedagógico e reconhecido valor moral, das quais, duas especializadas em metodologia das línguas, três especializadas em metodologia das ciências e duas especializadas em metodologia das técnicas. As críticas ao desempenho da Comissão se intensificam a partir da década de 40 e na década de sessenta o acordo MEC/USAID cria a COLTED (Comissão do Livro Técnico e do Livro Didático). Com a criação do Programa do Livro Didático (PLID), a COLTED foi extinta em 1971. Extinta a COLTED, foi criada em 1968, a FENAME (Fundação Nacional de Material Escolar). Entre outras ações, esse programa desenvolveu uma política voltada para a assistência ao estudante carente que se realizou através do PLIDEF (Programa do Livro Didático – Ensino Fundamental), PLIDEM (Programa do Livro Didático para o Ensino Médio), PLIDES (Programa do Livro Didático – Ensino Superior) e PLIDESU (Programa do Livro Didático – Ensino Supletivo). Inicialmente geridos pelo INL, esses programas passaram, após a redefinição do PLID, a serem administrados pela FENAME. Criada em 1983, a FAE (Fundação de Assistência ao Estudante) reúne sob a mesma instituição diferentes programas governamentais tidos como programas de assistência. É o caso do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), PLIDEF (Programa do Livro Didático – Ensino Fundamental) e programas que distribuem bolsas de estudo, material escolar etc. Alvo de críticas que se endereçavam no sentido da centralização da política assistencialista do governo e da inoperância da comissão, não obstante o amplo poder que lhe foi conferido, o comitê da FAE é desativado em 1985 e, através do Decreto 91.542 de 19/08/85, o PLIDEF dá lugar ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Atuando através da FAE até 1997, data da extinção desse órgão, as funções do PNLD restringiam-se à compra e distribuição gratuitas de livros didáticos que eram escolhidos pelos professores e, em seguida, enviados às escolas. Com o fim desse órgão, o PNLD passou a exercer suas funções através do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). O FNDE reformulou as diretrizes e a política de escolha, aquisição e distribuição de LDs a partir das discussões que vinham sendo desencadeadas em vários setores da sociedade acerca da qualidade do material didático que chegava às escolas brasileiras. Esses estudos e investigações que emanavam, sobretudo, da esfera acadêmica denunciavam “a falta de qualidade de parte significativa desses livros: seu caráter ideológico e discriminatório, sua desatualização, suas incorreções conceituais e suas insuficiências metodológicas” (BATISTA, 2003:28). Atualmente, o PNLD avalia materiais voltados ao ensino de língua portuguesa (séries iniciais, séries finais e Ensino Médio), bem como aqueles que sistematizam o ensino de línguas estrangeiras (inglês/espanhol). Na República Argentina, o ensino de português como língua estrangeira tornou-se obrigatório a partir da criação da Ley nº 26648 que foi sancionada no dia 17 de dezembro de 2008 e promulgada em 12 de janeiro de 2009. As leis e protocolos que antecederam e acarretaram na criação da Ley nº 26648, já previam medidas referentes à elaboração de livros de texto que auxiliassem o docente em sua prática pedagógica. O Ministério da Educação da República Argentina disponibiliza em seu site o processo de seleção e compra de livros didáticos que contempla todas as disciplinas pertencentes ao currículo escolar do ensino secundário. Nesse texto, temos que o processo de seleção dos livros didáticos é conduzido pelas Comisiones Asesoras Provinciales (CAP) e a Comisión Asesora Nacional (CAN) que dispõem de docentes e especialistas altamente qualificados. Esse trabalho de seleção compartilhado com os dois órgãos governamentais permite que a seleção dos livros de texto corresponda aos acordos federais em termos de conteúdos e propostas pedagógicas, bem como às políticas e às diversas realidades de cada uma das jurisdições ou províncias. A escolha do livro se inicia mediante uma Resolución Ministerial que aprova os parâmetros de seleção que incluem os processos e prazos administrativos, os critérios e a pautas de funcionamento das Comisiones Asesoras Provinciales (CAP) e a Comisión Asesora Nacional (CAN). Em seguida, é publicada, em dois jornais de circulação nacional, a data para retirada das diretrizes de seleção pelas editoras e empresas. Uma vez retiradas as diretrizes, publicam-se as Declaraciones Juradas dos membros de cada comissão e as editoras têm dois dias para concluírem o que lhes foi ordenado. Nessa etapa, as apresentações de mostras de livros por parte das editoras são concluídas. Então, a Comisión Asesora Nacional elabora um informe final sobre os livros que mais se adequam aos critérios federais e providencia o envio de cópias às províncias. Por fim, os livros são revisados pelas Comisiones Asesoras Provinciales que recomendam ao Ministro Provincial três textos por área ou ano de estudo. A referida autoridade educacional é encarregada de indicar ao Ministério da Educação da Nação a proposta de sua jurisdição com três títulos por ano de estudo. Não obstante haja uma política que regula a seleção e compra de livros didáticos no território argentino, ainda não existe produção, seleção e compra de materiais didáticos voltados ao ensino de língua portuguesa como língua adicional neste país. Segundo informações dadas por um professor de língua portuguesa na cidade de Rosário (província de Santa Fé), inexiste uma política voltada para a produção, avaliação e distribuição do material didático, uma vez que não há livros didáticos de língua portuguesa que são adquiridos pelo Estado e repassados aos alunos. O cenário que encontramos na Argentina no tocante à aquisição de material didático de língua portuguesa é o mesmo que até há pouco tempo tínhamos no Brasil no que se refere aos materiais relacionados ao ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras. Essas conclusões foram definidas a partir das respostas dadas a um pequeno questionário enviado ao professor de língua portuguesa, Mauricio Avalos. O questionário compreendia as seguintes perguntas: 1. As escolas adotam algum material didático de ensino de português? 2. Como se dá o processo de produção, distribuição e escolha do material didático? 3. Há algum programa governamental que normatiza a produção e distribuição desse material? 4. Existe um programa curricular específico para o ensino de português? 5. Qual a legislação que define o planejamento do ensino de português na Argentina? Segundo Maurício Avalos, “para o ensino de qualquer língua estrangeira é o professor quem escolhe o material didático, pode ser algo que ele mesmo prepare ou um livro, em geral é uma combinação, você escolhe um livro mas a prática sempre é pouca e tem que acrescentar, seja de elaboração própria seja tirado de outros livros.” Ainda sobre isso, Mauricio acrescenta: “Aqui não entendo bem a pergunta. Se é o professor que elabora seu material, cada um terá um processo diferente. A que você se refere com "distribuição"? Quanto à escolha, se for um livro, na verdade não há muito publicado aqui portanto sempre se tenta de "adaptar" algum livro de ensino de portugués para estrangeiros já que não há um específico para ensino em escola (seja o nível que for).” Acerca do programa curricular, Mauricio é sucinto: “Não, tem uma lei de ensino médio (que faz pouco sofreu modificações e agora está se debatendo como aplicar essas mudanças) que estabelece certos conteúdos básicos para cada ano. Aqui só posso falar do nível médio que é onde eu tenho experiência.” Ele é enfático ao responder a última pergunta: “Não tem, essa lei que eu falei estabelece certos conteúdos básicos, "orientações", para a matéria "Língua estrangeira", de preferência o inglês que é o que todas as escolas ensinam. O portugués nunca é a única LE, sempre vem como algo extra no currículo de algumas escolas e o planejamento se baseia naquelas orientações.” As respostas do professor Mauricio expõem a lacuna ainda presente no processo de produção e distribuição de materiais didáticos de língua portuguesa como língua estrangeira e, concomitantemente, nos fazem vislumbrar possibilidades de construção de um programa de pesquisa.
3. Conclusão
Do que foi apresentado, conclui-se que a política voltada para a regulamentação do livro didático no Brasil e na Argentina revela a política linguística explícita (ver Shohamy, 2005) que estabelece, nos vários documentos que constroem seu arcabouço, uma concepção de língua e, por conseguinte, as diretrizes que ditam o modo como a língua deve ser trabalhada em sala de aula e as estratégias a serem utilizadas nas diversas situações de ensino-aprendizagem. No caso específico da Argentina, embora não tenhamos dados que contemplem situações efetivas de ensino-aprendizagem de língua portuguesa mediadas por livros didáticos, será possível chegar a algumas conclusões acerca da política implícita (Shohamy, 2005) incurso na legislação oficial, nos livros escolhidos pelos professores, nas atividades e materiais paralelos elaborados pelos docentes como material complementar, nos textos que selecionam para compor esse material, bem como nos usos feitos em sala de aula do LDP (livro didático de português) escolhido ou das atividades complementares. Esse pode ser um ponto de partida, entre outros, para darmos início a uma pesquisa que objetiva traçar a política linguística para o ensino de português como língua adicional na República Argentina. Muito obrigado.
Referências bibliográficas
BATISTA, A. A. G. A avaliação dos livros didáticos: para entender o Programa Nacional do Livro Didático. In: ROJO, R; BATISTA, A. A. G (orgs). Livro didático de língua portuguesa: letramento e cultura da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 2003.
FREITAG, B. et. alii. O livro didático em questão. São Paulo: Cortez, 1989.
MINISTERIO DE EDUCACIÓN DE LA NACIÓN ARGENTINA. Dirección nacional de políticas socioeducativas. Argentina, 2012. OLIVEIRA, J. B. A. et alii. A política do livro didático. São Paulo: Sumus; Campinas: Editora da Unicamp, 1984.
SHOHAMY, E. Language Policy: hidden agendas na new approaches. UK: Routledge, 2005.
sábado, 29 de setembro de 2012
A FLIP revisitada
Depois de um longo tempo sem postar, volto com algumas palavras sobre a experiência vivenciada em Paraty durante a Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP. O lado positivo de escrever sobre uma vivência tempos depois de tê-la experienciado é que podemos revisitá-la e estabelecer uma nova conexão com o vivido, de maneira que novos sentidos se revelam. Além disso, recompomos situações e pessoas e revivemos toda a carga emocional que acompanhou nossos passos ao longo da viagem.
Parafraseando Machado de Assis nas primeiras páginas do livro Dom Casmurro, digo que, antes de passar aos fatos, faz-se necessário dar os motivos que impulsionaram essa viagem. São dois apenas e, de certo modo, não guardam nada de espetacular: o primeiro reside no desejo alimentado desde longa data em conhecer a FLIP. Desde meus tempos de universidade, ouvia falar nessa festa literária e fazia planos de um dia conhecer; o segundo motivo é um pouco mais profundo e tem a ver com minha relação afetiva com um livro que foi para as telas do cinema, chamado REPARAÇÃO, do escritor inglês Ian McEwan. No Brasil, o filme recebeu o nome de Desejo e Reparação. Desde o início do ano que vinha recebendo informativos sobre a Festa e quando vi que o autor participaria do evento não pensei muito, na verdade, pensei bem pouco, pois logo decidi pegar o avião ao Rio de Janeiro (e depois o ônibus para chegar em Paraty).
Em Paraty, fiquei hospedado em uma Pousada-Camping e, como queria fazer uma nova experiência de hospedagem - além de economizar - optei por ficar no Camping. Experiência maravilhosa. A impressão que o hóspede tem é similar àquela deixada por um lugar familiar ou sua própria casa. Acordar e se deparar com um ambiente natural, quase campal, numa temperatura amena e pessoas acolhedoras contribuiu bastante para que logo entrasse no clima da festa.
Paraty é uma cidade secular que conserva um centro histórico com ruas estreitas e pedras que reluzem em seu calçamento. É nesse centro que a FLIP acontece em suas várias tendas e casas. Os autores que constam da programação oficial podem ser vistos em duas tendas: a tenda dos autores e a do telão. Na tenda dos autores você paga um pouco mais caro pelo privilégio em ver o autor ao vivo e em todas as cores. Como isso não é possível na tenda do telão, o valor cobrado é menor. Comprei ingressos antecipados para a tenda dos autores e selecionei aqueles que me interessavam, seja por que os conhecia de ouvir dizer ou de obra lida, seja porque estavam ligados a culturas e países que vêm despertando meu interesse. Ao fim e ao cabo, participei de várias mesas e conheci autores diversos, bem como entrei em contato com autores cuja obra já havia conhecido por meio do cinema.
Empolgado e mergulhado na efervescência da festa literária, vi e ouvi Javier Cercas, Amin Maalouf, Adonis, Fernando Gabeira, Zuenir Ventura, Walcyr Carrasco, Luiz Felipe Pondé, Frei Betto,Luis Fernando Veríssimo,Ian McEwan, entre outros. Como falei no início, uma das minhas motivações a estar ali foi conhecer o autor de uma obra (Reparação) que me fez descobrir um outro valor da literatura: reconstruir a si mesmo e sua própria história por meio das palavras. Eu o conheci. Primeiro, separados geograficamente e mediados por um telão, depois, de braços e ombros entrelaçados em uma das ruas mais movimentadas do centro histórico. Naquele instante, talvez o instante-já de Clarice Lispector em Água Viva, eu me senti plenamente feliz.
Mas a FLIP não permitiu apenas encontros com autores e livros. Reunindo gente de todos as regiões do país e diferentes países, a Festa abre para outras experiências que envolvem fotografia, cinema, artes cênicas, natureza exuberante, amizades. Além dos livros e lembrancinhas, voltei com uma reserva de amigos que conservo até então.
sábado, 3 de março de 2012
O Chile e suas letras
"Os pés da manhã pisar o chão". É com essas palavras extraídas da canção de Gilberto Gil que inicio este post. Nos pés que pisam a terra estrangeira, concentra-se o desejo de conhecer e explorar espaços humanos, culturais, naturais e históricos. É com esse desejo fincado nos pés que me ponho a caminhar pelo chão chileno que carrega a ancestralidade dos índios Mapocho, a herança dos Rapa Nui e os "espíritos" dos Andes. Esses elementos servem de mote para a literatura que se produz em terras chilenas, de maneira que sua relação com a "tierra larga" é estreita e as páginas dos romances trazem esse universo que assume uma centralidade tal na pena dos escritores que é impossível entender suas palavras se não comungamos desse chão. Das terras chilenas, trouxe romances, poemas e crônicas que apresentarei sucintamente: 1)Manuel Peña Muñoz: a) Chile: memorial da tierra larga. Autor de Ayer soñé con Valparaíso, Muñoz escreve um novo livro de crônicas organizadas de norte a sul do país. Estes artigos descrevem com amenidade a geografia humana e poética do Chile. Através de um percurso literário, o autor apresenta as imagens de chilenos de distintas condições sociais e culturais, através da história mostrando sua idiossincrasia e vistos na intimidade dos seus lugares. b) Valparaíso: la ciudad de mis fantasmas. Nesse livro, Muñoz escreve sobre suas memórias que vão desde o ano de 1951 até 1971. Nelas, nos conduz pela mão pelos labirintos insondáveis de Valparaíso e nos mostra uma galeria maravilhosa de personagens que povoam essas casas fantasmas com varandas abertas ao mar.
2.Hernán Rivera Letelier: a) Mi nombre es Malarrosa. Nessa novela, o autor narra com humor e compaixão outro ângulo da épica dos homens e mulheres do "salitre", na dureza de um mundo que, nos últimos tempos, está prestes a desaparecer.
3. José Donoso: a)La desesperanza. Donoso nasceu em Santiago, Chile, em 1924. Estudou na Universidade do Chile e em Princeton, Estados Unidos. Entre 1967 e 1981 viveu na Espanha, onde escreveu algumas de suas novelas mais importantes e se consolidou como uma figura central do boom latinoamericano. José Donoso Morreu em Santiago do Chile, em dezembro de 1996.
4.Germán Marín: a) Últimos resplandores de una tarde precaria. Esse conjunto de relatos, selecionados da obra publicada de Marín, como também de sua produção inédita, é o espelho de uma realidade imaginada que, construída à base da fragmentos do mundo vivido, tanto ontem como hoje, ajuda a formar certo espetáculo da condição humana. 5. Pablo Neruda: a) Los versos del Capitán. Os amantes ocultos - Pablo e Matilde - sabem dos inconvenientes para declarar à viva voz esse sentimento que os une e, a despeito dos impedimentos, se refugiam na Ilha de Capri. Assim, o Capitão não dirá ser o autor desses versos míticos(para não causar com sua felicidade a dor de outra pessoa)e, por dez anos, esse livro será um "filho natural, não reconhecido."
Por meio dessas letras, é possível acessar o universo mítico e imaginário dos chilenos, suas dores, sonhos e lutas. É possível, acima de tudo, estabelecer relações com o fim do mundo. É isso.
*Os comentários que aparecem após o título dos livros foram traduzidos do original em espanhol.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Literatura argentina para brasileiros
Depois de percorrer o território físico da Argentina, agora percorro o território movediço, emocionado e fictício da literatura produzida em território argentino. Nesse mergulho no oceano sem fundo da literatura, posso entrever um cenário construído por palavras que permitem acessar um modo de dizer e significar o cotidiano, as relações amorosas, as discrepâncias e mazelas sociais, enfim, a vida. Neste post, trago a poesia de Aldo Oliva e Ivana Alochis e a prosa de Antonio di Benedetto e Cristina Loza.
Aldo Oliva nasceu na cidade de Rosario em 27 de janeiro de 1927 e publicou seu primeiro livro de poemas aos 59 anos. Apesar da publicação tardia, Oliva começou a produzir poemas nos primeiros anos da juventude. Em Poesía Completa, Oliva reúne a melhor parte da sua produção poética.
Cristina Loza nasceu e reside em Córdoba. Ela é fisioterapeuta egressa da Universidade Nacional de Córdoba. Sua primeira novela, Malasangre (2002), recebeu críticas positivas. El revés de las lágrimas (Emecé, 1997) obteve grande êxito de crítica e público, com mais de 20.000 exemplares vendidos. Publicado em 2008, La Hora del Lobo, conta a história de Pilar, mulher disposta a reencontrar seu próprio caminho a partir das memórias e dos lugares com os quais se depara durante a narrativa.
Ainda de Córdoba, temos a poeta Ivana Alochis que é licenciada em língua e literatura castelhanas. Egressa da Escola Superior de Línguas da UNC, Ivana tem publicações que elucidam questões referentes à gramática espanhola. Seu livro de poemas, Fuego en el Patio de Atrás, foi publicado em 2010 pela Salvoconductos.
Por fim, Antonio Di Benedetto. Nasceu na cidade de Mendoza em 1922 e morreu em Buenos Aires em 1986. É autor de novelas e vários livros de relatos. Recebeu numerosos prêmios e seus livros têm sido reeditados e traduzidos para outros idiomas. Los Suicidas foi reeditado em 2010 e está em sua 4ª edição.
Fico por aqui.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
...e a viagem não acabou.
Ainda lembro as palavras de Mauricio Avallos: "aqui na Argentina, quando alguém quer se mostrar inteligente, culto, diz que leu Jorge Luis Borges". Expressão maior das letras argentinas, Jorge Luis Borges deixou atrás de si uma obra extensa que inclui poemas, contos e ensaios. Borges teve seu talento reconhecido por meio de prêmios que recebeu ao longo da vida por governos estrangeiros, como o Cervantes em 1979. Conhecendo a vida e o percurso literário de Borges, entende-se o fato de pessoas lançarem mão de sua obra, a fim de fazerem um marketing pessoal. Borges é, de certo modo, lendário, de maneira que acessar essa lenda e apropriar-se de suas palavras é sinal de distinção seja em que nível for. Os leitores de Borges têm que se orgulhar mesmo!
Quando se pensa numa viagem, pensa-se imediatamente em descanso, passeios e na possibilidade de desligar de tudo aquilo que ocupou sua mente e seus dias até então. Além desses elementos que, em proporções diferentes, estão presentes em qualquer viagem, busquei estabelecer um vínculo com a cultura dos países por onde passei e, foi com esse projeto em mente, que vasculhei produtos culturais que fossem capazes de me fazer entrever a alma desses países e a visão de mundo dos seus habitantes. Desse modo, em Buenos Aires, trouxe dois grandes da literatura em língua espanhola: Jorge Luis Borges - que já comentei acima - e Julio Cortázar. Mas não fiquei apenas na literatura e passei a minha segunda paixão: a música. Abaixo faço uma pequena relação dos diamantes que guardei ciosamente como quem tenta guardar água no deserto sem dispor de um recipiente.
Da literatura:
Jorge Luis Borges. El libro de arena. 1ª ed. Buenos Aires: Debosillo, 2011.
Julio Cortázar. Todos los fuegos el fuego. 1ª ed. Buenos Aires: Aguilar.
Da música:
Soda Stereo (Gira): Me Veras Volver.
Los Fabulosos Cadillacs: Vasos Vacios
Encuentros de Grandes: Rock Argentino. Southamerican big sessions.
Tapeku´A: Água
A caça aos produtos acima descritos permitiu que entrasse em contato com pessoas e pudesse aprender mais sobre o espanhol falado. A leitura das letras das músicas, bem como da apresentação dos autores na quarta capa dos livros, possibilitou o entendimento do funcionamento do espanhol escrito. Imergir nesse mundo feito de palavras e sons, permitiu um entendimento acerca dos sonhos que argentinos alimentam, dos arquétipos que reproduzem e das lutas nas quais cotidianamente se engajam. É isso.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante em Viña del Mar e Isla Negra
Quando estamos viajando, a relaçao com o tempo ganha um novo sentido diferente daquele que damos quando nos encontramos em nossa rotina. Passamos a medir o tempo nao pelo relógio ou calendário, mas pelas experiências vivenciadas e percepçoes que nos chegam a todo instante. Assim, ficamos perdidos no tempo, fora de órbita e corremos o risco da imprecisao no que diz respeito ao tempo seguido por rodoviárias e aeroportos. Isso tudo é para dizer que nao posso esquecer que hoje é segunda-feira (lunes por essas bandas) e amanha volto a Santiago para embarcar na quarta-feira logo cedo, bem cedo. Hoje resolvi ficar "de boa" no Hostel para descansar, organizar a cabeça, cuidar da mente e arrumar a bagagem que está uma bagunça. Antes de falar das minhas andanças em Viña del Mar e Isla Negra, vou discorrer rapidamente sobre um show que fui em Valparaíso no sexta-feira.
O nome do grupo é Tapeku´A, oriundo do litoral da Argentina e apresentou-se no Centro Cultural IPA para uma plateia nada mais, nada menos, formada por três pessoas: eu e dois porteños. Isso nao diz nada acerca da qualidade musical do grupo que foi vítima, talvez, de uma divulgaçao insuficiente. No início da apresentaçao, pensei estar ouvindo música sertaneja em outra chave e, nao estava enganado, pois o grupo faz um som muito semelhante ao som sertanejo feito no Brasil, embora nao deem esse nome. A bem da verdade, o resultado do seu trabalho musical é uma mescla dos sons produzidos em território argentino. O produto dessa fusao é um som que extasia, eleva a alma, pacifica. Ao final da apresetaçao, trocamos algumas palavras e comprei o CD que traz uma capa com desenhos que remetem a elementos da natureza colocados nos espaços abertos da letra Y. Dentro da capa, um pequeno texto em castelhano (óbvio!) explica o tema e o conceito do CD. Vou reproduzir trechos do texto original:
"Y...es agua, en guaraní. Tanto el elemento como el pueblo originario son parte intríseca de nuestra vida, y nuestra cultura. (...)
"Y" es la síntesis del comienzo de Tapeku´a, ese "punto de encuentro", ese "a mitad de camino" donde nos encontramos y contemplamos nuestra realidad, evocando voces de la tradición popular que fusionamos para transformalas en nuestra música contemporánea. "
Agora traduzam. Desse lado da América do Sul, a arte mantém um vínculo muito estreito com a natureza, de maneira que seus elementos ocupam temas ou sao usados em instrumentos que reproduzem seus sons originais. Acredito que o duo Tapeku´a persiga essa tradiçao.
Em Viña del Mar. Finalmente cheguei aqui, última cidade do meu roteiro de viagem. Viña del Mar é uma cidade provinciana, talvez um pouco mais provinciana que Valparaíso, mas que apresenta um cenário mais moderno com grandes edifícios, largos restaurantes, orla marítima e ruas que deixam para trás o traço secular de Valparaíso. Desci próximo ao Relógio de Flores e disputei um lugar com os turistas que tentavam sua melhor foto. Eu também queria a minha e tive paciência em esperar que grupos enormes de turistas deixassem o local. Em seguida, andei pela orla e entrei em castelos que viraram centros de exposiçoes, passei em restaurantes que assumiram a forma de um navio e, finalmente, resolvi entrar na praia. Ops! Que é isso? Areia de praia? Embora cheio de dúvidas, segui em direçao ao mar e resolvi medir a temperatura da água. Nem de longe tomo banho nessas águas!!! Tá louco!!! A água é geladaaaa!!!! Ainda pensei em sentar numa cadeira e ouvir música ou ler um livro. Após alguns minutos observando o movimento, entendi que aqui os banhistas trazem seu guarda-sol e sua toalha, de maneira que nao existem donos de barraquinhas oferecendo cadeiras. Cada um no seu quadrado e com sua toalha e guarda-sol: essa é a lei!! Após minha tentativa frustrada de "pegar" uma praia no sábado, continuei percorrendo a cidade e fotografando praças, conhecendo museus e igrejas e parando para ouvir artistas de rua que descansam o viajante com seus sons peculiares e místicos, como me explicou um tocador de Didgeridoo, instrumento australiano usado em rituais indígenas.
Ontem estive em Isla Negra, uma pequena praia a duas horas daqui que foi escolhida por Pablo Neruda para receber sua terceira casa. Enquanto esperava para conhecer a casa, aproveitei para explorar a praia e recolher as energias vindas daquele lugar privilegiado e rico em recursos naturais. Ali o Oceano Pacífico parece dançar e o sol invade a terra como um presente. Concluí minha visita à casa de Neruda no túmulo onde jaz seu corpo. Ali encerrei minha viagem e entendi todo percurso realizado nas palavras do último livro de Neruda: "Confesso que vivi." É isso.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante em Valparaíso
Acordei às 10h30 e quase perdi o café da manha que é servido até às 11h. Diferentemente dos outros hostels onde me hospedei, foi servido apenas pao, geleia, margarina e café. Nao vi com bons olhos, mas me dei por satisfeito. Compensei no almoço do Color Café que fica pertinho do hostel e tem uma decoraçao muito bizarra. Aqui costuma-se servir uma entrada que geralmente é pao francês cortado em rodelas e molho, patê ou pimenta (come-se muita pimenta por essas bandas). A entrada do Color Café é um pouco mais farta, de maneira que primeiro veio o pao com dois tipos de molhos, depois salada (ou ensalada, como queira), sopa (desconfio que era feita de abacate porque aqui abacate nao é fruta, mas verdura) e, enfim, o almoço que estava de lamber os "beiço". Mas nem pense que tudo está acabado... Esqueci de falar da sobremesa que foi uma deliciosa panqueca com doce de leite, mel e banana... Hum... Dessa vez quase como os beiços!!!
Comecei minha peregrinaçao pelo Cerro Concepcion e depois segui ao centro de Valparaíso. Vale lembrar que estou num cerro, ou seja, no alto de uma serra e, assim sendo, é até fácil descer, mas subir é "rojao". Se estivesse ganhando por difícil acesso em Valparaíso já estaria milionário. Sim! Milionário! Porque as notas de $10.000 nao me fizeram um milionário, entao estou buscando outras alternativas. Durante minhas andanças pelo cerro e centro, descobri galerias de arte que expoem obras de artistas que têm certa visibilidade no cenário das artes plásticas chilenas. Dois desses artistas chamaram muito minha atençao e comprei os postais que trazem algumas de suas obras. Sao eles: Loro Coirón que produz uma arte baseada em cenas do cotidiano e Beto Martínez que lança mao de um surrealismo que é possível ler e traduzir suas representaçoes. Nessas galerias, ainda se expoe obras de escultores, cartunistas e chargistas. Continuei andando pelo cerro e, no mirante, uma mulher com uma espécie de bacia com tampa envolvia os passantes no som que retirava daquele instrumento desconhecido. Ouvi, contribuí e perguntei. Quer saber o nome do instrumento? Hang. E foi criado em Bern, Suiça alema, no ano de 2000, por Sabina Schaerer e Felix Rohner. Comprei o CD que foi dedicado a Buda e se intitula "For Budha". Segui pelo centro, fotografei praças, monumentos e o porto que é de uma beleza singular.
Depois de muito andar, subi o cerro Bella Vista e procurei o cerro seguinte, Florida, onde fica a casa de Pablo Neruda. Depois de muito subir, subir, subir, até as pernas cambalearem, encontrei "La Sebastiana". A casa, que se organiza em cinco pisos e foi saqueada durante o golpe militar, virou museu e abriga muitas das coleçoes de Neruda. Ao longo dos andares, pituras, esculturas, jogos de porcelana, cavalos, se distribuem e dao uma identidade ao lugar que nao poderia ser de outra pessoa, senao de Neruda. Nessa visita, chamou-me atençao o pôster do Walt Whitman que ocupa um tamanho considerável da parede do escritório. Além de Whitman, Neruda tinha em Baudelaire e Arthur Rimbaud seus ícones. Dos andares, uma vista belíssima da baia que o poeta desfrutou durante os anos que ali viveu.
Na volta para casa, ainda entrei numa livraria e comprei o livro do escritor portenho, Manuel Peña Muñoz, chamado "Valparaíso: la ciudad de mis fantasmas". A obra, autobiográfica, traz relatos do autor acerca dos anos que viveu em Valparaíso. E aí chega a noite e o cansaço que nao perdoa. Para finalizar, queria citar o título da exposiçao do Loro Corión que me pôs em estado de reflexao, mais ou menos como acontece com os personagens clariceanos, ou seja, num estado de epifania: "Como si la vida fuera a durar para siempre." Penso que é essa impressao e esse sentimento que as belezas de Valparaíso nos imprimem e fazem sentir.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante em Santiago e Valparaiso
O povo chileno tem suscitado muitas impressoes seguidas de perguntas que espero respondê-las a partir de um olhar que se volta, por um lado, para o cotidiano e, por outro, para a literatura, a música e o cinema produzidos aqui. Tenho conversado com muita gente, ouvido muitas histórias e visto um panorama amplo e múltiplo que mais parece uma colcha de retalhos costurada com a linha da esperança e otimismo. Chilenos convivem com diversas condiçoes climáticas e ambientais que se estendem ao longo do país. Vivem sob a sombra dos terremotos que assombra suas vidas, embora prefiram viver como se nao existisse e, por isso, nao falam neles desde que nao sejam questionados. Ontem, conversando com um cineasta enquanto comprava o filme chileno "Machuca" do diretor Andrés Wood, fiquei sabendo que o Chile ainda vive sob os resquícios de uma ditadura que censura produçoes artísticas que denunciam as arbitrariedades do governo atual. Durante a conversa, disse-me que a película que estava levando nao seria encontrada facilmente em Santiago porque era uma película censurada pelo governo. Devido a essa censura, o filme nao podia ser exposto na vitrine, mas escondido entre outros filmes que ficavam por trás do balcao da loja. Viviana também me confidenciou que o governo intenta mudar o termo "Ditadura Militar" por "Governo Militar". Essa é uma maneira de dissimular a opressao infligida ao povo chileno.
A universidade pública é paga e paga-se muito dependendo do curso que se quer fazer. Isso produz uma profunda desigualdade social no país que privilegia com o conhecimento uma pequena parcela da sociedade que tem condiçoes de pagar os estudos. A mídia tem divulgado as muitas mobilizaçoes que os estudantes têm realizado, a fim de que a universidade pública seja gratuita e de excelência.
No Chile há muitos peruanos que se acomodam nos bancos das praças ou trabalham pesado em seus restaurantes que oferecem um cardápio tipicamente perurano. Em Santiago, aproveitei para provar a culinária peruana e, se estivesse no programa da Ana Maria Braga, passaria embaixo da mesa, sem dúvida.
A arte chilena tem uma coloraçao e um contorno próprio de um povo que foi colonizado ou recebeu em seu território tantos outros povos que construíram esse país. Em suas características multiculturais, abriga diferentes segmentos e produz um modo bastante particular de ler, compreender e expressar sua visao de mundo por meio da música, da literatura, do folclore etc.
Hoje cheguei em Valparaiso e estou muito deslumbrado com o que encontrei aqui. Essa cidade tem alma e tem identidade. O nascimento de Valparaiso data da primeira metade do século XVI e, recentemente, foi reconhecida como Patrimônio Histórico da Humanidade. Cercada de serras e contemplada por um clima próprio a cidades serranas, Valparaiso foi invadida por artistas que se apresentam em suas ruas estreitas e dao vida a uma cidade que já teve 40% das suas construçoes destruídas por um terremoto ocorrido em 1906. Ao percorrer a cidade, encontrei um dupla de mulheres que tocava tango romântico e parei sob o céu-azul-felicidade para avistar o mar-azul-delicadeza e ouvi-las tocar. É isso.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Crônicas de um viajante em Santiago do Chile
Deixei Mendoza/Ar às 13h30. Nao foi sem um leve peso no coraçao que deixei as terras argentinas. Experiências que se acumulam na memória e descobertas que me acompanham fizeram com que nascesse um vínculo com aquele povo e sua cultura. Na Argentina, aprendi, entre outras coisas, que a arte pode alargar a consciência, moldá-la, de maneira que novas atitudes de responsabilidade, respeito, cuidado e compaixao nascem desse contato com as manifestaçoes artísticas. Lembro bem que em Rosario encontrei um monumento dedicado aos perros (cachorros). No alto de uma base de cimento, a estátua de um cachorro que lembrava aqueles bustos que no Brasil só se erguem para homenagear pessoas ilustres (algumas nem tao ilustres assim...). Esse "busto" é dedicado aos cachorros de rua. Isso mesmo! Cachorros de rua que sao cuidados pela prefeitura. Fiquei impressionado e convicto de que as pessoas, ou melhor, a consciência daquele povo, era diferente.
Viajei pela empresa Cata que me cobrou algo em torno de $190 pesos pela passagem. Refiz o caminho pela cordilheira que havia visitado no dia anterior. Tudo estava muito bem até chegarmos na Aduana que inspeciona os ônibus e documentaçao dos passageiros antes de entrarem no Chile. Passamos nesse lugar nada amigável aproximadamente duas horas e meia. Foi tenso. Seguimos viagem por território chileno e a paisagem até Santiago era deslumbrante. Montanhas, colinas, vegetaçao, riachos, rios, e neve emolduravam nosso caminho. Logo que entramos no Chile, começamos a descer as montanhas e curvas que nao acabavam e pareciam querer amedrontar. Mas as curvas nao foram suficientes para amedrontar os viajantes, entao, de quebra, ainda tínhamos precipícios que beijavam a ruta (estrada). De repente, medo e deslumbre se misturam na gente e a fotografia nos serve como meio de catarse. Libertados pela fotografia e/ou filmagem, seguimos nosso caminho. Nos bancos de trás, viajantes brasileiros gritavam excitados: "Solta a embreagem!¨ Brasileiros sempre fazendo um barulho, uma algazarra. Faz parte do nosso show... rs
Quando chegamos em Santiago, tivemos um problema com um engarrafamento perto da rodoviária, de maneira que cheguei ao apartamento de Viviana às 23h. Bem recebido e bem acomodado, cuidei em descansar pois tinha um dia todo pela frente para explorar Santiago. Depois de ficar milionário...Nao está acreditando? No Chile fiquei milionário, pois aqui, além de circularem notas de $5, $10, $20 pesos, circulam também notas de $1.000, $2000, $5000. Quando saí da casa de câmbio e abri as notas, pensei que haviam errado e quase voltei para devolver. Foi assim que entrei milionário no Chile ... A triste verdade de tudo isso é que alegria de pobre dura pouco e, quando fui pagar o taxista que ouvia sem parar: "menina, menina, assim você me mata/Ai se eu te pego/Ai, ai se eu te pego", tive que desembolsar $6.000. Nao pense você que isso aqui vale muita coisa,porque nao vale.
Ontem conheci o centro de Santiago e pude comparar Santiago a Buenos Aires. As pessoas de Santiago nao expoem toda aquela elegância que as de Buenos Aires fazem questao de expor. Em vez de uma elegância ao molde europeu, traços indígenas (que também têm sua elegância)sao exibidos pelas pessoas simples e trabalhadoras que percorrem as ruas de Santiago. No centro, conheci a Praça das Armas que traz em suas organizaçao a marca dos espanhóis, uma vez que distribui em seu espaço uma igreja, Correios, um órgao do governo e um museu. Batendo perna pelo centro, encontrei o Palácio da Justiça, o Teatro Municipal, igrejas históricas, a Biblioteca Municipal, praças, a Bolsa de Valores e outras tantas maravilhas que Santiago consegue manter intacto apesar dos terromotos.
À noite, saí com Viviana e fomos ao Bela Vista. Durante o passeio noturno, Viviana mostrou-me o Museu de Belas Artes, o Museu de Artes Visuais e a casa de Pablo Neruda. Depois sentamos num barzinho e tomamos uma cerveja que traz nome alemao, mas é fabricada no Chile.
Hoje voltei ao Bela Vista e fiz uma visita guiada pela casa do Pablo Neruda. Há a identidade do Neruda pulsando naquela casa. Foi muito bom encontrar fotografias e matérias de jornal que traziam Neruda, Vinicius de Moraes e Jorge Amado. Fiquei sabendo também que o poeta Thiago de Mello mantinha uma relaçao estreita com Neruda e foi seu tradutor no Brasil. Em seguida, subi um mirante de bondinho (aqui se dá outro nome, mas nao lembro agora). No alto do mirante, um zoológico, piscinas e um santuário. Uma visao panorâmica da cidade é possível desse lugar. Para finalizar a jornada de hoje, visitei o Museu de Belas Artes que, além das clássicas esculturas, apresenta exposiçoes de artistas locais. Bem, por hoje é só. Só mais uma coisa: a imagem abaixo mostra a visao que se tem de Santiago do alto do cerro ou mirante.
Assinar:
Postagens (Atom)


















